Com mais de 1 milhão de moradores, favelas do Rio mostram importância social e econômica

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Mais de 1 milhão de moradores vivem em 1.020 favelas na cidade do Rio de Janeiro, de acordo com o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. Lugares associados quase sempre à violência, as favelas fazem como vítimas da insegurança seus próprios moradores, conforme registrou o coordenador-geral da organização não governamental (ONG) Observatório de Favelas, Jaílson de Souza, em seminário na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O evento marcou o Dia da Favela, comemorado ontem (4).

Souza reconheceu que a presença de grupos criminosos causa grande sensação de insegurança na cidade, mas disse que não se pode esquecer que os moradores das favelas são os mais prejudicados. “O desafio é romper com as representações tradicionais e, ao mesmo tempo, construir políticas. A UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] é o primeiro passo nessa direção”, observou.

Para o coordenador do Observatório de Favelas, com políticas integradas ao campo social, é possível construir uma cidade integrada e fazer com que a favela apareça no imaginário popular com imagem positiva.

O Dia da Favela foi criado em 2006, a partir da Lei Municipal 4.383, que busca um novo olhar para esses lugares, resgatando a autoestima e a cidadania de seus moradores. Em comemoração, a Central Única de Favelas (Cufa), em parceria com a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, realiza hoje uma série de atividades culturais na cidade do Rio.

No Largo da Carioca, por exemplo, foi montado um monumento de plástico resistente com as palavras “Favela” e “Rio”, unidas por um coração. Nele, as pessoas podem escrever o que pensam sobre a favela. A escultura tem 18 metros de comprimento e 3 metros de altura e vai ficar no local até o dia 10 de novembro, quando será entregue uma premiação para alunos de 151 escolas municipais que estão fazendo uma redação sobre o sentimento de morar nas favelas.

No seminário, na UFRJ, onde se discutiu os problemas e as transformações das comunidades, analisando ações que promovem a integração com a cidade, também esteve o comandante-geral das unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), coronel Robson Rodrigues. Para ele, as UPPs estão ajudando as comunidades a ter o sentimento de cidadania resgatado, já que os moradores são atendidos em termos de segurança como em qualquer outro lugar. Ele ressaltou a importância do Estado ocupar os espaços nas favelas até então sob o domínio do tráfico de drogas.

“É um prazer com essas 12 UPPs possibilitar que o Estado faça o seu serviço qualificado de segurança, proporcionando que outros serviços públicos entrem [na favela], sem a desculpa de que aquele território é perigoso e que não podem chegar ali os serviços e a solidariedade. É fundamental que a polícia assuma seu papel”, disse Rodrigues.

Na inauguração da escultura montada no Largo da Carioca, a cantora de rap Nega Gizza, uma das fundadoras da Cufa, destacou que a favela tem recebido ações positivas, mas ainda tem muitos problemas. “O Dia da Favela é para a gente repensar e ver o que nós queremos, qual a nossa perspectiva para o futuro da favela, o que nós favelados queremos de mudança. Hoje, a favela faz uma grande reflexão e, além de tudo, eleva a autoestima. Precisamos ter orgulho e nos sentirmos parte da sociedade”.

Nega Gizza também destacou que os problemas não serão sanados de uma hora para outra e as soluções devem ser buscadas em conjunto “porque se trata de algo que é do interesse de todos”. Segundo ela, a favela manda todos os dias pessoas para a cidade “servindo de mão de obra pesada” que construiu e mantém de pé o país. A oportunidade das pessoas se qualificarem e terem acesso à cultura é a revolução que a favela precisa, na opinião da rapper.

Reportagem da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 05/11/2010

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