UnB: Ciência e tradição unem-se contra usina de Belo Monte

Índios e especialistas discutem impactos ambientais e sociais da usina. Abaixo-assinado com mais de 500 mil assinaturas será entregue para a presidente Dilma amanhã (8/2).

A maloca moderna pensada por Darcy Ribeiro transformou-se em um parlatório do movimento indígena contra a construção da usina de Belo Monte, nesta segunda-feira, 7 de fevereiro. Kaiapós, jurunas, araras, terenas, tukanos, macuxis, guajararás e kaigongs uniram-se em coro para mostrar aos brancos o temor que a construção das barragens ao longo do rio Xingu provoca. Índios, autoridades, especialistas e ativistas levarão até o Congresso Nacional um abaixo-assinado com mais de 500 mil assinaturas contra a construção da hidrelétrica nesta terça.

“Se a Belo Monte for construída, os indígenas e as florestas serão prejudicados. Não estamos acostumados a criar bichos. Comemos o que há na mata”, disse Raoni Metyktire, líder kaiapó. Além da preocupação com a alimentação, o cacique reforça outro problema: a falta de terras. “Não tem mais espaço. Vocês já ocuparam tudo”, afirmou Raoni. Ele estava na plateia, mas foi convidado pelo diretor do Instituto de Ciências Sociais, Gustavo Lins Ribeiro, para se sentar na mesa de debates.

Gustavo Lins disse que é preciso mudar o conceito de desenvolvimento. “A concepção de desenvolvimento do branco é diferente do índio. Quem fica com o prejuízo são os indígenas e os povos locais”, afirmou. Segundo ele, os bilhões que serão gastos para fortalecer grandes companhias não bastam para amenizar os danos causados aos povos locais.

A usina de Belo Monte será construída no baixo rio Xingu, localizado no estado do Pará. A polêmica em torno da construção existe há mais de 20 anos. Mas foi intensificada em fevereiro de 2010, quando o Ministério do Meio Ambiente concedeu licença ambiental para a obra. Muitos movimentos sociais e principalmente indígenas são contrários à obra em razão dos danos sociais e ambientais e do desalojamento de comunidades nativas.

Alexandra Martins/UnB Agência
A comunidade acadêmica e grupos indígenas lotaram o Beijódromo no primeiro dia de seminário.

Raoni mostrou indignação com o governo Lula. “O antigo presidente (FHC) não era assim. JK não era assim. Sarney não era assim. Itamar Franco não era assim”, comparou. “Hoje o Lula defende o PAC. Nós já falamos que a Dilma, a Eletronorte ou a Eletrobrás podem encher aquele lugar de dinheiro. Mas não vamos aceitar esse dinheiro, que vai pagar a inundação do nosso lugar”, completou Megaron Txukarramãe.

Antônia Melo, presidente do Movimento Xingu Vivo, aproveitou a ocasião e fez um chamado para que a sociedade se organize e vá para as ruas. “Não temos força política para brigar. Todo Congresso é a favor desse projeto de morte e destruição”. A ativista também disse ter-se decepcionado com o ex-presidente. “Lula não honrou sua palavra. Ele nos prometeu que não iria nos enfiar Belo Monte guela a baixo”, contou.

O antropólogo Ricardo Verdum, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), acredita que outras formas de geração de energia deveriam ser cogitadas pelo governo. “Existem alternativas eólicas e solares que podem suprir essa necessidade com baixo custo. O Brasil possui condições técnicas para fazer esse serviço de outra maneira”. O antropólogo afirma que é preciso criar um grupo de trabalho que posso estudar novas alternativas para geração de energia. “Sempre é possível inverter uma decisão política”, acredita.

Além da população indígena, a construção da usina pode desabrigar ribeirinhos e produtores agrícolas. Mário da Silva, 24 anos, nasceu em Altamira e herdou do pai a profissão. O plantio de arroz, milho e mandioca é o que garante a subsistência de sua família. “Plantamos para comer e vender. Para onde seremos deslocados? Ninguém sabe. Por isso, não aceitamos a hidrelétrica”.

Durante a abertura do seminário Perspectivas sobre Belo Monte, o reitor José Geraldo de Sousa Junior afirmou que a UnB foi criada para abrigar debates como esse. “A Universidade de Brasília sente-se fiel a sua missão quando abre espaço para um discussão como essa. Somos assim, um lugar onde há o cruzamento de todos os modos de interpretar o mundo”.

As discussões continuam nesta tarde com a mesa Problemas e Dilemas, que será coordenada pela presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Bela Feldman-Bianco.

Reportagem de Thássia Alves, da Secretaria de Comunicação da UnB, publicada pelo EcoDebate, 09/02/2011

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2 comentários em “UnB: Ciência e tradição unem-se contra usina de Belo Monte

  1. Só vem a mim, e para a população, promessas!
    Os procedimentos da maioria dos políticos brasileiros, esta sendo uma afronta, para com a justiça, para com a democracia, “para a ordem e progresso”, com a qual, nós patriotas contávamos e acreditávamos!
    À custa do povo; esta sendo construída uma usina em Belos Monte, na Bacia do Rio Xingu:
    > vejam>>. http://www.socioambiental.org/inst/brsa/index.html
    E com bons modos e boas propostas, já expulsaram daquela localidade vários moradores!
    Mas poucos sabem que: Alguns nativos daquela região, após saírem de suas terras, sobrevivem desiludidos e abandonados à própria sorte, pintando a realidade com as cores da ingenuidade.
    E os responsáveis por este quadro, tentam convencer a população, que o desenvolvimento continua…
    Desenvolvimento de quem, se progresso vem sempre desordenado trazendo estruturas sociais enganosas e injustas, fazendo proliferar o numero de miseráveis, despreparados, famintos e indigentes?
    Deixem os índios em paz; afinal eles são os verdadeiros donos da terra!
    Ou depois de tomarem suas terras, e torná-los um bando de mendigos, vão lhes pedir perdão, como costumam fazer aos nossos irmãos, que tiveram seus antepassados escravizados?
    Acham que desculpa resolvera o problema do aumento da violência, e da mendicância horrorosa que estão criando com suas ganâncias?
    A história já nos mostrou que:
    Estes são comportamentos de crápulas e bandidos, espertalhões, que estão desrespeitando a natureza e os menos favorecidos, visando mais uma vez, somente às vantagens pessoais!
    Melhor refletir, antes de cometerem mais este crime contra o patrimônio Nacional, contra a população indígena e a natureza! Pois tais comportamentos, nada têm de justiça, muito menos de cidadania e fraternidade!
    Para que o povo saiba: Nossa ultima alternativa foi, usarmos o bom senso, e o que sabemos de suas maracutaias políticas, para combatê-los, apresentando evidencias dos fatos, desmascarando-os, com a verdade nítida!
    Mas não esta sendo possível debater, pois mesmo tendo argumentos sérios e convincentes, eles continuam usando as verbas dos nossos impostos, para se idolatrarem e distorcer fatos verídicos, enquanto continuam rindo e fazendo chacotas, com os anseios da população!
    Talvez; esperem que rejeitemos as bases fundamentais da democracia, da justiça e de nossa convicção; para que eles continuem destruindo a natureza, nos enganando, e nos roubando, sempre acobertados pela lei de “imunidade”!
    Minha sugestão é estudar uma forma, de fazermos um abaixo assinado, e dar um basta, ou seja; dar um fim nesta lei de “imunidade”!
    Ou então a frase: Ordem e progresso, na Bandeira Nacional; estará mais para: Ordens para os humildes, e progresso aos poderosos!
    Resolvi fazer um apelo aos colegas, para divulgarmos estes fatos!
    O texto é de minha autoria, mas pertence a todo aquele, que luta por justiça e pela preservação da natureza, na esperança de dar um mundo melhor aos seus descendentes!

    O desmatamento da Amazônia, não pode continuar!

    Leia, O Massacre da Máfia no Amazonas!

    Abra sua boca a favor do mudo, pelo direito de todos que perecem!

    Provérbios; Rei Lemuel

  2. Decadentes devaneios, é o resumo da obra: O Massacre da Máfia no Amazonas!

    Canta, canta uirapuru.
    Desperte com seu cantar, um país jovem varonil.
    Que crê na ordem e progresso, e tem o nome de Brasil.
    Nascer, crescer, semear fraternidade, paz e amor.
    Todo dia, é dia de ser feliz, amem…

    Uma infância inocente, um coração pulsando forte.
    Entre sonhos e devaneios, festas e fantasias.
    O uirapuru nos alegrava, com os gorjeios do seu cantar.
    E no riacho cristalino, fazíamos festas a nadar.

    Mas nossos antepassados acreditaram em acordos, para nossa conveniência.
    Não se falava em maldade, e o bem era definido.
    Criamos um elo e manietemos a nós mesmos.
    Ao nos vermos subjugados, aceitamos tais imposições.
    Muitos tentaram quebrar estes elos.
    Buscavam liberdade e independência.

    E mesmo num clima conturbado.
    O uirapuru cantava triste e distante.
    Mas o riacho ainda era cristalino, transparente e borbulhante.
    Impossibilitados de preservá-lo, como parte da natureza.
    Alguns Chicos sucumbiram, pagando altos preços.
    Outros Mendes, cheios de fé e esperanças, logo as perderam.
    Caminhos violentos e tortuosos dobraram suas vontades.

    E o uirapuru já não existe. Ou se existe está sumido.
    E os riachos cristalinos, tornaram-se córregos poluídos.

    Tiranos que se impuseram, através de suas fórmulas.
    Mais tarde também serão, vítimas do que semeiam.
    Em suas sementes contêm, ambição ao poder.
    Intenção de possuir, se apossar e escravizar.
    Tanta voracidade…! Por pura vaidade! Que pena…! Tudo ilusão!
    Como crianças gananciosas, se tornaram insaciáveis.
    E mesmo com a boca cheia, e as mãos abarrotadas das melhores porções.
    Ainda têm olhos compridos, nas migalhas dos semelhantes.
    É humilhante, e me revolta. O tempo passa indiferente…

    Crianças se tornam adultas, em meio à violência.
    Esperam a qualquer momento, que marginaizinhos.
    Criados pelo sistema, lhes de um tiro… Melhor assim.
    A conviver com a fobia, de se tornarem velhos e decrépitos solitários.
    Abandonados no mundo, sem amor, sem esperanças e sem fé no futuro.
    Os que acreditaram, estão tendo decepções.
    O sistema castrou seus sonhos, e a muitos assassinou.

    E do uirapuru, já não se ouve mais o cantar.
    E no riacho cristalino, não é possível mais nadar.

    Mas surgem novas vidas.
    E as esperanças se renovam, em corações puros e inocentes.

    Mas o cantar do uirapuru, eles não mais ouvirão.
    Nem poderão dar um mergulho, no poluído ribeirão.

    Cabia a nós. Chinfrins pentacampeões do mundo.
    Por questões de ética e justiça.
    Discordar da política do pão e circo.
    E entregar aos nossos descendentes, tudo o que herdamos.
    Senão melhor, nas mesmas condições que encontramos.

    Eu tenho pátria, e a pátria é mãe de um povo.
    Mas tem filhos que são da pátria.
    E tem filhos que são da P…
    Confundindo patriotas com idiotas.

    O desabafo acalenta e acalma as aflições da dor doida que dói na alma.

    A mente contaminada pela ilusão material, é um solo fértil, onde germina a semente do engodo, da ganância e injustiça; que são os alicerces de destruição da humanidade.

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