Operação do Ibama multa em R$ 5,1 mi desmates e fraudes em madeireiras no Pará

O Ibama identificou mais quatro empresas envolvidas com a venda irregular de madeira amazônica, desta vez, na região de Dom Eliseu, no nordeste do Pará. As madeireiras foram vistoriadas no período de 10 a 19/11, durante a operação Gurupi, quando se comprovou o esquema que servia, entre outros crimes, para esquentar madeira de desmatamento.

Todas foram autuadas pela quantidade de produto ilegal acobertado e por fraudar o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), que controla a compra e venda de produtos da floresta no estado. Além de multadas em R$ 1,6 milhão, as madeireiras terão bloqueados seus acessos ao Sisflora e não poderão mais negociar produtos florestais.

“Apesar das licenças ambientais expedidas pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, as empresas não operavam de fato. Serviam apenas de fachada para esquentar madeira sem origem legal ”, explica Norberto Neves de Souza, coordenador da operação Gurupi.

Na Forte Madeiras, onde houve a maior fraude, os fiscais flagraram o galpão vazio, sem indícios de movimentação ou armazenagem de produto. Apesar de nunca ter iniciado as atividades, a empresa tinha no momento da fiscalização saldo no Sisflora de 2,5 mil m³ de produto em tora e serrado. Para cada crédito de madeira existente no sistema de controle estadual, deveria haver o correspondente em madeira no pátio.

“A madeireira comprou os créditos de outras firmas envolvidas neste esquema. Na verdade, eram apenas virtuais, e seriam utilizados para emitir as guias florestais que esquentariam a madeira ilegal adquirida a baixo custo. Aproximadamente 125 caminhões cheios de produtos florestais sem origem regular seriam acobertados só nesta operação”, diz Norberto Neves.

Todas as empresas envolvidas em transações suspeitas com as madeireiras autuadas serão investigadas pela operação Caça Fantasma do Ibama, que, desde janeiro de 2009, fiscaliza as operações irregulares de compra e venda de madeira realizadas por meio do Sisflora, no Pará.

Autos por desmates ilegais

A operação Gurupi também aplicou mais R$ 3,5 milhões em multas por desmatamentos ilegais e pela produção ilegal de carvão. No total, já foram apreendidos dois tratores, um caminhão, três motosserras, 770 m3 de madeira em tora, 113 m3 do produto serrado, 129 mdc de carvão, além de terem sido embargados cerca de 600 hectares de áreas irregularmente desflorestadas em Dom Eliseu e Ulianópolis.

Texto de Nelson Feitosa, Ascom Ibama/PA, publicado pelo EcoDebate, 29/11/2010

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