Fórum Social Mundial: articulando as resistências, artigo de Esther Vivas

Esther Vivas
Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais de la Universitat Pompeu Fabra en Barcelona, ativista e co-autora de livros como Del campo al plato (Icaria editorial, 2009) o Supermercados, no gracias (Icaria editorial, 2007), entre outros.

[EcoDebate] O processo de articulação de redes e movimentos sociais têm tomado toda sua forma na penúltima jornada do Fórum Social Mundial (FSM), nesta quinta, 10 de fevereiro. Assembléas temáticas de mulheres, campesinos, economia solidária, contra a guerra, por justiça climática, etc. Aconteceram, asim como a celebração de uma massiva Assembléia de Movimentos Sociais, onde convergiram os setores mais ativistas do FSM.

A Assembléia de Movimentos Sociais, promovida pela Vía Campesina, o CADTM, a Marcha Mundial de Mulheres, entre outros, aprovaram, em uma multitudinária assembléia com cerca de tres mil participantes, uma declaração em que insta a convergencia das lutas e a ação em duas datas centrais de mobilização para este ano de 2011. Por um lado, se aprovado o 20 de março como jornada internacional de solidaridade com os processos revolucionários no mundo árabe e, por outro, o 2 de outubro como dia de ação global contra o capitalismo.

Organizações e pessoas vindas de todo o planeta se encontraram nesta assembléia que deu voz aos sem voz. Não foi em vão que os primeiros a intervir no encontro tenham sido os membros do grupo de hip hop senegalês Keurgui e o rapero Fou Malade, quem abriu a assembléia com as canções de protesto ‘Que Dívida?’ e ‘Mantenham as mãos no alto’. Membros e represtantes da revolta tunisiana, da rede pela abolição da dívida externa, do movimento campesino, sindicalistas, feministas, entre muitos outros, tomaram a palavra para dizer de forma clara e forte que é necessário combater e derrubar o sistema capitalista.

A declaração da Assembléia de Movimentos Sociais denunciou a guerra, as políticas das instituições internacionais e as empresas transnacionais, a violencia exercida contra as mulheres, a dívida externa, a mudança climática, a crise alimentar, o imperialismo e fez um chamamento para a ação. Asim ficou claro no siguinte fragmento da declaração: “O capitalismo destrói a vida cotidiana dos povos. Mas, cada dia nascem numerosas lutas pela justiça social, para eliminar os estragos do colonialismo e para que todas e todos tenhamos uma vida digna”.

Asim mesmo as duas últimas jornadas do Fórum Social Mundial foi dedicada a coordenação das lutas e as campanhas. Um total de 38 assembléias de convergência foram realizadas nestes dias. Uma das mais numerosas foi aquela com nome de ‘Mapa de lutas: de COP 17 a Río +20’ que estabeleceu um calendário que vai da cúpula do clima COP17 em Durban no final de 2011 até a cúpula do Río +20 em meados de 2012, convocando, antes ou entre ambas datas e com o objetivo de mobilizar, uma 2a Conferencia Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mão Terra, como continuação da que aconteceu em Cochabamba, e um Fórum Social Mundial Temático no Brasil em janeiro de 2012 sobre estas questões . Como dizia um dos participantes nesta Assembléia: “Se Copenhague foi uma tragédia, Cancún foi uma traição; mas temos quinze meses para mover-nos de Durban ao Río, para sair as ruas e dizer-lhes na cara que sabemos o que estão fazendo”.

* Esther Vivas desde Dakar.

** Esther Vivas é colaboradora e articulista internacional do Portal EcoDebate.

*** Tradução Português: Paulo Marques

EcoDebate, 14/02/2011

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