SOS Mata Atlântica: Qualidade da água de rios paulistas é regular

Os três rios paulistas incluídos no estudo da organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica sobre a qualidade das fontes de água do país tiveram o nível de qualidade de suas águas classificado como regular. De acordo com Vinicius Damazio, geógrafo da ONG, o nível regular significa que a qualidade da água, na verdade, é “sofrível, longe de estar bom [o nível de qualidade]”.

Foi nessa situação que os pesquisadores encontraram as águas do Rio Tietê, na altura de Mogi das Cruzes; do Paraíba do Sul, na região de São José dos Campos; e da nascente do Rio Bussocaba, em Osasco. Segundo Madazio, “de forma genérica”, a maior parte dos rios e córregos de São Paulo está em situação semelhante.

As análises mostram, de acordo com o geógrafo, que a maior parte da poluição é causada pelo lançamento de esgoto e de vestígios da adubação química usada nas lavouras. Ele disse que, embora o quadro seja preocupante, os grandes investimentos em saneamento têm colaborado para a melhora desse cenário nos nos últimos anos.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por exemplo, já investiu US$ 2,1 bilhões desde 1992 no projeto de despoluição da Bacia do Tietê, segundo informações da Secretaria de Estado de Saneamento e Energia. O dinheiro fui usado na construção de estações de tratamento de esgoto e na ampliação da rede de coleta. Até 2015, a previsão é que sejam investidos mais US$ 1,05 bilhão para elevar a coleta de esgoto dos atuais 85% das residências para 87% e o índice de tratamento de 72% para 84%.

Madazio ressalta, no entanto, que nas cidades que não recebem os serviços da Sabesp os investimentos não costumam ser tão expressivos. “Onde a Sabesp não atua, os municípios são responsáveis”. Segundo ele, a atuação da própria companhia fora da região metropolitana da capital não parece ser tão eficiente. “Ela atua com muito mais firmeza na região metropolitana do que no interior do estado”.

Além disso, o especialista chama atenção para a chamada “poluição difusa”, gerada principalmente pelo lixo das ruas que é levado pelas chuvas. De acordo com ele, esse tipo de contaminação é responsável por cerca de 30% da sujeira nos corpos de água.

“Evitar essa poluição depende muito dos cidadãos”, diz o geógrafo. Por isso, ele defende a importância de ações de sensibilização da população. Para ele, uma medida positiva seria o Poder Público conceder incentivos para que as pessoas conectem suas residências à rede de esgotos.

Reportagem de Daniel Mello, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 10/01/2011


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