Memória: Principais reuniões ambientais em 2008, artigo de Maurício Gomide Martins

[EcoDebate] Realizou-se em 2008, em Foz do Iguaçu, uma conferência internacional para debater o problema ambiental. Muitos discursos, onde foram louvados os desenvolvimentos sustentáveis e nada de concreto foi realizado. Participaram pessoas sem qualquer poder de decisão. Mas foi marcado novo encontro para o ano 2009 que também nada decidiu, mas empurrado para 2010.

Ainda naquele ano, realizou-se outra conferência internacional em Belo Horizonte intitulada “Diálogos da Terra”, com apoio e patrocínio do governo mineiro e grandes empresas, as quais foram homenageadas por adotarem comportamentos sustentáveis. Eu compareci a essas reuniões nos três dias em que durou.

Ouvimos belos discursos, recheados de intenções, e mútuos elogios. Não houve diálogos com a Terra; apenas monólogos entre os predadores da Terra. Fazendo uma pequena e incisiva intervenção numa das comissões, me propus a falar em nome da Terra para que houvesse, realmente, um diálogo. Terminei minhas palavras (as da Terra), dizendo: “Preciso urgente de um governo mundial para cuidar da minha saúde. É inócua a existência de 176 governos que não cuidam de mim; só me dilaceram.”

No torvelinho das conveniências dos poderosos – lado político e lado econômico – o pedido da Terra ficou ignorado ante a necessidade de se enganarem uns aos outros. No final, publicaram a “Carta de Minas Gerais” dirigida à próxima conferência da espécie, realizada em Istambul que também não fez diálogo algum com a Terra, e o assunto por si se dissolveu.

Na carta, na qual se exercita o malabarismo verbal, distribuindo loas a todas as boas intenções, a expressão “desenvolvimento sustentável” é citada nove vezes, “sustentabilidade” referida duas vezes, “sustentável” também duas vezes e “sustentáveis” uma vez. É um primor do faz-de-conta o parágrafo final dessa carta: “… que o sonho de um desenvolvimento sustentável, economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente equilibrado, se faz realidade se continuarmos unidos pelo diálogo, e fortalecidos pela certeza de que é possível mudar, cada um fazendo a sua parte, e acabando com a cultura de esperar que os outros e o governo façam por nós”. Participaram da reunião pessoas sem qualquer poder de decisão mundial.

Realizou-se ainda em 2008 em Poznan a 14ª. (!!) reunião promovida pela ONU para discutir os assuntos climáticos mundiais, fundados na proposta conhecida como 20-20-20. Resultado: ficou tudo como está. O acordo prático é o seguinte: redução de 20% na emissão de CO2 com base nos níveis de 1990 (!!). Ora, isso equivale a zero, como temos visto até aqui. Estamos em 2011, e a poluição do planeta continua a pleno vapor.

As discussões em Poznan puseram em evidência que “qualquer ação concreta em favor do meio ambiente equivale a prejudicar os objetivos empresariais.” Mas é lógico! Pois as atividades econômicas são a causa do malefício ambiental! A solução foi a de sempre: adiaram para 2009, cujo pináculo foi a teatral COP 15 e a fúnebre COP 16 em 2010. E vão adiar até a eternidade.

Nessas reuniões, mormente na COP 15, muita discussão, inclusive troca de confetes pela qual o Brasil foi elogiado por medidas ecológicas, o que deve ter enchido de vento o ego do representante brasileiro. Nós aqui do Brasil sabemos da verdadeira natureza desses elogios: desmate acelerado, agora sem multa, tudo livre… Outras medidas paradoxais: O presidente falastrão, fazendo grande campanha, incentivando e financiando, para que o povo “consuma e consuma mais. É a hora de consumir.” (Oh, Deus, perdoai-lhe porque não sabe o que faz.) Será que não sabe? Sabe, sim!

Em abril de 2008, o presidente dos EE.UU convocou os presidentes dos principais paises, para uma reunião sobre meio ambiente. Única decisão: por sugestão do Sr. Lula, haveria nova reunião no ano seguinte, no Brasil, para tratar do mesmo problema. Parece que esse compromisso virou vento; não se falou mais nisso.

Não vamos indicar, especificamente, mas estão sendo realizadas conferências sobre o problema climático em diversos países, sempre ADIANDO conclusões para a próxima reunião. E sempre por pessoas que não têm nenhum poder decisório.

Na cabeça dos ricos empresariais, que são representados pela instituição chamada “governo”, deve ocorrer o mesmo que se passa com as pessoas que têm uma vida muito abastada e confortável, mas com sinais de doença grave: vão adiando a consulta ao médico, adiando exames de laboratórios, adiando procedimentos preventivos, adiando pensar na doença, porque assim prolongam o tempo da boa vivência. Depois… bem, depois…

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

EcoDebate, 09/02/2011


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