Olá Colegas DDA, Tudo ok? artigo de Américo Canhoto

[EcoDebate] Na qualidade de DDAH e Índigo dos anos cinqüenta consigo me colocar no lugar das pessoas de todas as idades que convivem com esse desafio, sofrimento, para entendê-las melhor.

Para os de antigamente era mais fácil, havia mais espaço, mais liberdade, menos informações e cobranças. Quando eu era garoto morando em Umuarama norte do Paraná, tudo era puro mato (puro em todos os sentidos) podia dar vazão á hiperatividade mental e motora inventando brincadeiras, subindo em árvores, nos muros e nos telhados á cata de frutas, pipas – eu era considerado um capetinha, bicho carpinteiro; um quase moleque de rua, pois Dona Palmira sabia me conter, estudava de manhã e á tarde na escola particular na casa da Dona Maria José, daí não sobrava muito tempo para as brincadeiras, caso contrário nem a pedagogia do chinelo funcionava para me segurar em casa ou nos livros.

Eu sempre fui um “tormento” para os professores, fazia tudo muito depressa e não dava “sossego” – até prejudiquei alguns amigos, pois fazia minhas lições de casa na sala de aula (Madre Maria Adelma descobriu e não saia do meu pé; ficava aquele ‘pingüim’ do meu lado o tempo todo, enquanto a turma copiava a lição da lousa), eu fingia (para nossos pais) que ia estudar com os meus vizinhos, na verdade praticamente fazia as lições deles para a gente ir brincar por mais tempo (pois as minhas já tinha feito na sala de aula).

Posso aquilatar o sofrimento das crianças de hoje, especialmente as criadas em regime de confinamento e engorda, com os dois anos de internato no Colégio Arquidiocesano em SP – para mim equivaleu a prisão perpétua sem ter cometido crime algum, mesmo com toda qualidade de ensino, atividades esportivas e disciplina, eu não tinha nada a ver com aquilo.

Muitas outras situações surgiram na minha vida nas quais costumo fazer analogias com as das pessoas que me procuram para ajudá-las nesse drama de viver a mil num mundo a jato, com Homeopatia, florais e muito bate papo.

Para quem não convive com esse drama em si e nos em torno, pode parecer algo fácil como prova de vida; mas não é – a começar pelo preconceito com seus rótulos; que o digam os “diferentes”: altos demais, baixos, gordos, negros, com orelhas salientes, etc.

Embora os sintomas variem quase ao infinito; pois cada um é cada um, alguns itens do protocolo que mostram as dificuldades a serem superadas por portadores do distúrbio (melhor sem a camisa de força dos remédios):

Problemas causados pela instabilidade psicomotora.

a) Transtornos da afetividade: essas pessoas apresentam um excesso de expressão nas emoções e uma ambivalência nas reações. Que se manifestam, por exemplo, por acessos de cólera que se transformam rapidamente em carícias, dores que aparecem e somem sem ajuda, tristeza que se transforma em repentina alegria.

b) Transtornos psicológicos: dependendo da idade, apresentam pouca tolerância à frustração, acessos de raiva nos quais agridem tudo que estiver à sua volta; até a si próprios, atirando-se ao chão puxando os próprios cabelos, denotam caráter dominador, são teimosos, insistentes em suas solicitações até á obstinação, apresentam instabilidade de humor, são impulsivos e impacientes e muitos denotam baixa auto-estima.

c) Transtornos de conduta: atos de indisciplina com arrependimento quase imediato, necessidade constante de mudanças e de movimentos, palavras e gestos entrecortados por outros.

d) Transtornos de sociabilidade: quase sempre são rejeitados por seus companheiros, desenvolvem relacionamentos complicados com a família e com os professores. As manifestações por impulsividade comportamental e cognitiva acarretam um desgaste emocional do indivíduo, bem como de seus familiares e educadores.

* Os sintomas são agravados:
Em situações que exigem atenção ou esforço mental constantes, ou mesmo naquelas que não possuem um apelo interessante como ouvir professores, realizar tarefas escolares, escutar ou ler materiais extensos ou trabalhar em tarefas monótonas e repetitivas; participar de reuniões sociais ou eventos religiosos que exijam concentração e silêncio.

Para um DDAH seja Índigo ou não, enquadrar-se em normas e protocolos (científicos ou posturais como sistema de crenças) é uma verdadeira tortura.

** Os sintomas são atenuados:
Algumas vezes os sinais podem ser atenuados ou estar ausentes quando o indivíduo se encontra sob controle rígido, em uma situação nova, em uma atividade muito interessante ou quando a atenção é dirigida a ele (como foi meu caso no internato).

Na maioria das vezes os sintomas atenuam-se de forma importante na adolescência e na idade adulta em função da necessidade de ser aceito e de sobreviver. Muitas vezes por contenção ou por terem sido bem cuidados na escola (como foi meu caso – tive a sorte de ótimos mentores professores – Dona Maria José que praticava o Islã e me alfabetizou; outra Dona Maria José que praticava o Judaísmo; as irmãs do Sagrado Coração de Jesus; Frei Cassiano da Ordem dos Franciscanos; Irmão Adriano dos Irmãos Maristas; meus seguintes Mestres que não davam importância a nada que não fosse material) – que tem uma importância capital na evolução do Distúrbio Evolutivo.

Origem do problema:
Sem dúvida ao nascimento a criança já traz consigo o gérmen do distúrbio, a tendência, a predisposição que pode ser desencadeada ou acentuada por fatores ambientais e sociais. Nota-se que o número de casos aumenta a cada dia em função de vários fatores ambientais como: o excesso de estímulos propiciado pela vida moderna pela mídia, pelos artefatos e brinquedos lúdicos altamente estimuladores com sons, cores; o despreparo dos pais já que até os dois anos de idade tudo que a criança faz é motivo de encantamento e de orgulho.

O conceito médico mais atual é o de que há uma imaturidade de algumas áreas do sistema nervoso central. Essas áreas são os centros cerebrais responsáveis pelos mecanismos de atenção e concentração, pela inibição dos impulsos e pela organização das funções motoras. Desse modo as vias que transmitem os sinais nervosos estão com os neurotransmissores desregulados dificultando a condução do estímulo.

Prognóstico.
A síndrome do Déficit de Atenção-Hiperatividade está diretamente relacionada à escola; pois é responsável, muitas vezes, pelo baixo rendimento escolar, ocasionando repetências e problemas de aprendizagem – ou em casos mais graves levar á marginalização. O comportamento desorganizado da criança leva muitas vezes à mudança de escola (ou de emprego); pois apesar de uma inteligência normal elas não são capazes de prestar atenção nas aulas (ou na tarefa de labor); com isso distraem também seus colegas de classe (ou do trabalho); tem dificuldades em fazer as lições de casa; pela dificuldade em manter a postura adequada logo se tornam impopulares e até rejeitados pelo grupo (ou ao contrário; depende do ambiente em que se encontrem).

Tais pessoas passam a ser rotuladas de endiabradas e desobedientes ou marginais, que necessitam de medicamentos e técnicas de memorização para que possam realizar as tarefas escolares ou de labor.

As escolas e as empresas, de maneira geral, lidam mal com o problema por desconhecimento deste transtorno, pelo cumprimento de suas normas de maneira rígida e pela falta de parceria com outros profissionais: psicopedagogos, psicólogos, estes profissionais deveriam obrigatoriamente acompanhar a evolução dessas crianças ou trabalhadores, orientando pais, educadores e DP de RH.

É necessário também que os profissionais conheçam as fases evolutivas da criança, adolescente e adulto para não confundir ataques de birra, negativismo, oposição, dificuldade de aceitar limites e outras características com o quadro de hiperatividade ou de falta de competência em se enquadrar.

É preciso também não confundir a SDAH com as pessoas com Q.I alto ou baixo podem se tornar desinteressadas ou desajustadas em sala de aula (local de trabalho) necessitando de outro tipo de abordagem.

A SDAH aparece antes dos sete anos de idade e não tem cura medicamentosa, costuma haver uma melhora do quadro à medida que a criança recebe a ajuda necessária e quando atinge a idade adulta. Porém muitos adultos são mais predispostos a transtornos da Ansiedade e distúrbios de personalidade, alterações de humor.

Na vida contemporânea mesmo quem não sofre de SDAH de forma catalogada e discriminatória; está sendo obrigado a se identificar como portador de TOC, Bipolaridade; tanto para sua paz pessoal quanto para conviver com os em torno, sem sofrimentos inúteis e desnecessários.

Ser índigo ou não na condição de DDAH traz vantagens e desvantagens. Na parte cognitiva estão em melhor situação, no que toca á parte emocional e afetiva o sofrimento é maior.

Ainda não é considerado doente psiquiátrico deste lado da vida?

Sorte sua; mas, não abuse dela; pois do outro lado a coisa é bem mais forte.

Espero que meus colegas DDAH de nascença; ou começando a serem rotulados pelo sistema, Índigos ou não; estejam levando a vida sem necessidade de drogas camisa de força.

Interagir é preciso – troquem vivências, experiências e aprendizado – para problemas desse tipo esse é um santo remédio…

Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Usa a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

* Colaboração de Américo Canhoto para o EcoDebate, 18/03/2011

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