Ignorância globalizada, artigo de Efraim Rodrigues

[EcoDebate] Em uma de minhas aulas aqui nos EUA, um aluno me contou sobre uma pesquisa do Instituto Rasmussen que mostra que somente 57% dos democratas acreditam que a mudanças climáticas são resultado de atividades humanas. Entre os republicanos, esta porcentagem cai a 21%. Como recentemente a população tem estado bem dividida entre democratas e republicanos, o resultado é que mais norte-americanos não crêem que o clima está mudando, ou que se está mudando não é por culpa nossa, do que aqueles que crêem na realidade pura e simples.

O assunto me interessou e saí internet afora caçando outras pesquisas de opinião parecidas. Uma outra pesquisa de Yale confirma a anterior e também na Inglaterra uma pesquisa da BBC mostra que 26% da população acredita que as mudanças climáticas são causadas por nós.

Mais que uma sociedade infantilizada pela informação superficial, pela exigência de juventude e recompensa imediata para tudo, somos também crianças mimadas, para quem tem sido dadas opções sobre o que não devemos optar. Crianças, especialmente as que se colocaram nesta classe voluntariamente, não têm que optar se a família vai fazer um investimento de longo prazo ou torrar tudo como se não houvesse amanhã. Opções vêm com a maturidade.

Não sei se foi por causa de uma sede de democracia, um construtivismo exagerado nos cursos de pedagogia ou até da humildade freqüente daqueles que sabem muito, ficamos neste mundo sem fundações muito sólidas, onde tudo pode ser tudo, ou nada, muito pelo contrário.

Até a própria pesquisa de opinião sobre o assunto é infantilóide. Os fatos estão aí e acreditar ou não neles não fará diferença alguma. Aliás, não acreditar pode até atrasar sua solução, pela falta de mobilização.

Não é só você que está se perguntando se a coisa é assim em uma pais com uma massa de gente que freqüentou a universidade, como será no Brasil ?

Talvez será algo parecido, porque mesmo olhando entre os Republicanos, aqueles com nível superior acreditam menos nos fatos (19%) do que aqueles que estudaram menos (31%).

Isto nos leva a outra pesquisa, agora da National Science Foundation, o CNPQ daqui.

Esta, você mesmo pode se aplicar:

Responda certo ou errado:

A) Dinossauros e humanos conviveram. B) Moléculas são maiores que elétrons. C) A Terra gira ao redor do sol uma vez por ano D) Antibióticos não matam vírus. Metade dos norte americanos não conseguiu acertar todas.

Ainda depois de deter a informação, há a etapa posterior de fazer com que esta informação passe a fazer parte das pessoas. E se a pesquisa perguntasse para estas poucas pessoas que acreditam nos fatos, o que fizeram de concreto para tentar mudá-los? Quantos por cento teriam algo a dizer ? O que você teria a dizer ?

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim{at}efraim.com.br), colunista do EcoDebate, é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva

EcoDebate, 21/04/2011

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2 comentários em “Ignorância globalizada, artigo de Efraim Rodrigues

  1. Até entendo que haja alguma ou muita ignorância quanto as questões relacionadas ao aquecimeno global, mas ninguém precisa ser um “expert” para perceber – com seus próprios olhos, nariz, ouvidos – que a qualidade de vida natural está se deteriorando, por exemplo, pela desaparecimento de espécies em todo o mundo. Se voce perguntar a qualquer criança da cidade se ela conhece um mutum ou um macuco, ela vaI ficar olhando para voce com cara de espanto. Conhece elefante, girafa, leão, mas muitas vão dizer que esses bichos vivem nas matas do Brasil. Mesmo alguns adultos acham isso! É com esse tipo de conhecimento que vamos construir o futuro. A natureza – nossa maior aliada – foi “atropelada” pela tecnologia. Que pena! As duas podiam ter uma linha de equilíbrio…

  2. Caro Efraim,
    Acredito que mais de 99% dos humanos não fazem nada para diminuir sua influência no aquecimento global. Os outros (1%) evitam gastar muita água ao escovar os dentes, ou diminuem o tempo que deixam lâmpadas acesas. Apenas isso.
    Aqueles que trocaram o carro pela bicicleta, ou trocaram a carne pela soja, devem ser 0,000001% da população.
    Os outros 99,999999% da população desejam comer mais carne e comprar um carro novo.
    Caminhamos celeremente para o aumento das catástrofes climáticas e também para o aumento dos conflitos gerados pela fome.

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