(Governo) Para todos, artigo de Montserrat Martins

[EcoDebate] Estamos todos “vacinados” contra promessas políticas e por isso o ceticismo é mais do que normal. Assim como alguma esperança, que como diz o ditado “é a última que morre”. Eu, pessoalmente, me sinto feliz por conviver em um meio familiar e social repleto de diversidades “ideológicas”, quer dizer, costumo ouvir todo o tipo de opiniões sobre nossos governantes – muitas vezes, simultaneamente.

O discurso da presidente eleita, por exemplo, já ao final daquela noite, ouvi num desses ambientes de diversidade. Discurso muito bem escrito, diga-se desde logo. Que ouvi provocar reações que vão desde o ceticismo mais irônico de que “não foi ela quem escreveu”, até o elogio (que denota esperança) de que “ela está dizendo as coisas certas”.

Décadas atrás ficou famosa a personagem “velhinha de Taubaté”, do Luís Fernando Veríssimo, que na época era “a última pessoa que acreditava no governo” (os tempos mudaram, hoje são mais de oitenta por cento). A velhinha via algum aspecto positivo em cada atitude ou declaração do Presidente, acreditava sempre nas versões oficiais dos fatos e nas suas boas intenções. Uma versão política de outra personagem da literatura (mais antiga ainda), Poliana, que fazia o “jogo do contente” para buscar o “lado bom” de tudo o que acontecia, mesmo das piores coisas.

Os céticos tem razão em muitas coisas, mas ainda prefiro o discurso de quem assume prometendo governar “para todos” do que a outra alternativa possível, que seria um discurso com farpas contra as oposições. Porque, afinal, se o discurso não for cumprido, dele se poderá cobrar o cumprimento – mas o que teríamos a fazer se essa meta elevada não estivesse sequer entre as promessas ?

Se parece pouco para você, para mim já é um sinal de alento, de que a democracia brasileira se mostra mais evoluída que os discursos populistas e conflitivos, por exemplo, do chavismo. E isso não por falta de adeptos dessa linha no nosso país, mas por prevalecer, acima disso, o bom senso de quem promete governar “para todos”.

Montserrat Martins, Psiquiatra, é articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 08/11/2010


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