A economia verde e os gastos militares, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Ambientalismo & Pacifismo. Imagem Corbis

[EcoDebate] As Nações Unidas, por meio de seu Programa de Meio Ambiente (Pnuma ou Unep em inglês), divulgou, em fevereiro de 2011, o relatório “Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza”. Buscando discutir uma forma de garantir o crescimento econômico com a conservação ambiental e a inclusão social, o Pnuma propôs a efetivação de investimentos de 2% do PIB mundial – ou US$ 1,3 trilhão por ano – em dez setores estratégicos: agricultura, construção, energia, pesca, silvicultura, transportes, turismo, água, indústria e resíduos.

Segundo o Pnuma, os investimentos em “economia verde” possibilitariam o crescimento da economia global a níveis superiores ao promovido pelo atual modelo econômico, mas evitaria os riscos e os danos inerentes à “economia marron”, baseada em altas emissões de carbono e outros gases de efeito estufa. Dos 2% do PIB mundial propostos no relatório (ou seja, o valor de US$ 1,3 trilhão), os montantes investidos na transição para uma economia verde, por setor, seriam:

– US$ 108 bilhões para a agricultura;
– US$ 134 bilhões para o setor imobiliário, por meio da melhoria da eficiência energética;
– US$ 360 bilhões de dólares para o abastecimento de energia;
– US$ 110 bilhões para a pesca, incluindo a redução de capacidade das frotas mundiais;
– US$ 15 bilhões para a silvicultura, o que ajudaria também no combate às mudanças climáticas;
– US$ 75 bilhões para a indústria, incluindo a de produtos manufaturados;
– US$ 135 bilhões para o setor de turismo.
– US$ 190 bilhões para os transportes.
– US$ 110 bilhões para a gestão de resíduos, incluindo a reciclagem.
– US$ 100 bilhões para o setor da água, incluindo questões de saneamento.

Olhando estes números, a primeira questão que se coloca é: existe dinheiro para tanto?

Segundo dados divulgados, em 11 de abril de 2011, pelo Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), os gastos militares no mundo atingiu a impressionante cifra de US$ 1.630.000.000.000 (um trilhão e seiscentos e trinta bilhões de dólares), em 2010. Isto representou um aumento de 1,3% em termos reais em relação a 2009 e um aumento anual de 5,1% desde 2001. O maior aumento aconteceu nos Estados Unidos, seguido pela América Latina e o Oriente Médio. Na Europa houve redução de 2,8% nos gastos militares entre 2009 e 2010.

Portanto, existe dinheiro para que o mundo possa combater o aquecimento global, a redução da biodiversidade e a exclusão social. Utilizando 80% dos recursos anuais gastos em armas de destruição e de guerra, pode-se viabilizar a economia verde, que é o caminho para enfrentar os graves desafios ambientais contemporâneos. O mundo precisa reforçar o pacifismo e o ambientalismo. Existem recursos e conhecimentos técnicos suficientes. Falta vontade política para definir as prioridades.

Referências:
UNEP. Towards a Green Economy: Pathways to Sustainable Development and Poverty Eradication:

Background paper on SIPRI military expenditure data, 2010

José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; expressa seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

EcoDebate, 14/04/2011

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Um comentário em “A economia verde e os gastos militares, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

  1. muito bom,devemos preservar o meio ambient.para que possa,os usal-la como fonte de sustentebilidade,nao agredindo mais o meio ambiente

Comentários encerrados.

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