Estudo aponta agrotóxico em leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde, MT

Pesquisa em cidade de 45 mil habitantes do MT detecta presença da substância em amostras coletadas de 62 mulheres. Em algumas, havia até seis tipos do produto; toxicologista diz que contaminação põe em risco saúde de crianças

O leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde, cidade de 45 mil habitantes na região central de Mato Grosso, está contaminado por agrotóxicos, revela uma pesquisa da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). Reportagem de Natália Cancian e Marília Rocha, na Folha de S.Paulo.

Foram coletadas amostras de leite de 62 mulheres, 3 delas da zona rural, entre fevereiro e junho de 2010. O município é um dos principais produtores de grãos do MT.

A presença de agrotóxicos foi detectada em todas. Em algumas delas havia até seis tipos diferentes do produto.

Essas substâncias podem pôr em risco a saúde das crianças, diz o toxicologista Félix Reyes, da Unicamp. “Bebês em período de lactação são mais suscetíveis, pois sua defesa não está completamente desenvolvida.”

Ele ressalta, porém, que os efeitos dependem dos níveis ingeridos. A ingestão diária de leite não foi avaliada, então não é possível saber se a quantidade encontrada está acima do permitido por lei.

“A avaliação deve ser feita caso a caso, mas crianças não podem ser expostas a substâncias estranhas ao organismo”, diz Reyes.

A bióloga Danielly Palma, autora da pesquisa, afirma que a contaminação ocorre principalmente pela ingestão de alimentos contaminados, mas também por inalação e contato com a pele.

Entre os produtos encontrados há substâncias proibidas há mais de 20 anos.
O DDE, derivado do agrotóxico (DDT) proibido em 1998 por causar infertilidade masculina e abortos espontâneos, foi o mais encontrado.

MÁ-FORMAÇÃO
Das mães que participaram da pesquisa, 19% já sofreram abortos espontâneos em gestações anteriores. Também relataram má-formação fetal e câncer, mas não é possível afirmar se os casos são consequência da ingestão de agrotóxicos.

Mais de 5 milhões de litros de agrotóxicos foram utilizados no município em 2009, segundo a pesquisa.

Associação afirma que danos à saúde não são provados

DE SÃO PAULO

A Associação Nacional de Defesa Vegetal, representante dos produtores de agrotóxicos, diz desconhecer detalhes da pesquisa, mas ressalta que a avaliação de estudos toxicológicos é complexa.

Segundo a entidade, faltam estudos que comprovem prejuízos à saúde provocados por produtos usados adequadamente. “Não há evidências científicas de que, quando usados apropriadamente, os defensivos agrícolas causem efeito à saúde”.

A Secretaria de Saúde de Mato Grosso diz que problema semelhante foi detectado em uma pesquisa feita há cinco anos, quando multas foram aplicadas. O caso “não se tornou um problema de saúde” na época, diz a pasta.

O governo afirma que vai avaliar a situação atual.

EcoDebate, 24/03/2011

Nota do EcoDebate: Apesar da burocrática argumentação da Associação Nacional de Defesa Vegetal os casos de contaminação por agrotóxicos em Lucas do Rio Verde estão bem documentados, conforme podem ler na matéria “Campo Verde e Lucas do Rio Verde, MT: Agrotóxicos em amostras de ar, água da chuva, sangue e urina

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4 comentários em “Estudo aponta agrotóxico em leite materno de mulheres de Lucas do Rio Verde, MT

  1. Para emitir opinião fundamentada a respeito – contra ou a favor – é necessário conhecer a Pesquisa na íntegra. Do contrário, e é o que está ocorrendo, trata-se apenas de repetir noticiários que, não raro, vão tendo seu conteúdo maximixado, minimizado ou distorcido, conforme o interesse do leitor/replicador.
    Temos tentado obter o conteuda da Pesquisa na integra junto a UFMT, porém até agora sem sucesso (através do site daquela universidade – mensagens postadas).
    Se o ecodebate puder proporcionar aos seus assinantes o acesso àquele documento, seria de grande valia.
    atenciosamente
    eng. Agr. Eduardo Araujo

  2. No Brasil o ser humano sempre fica em ultimo plano, mesmo com leis ambientais e a constituição referente ao meio ambiente nos diz a desrespeito.

    Alem disso o PRINCIPIO DA PRECAUÇÃO é usado em muitos países quando existe alguma dúvida sobre os maleficios a saude humana e ao meio ambiente, que aqui no Brasil dificilmente é praticado. Só depois de alguma catástrofe ou vários casos de doenças e mortes que as “autoridades” resolvem tomas providências.

    Assim é impossivel nos tornarmos um país de primeiro mundo, seremos sempre brutos materialistas até um dia que não haverá mais flores…

  3. Qual seria o laboratório qualificado para análise dos agrotóxicos utilizados nas lavouras da soja como herbicidas e dessecantes? No caso específico: qual o conteudo de DIOXINAS na mixtura do Nufarm 2,4-D com o Roundup ou o Fusilade, ou o Paraquat? Estas mixturas estão sendo utilizadas nestes dias para secagem da soja antes da colheita. Será que alguém pode nos dizer quais e quantas DIOXINAS ficam nos grãos recolhidos e comercializados ( tambèm exportados)? Quais os controles que ANVISA faz a respeito disso? Padre Angelo Pansa-Delegado ICEF

  4. O problema dos agrotóxicos é muito sério e muito grave, faz muito tempo. Recomendo que quem tiver oportunidade leiam o livro “O Futuro Roubado”de Theo Colborn e outros. Nesse livro a autora relata diversos estudos de caso, mostrando as consequencias da poluição quimica para a saúde humana. Também recomendo acesso ao site http://www.nossofuturoroubado.com.br.

Comentários encerrados.

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