O impacto ambiental da população e da economia de cinco paises, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O impacto ambiental da população e da economia de cinco paises, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] Nosso Planeta tem aproximadamente 13,4 bilhões de hectares de terra e água biologicamente produtivas disponíveis para serem utilizadas de maneira sustentável, segundo a Organização Global Footprint Network. A pegada ecológica média dos habitantes da Terra era de 2,7 hectares globais (gha), em 2007. Pressupondo que esta pegada tenha se mantido aproximadamente no mesmo nível nos 3 anos seguintes, podemos calcular, conforme a tabela 1, que a população mundial de 6,9 milhões de habitantes em 2010, utilizou 18,65 bilhões de gha, ou 39,2% a mais do que o Planeta possui de recursos sustentáveis.

Ou seja, a humanidade já ultrapassou os limites da sustentabilidade do Planeta. É como uma família que tira água cada vez mais funda na cisterna e enche a fossa de maneira rápida. A humanidade está agindo como uma família imprevidente e inconsequente que suga os recursos naturais e acumula todo tipo de dejetos em sua volta.

O mesmo acontece com China, Índia, Estados Unidos, Indonésia e Brasil, que são os cinco países mais populosos do mundo. Juntos eles possuíam, em 2010, 48% da população mundial, 43% do PIB (em poder de paridade de compra -ppp) e utilizavam 56% da área de terra e água biologicamente produtiva do Planeta.

A maior pegada ecológica per capita (8 gha) é dos Estados Unidos da América (EUA) que tinha, em 2010, 4,6% da população mundial, 19,76% do PIB mundial e utilizava o equivalente a 18,96% dos 13,4 bilhões de hectares globais disponíveis no mundo. Porém a China, com pegada ecológica per capita de “somente” (2,2 gha), possuía a maior pegada ecológica total, utilizando 2,98 bilhões de gha, o que representa 22,23% dos 13,4 bilhões de hectares globais disponíveis no mundo. O Brasil, com pegada ecológica per capita de 2,9 gha já utilizava uma área de 553,1 milhões de hectares globais, o que representa 4,13% dos 13,4 bilhões de hectares globais disponíveis. Ou seja, o Brasil já usa um percentual de hectares globais maior do que o tamanho de sua população ou de sua economia.

A Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo, possuía pegada per capita de 1,2 gha e ocupava 2,08% dos 13,4 bilhões de hectares globais disponíveis no mundo.

A Índia é atualmente o segundo país mais populoso do mundo, mas vai ultrapassar a China nos próximos 20 anos e deve chegar em 2050 com uma população de, no mínimo, 1,6 bilhão de habitantes. Mas a Índia é, entre os 5 maiores países, aquele que apresentou, em 2007, a menor pegada ecológica per capita (0,9 gha). Mas devido ao tamanho de sua população (de 1,2 bilhão, em 2010) apresentou um pegada total de 1,1 bilhão de gha, representando 8,16% dos 13,4 bilhões de hectares globais disponíveis no mundo.

O impacto global da Índia é bem menor do que o impacto dos Estados Unidos devido ao tamanho da economia. Ou dito de outra forma, a população dos EUA, mesmo sendo muito menor do que a da Índia, têm um consumo per capita muito maior. Portanto, o que mais polui e degrada o Planeta não é simplesmente o tamanho da população, mas o tamanho do consumo dos habitantes.

Porém, se a Índia tem atualmente uma baixa pegada ecológica per capita isto pode mudar nas décadas seguintes. Estudo da Pricewaterhousecoopers (2011) mostra que a Índia deve ser o segundo país do mundo em tamanho do PIB e deve ter uma renda per capita de US$ 27 mil (em poder de paridade de compra), em 2050. Esta renda é semelhante à renda média da União Europeia atualmente, que tem uma pegada ecológica per capita de 4,7 gha. Assim, se a Índia com uma população de 1,6 bilhão de habitantes, em 2050, atingir uma pegada ecológica de 4,7 gha, demandaria 7,5 bilhões de hectares globais. Ou seja, a Índia sozinha necessitaria de mais da metade da área disponível no mundo para sustetar sua população.

Ou seja, se as projeções de crescimento da população e da economia se confirmarem na primeira metade do século XXI o stress ecológico vai aumentar muito. Ou o mundo consegue uma maneira de reduzir a pegada ecológica ou vai caminhar para uma catástrofe ambiental sem precedentes.

Referência:
PWC. The World in 2050, London, 2011.

Fontes da tabela:

UN/ESA, The 2008 Revison:

IBGE, Censo 2010

FMI

Ecological Footprint

José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. As opiniões deste artigo são do autor e não refletem necessariamente aquelas da instituição.
E-mail: jed_alves{at}yahoo.com.br

EcoDebate, 16/02/2011

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