Depois das eleições, artigo de Antonio Silvio Hendges

[EcoDebate] Com o fim das macro mobilizações relacionadas às eleições/2010 para os executivos e legislativos estaduais e federais do país, é indispensável que os municípios retomem novamente as suas ações protagonistas locais, buscando através das representações políticas eleitas a reafirmação de reivindicações específicas ou gerais que fortaleçam as cidades e regiões como pólos dos desenvolvimentos econômicos, sociais e culturais diretamente relacionados com o cotidiano de seus cidadãos e usuários de seus serviços públicos.

O protagonismo emergente dos municípios, comunidades e populações locais é uma tendência que ganha força e espaços políticos importantes, deslocando os centros de poder e execução de políticas públicas para espaços próximos às pessoas, diretamente relacionados com as atividades e necessidades das populações, possibilitando que ações locais, moleculares e descentralizadas sejam reconhecidas como alternativas concretas de participação e construção da cidadania.

O agir coletivo local tem uma capacidade de intervenção global que seguramente pode impulsionar a construção de alternativas e soluções concretas para diversos problemas gerais da sociedade, como a participação popular e a construção direta da cidadania, desenvolvimento econômico e social, preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, planejamento urbano e muitos outros.

A descentralização administrativa e a valorização das dimensões locais certamente não estão livres de conflitos políticos e fiscais com os poderes centrais, que na definição do liberal inglês Samuel Johnson “é grande demais para fazer as coisas pequenas e pequeno demais para fazer as coisas grandes.” Com o fortalecimento das ações e métodos administrativos locais é indispensável que as representações políticas sejam intermediárias qualificadas entre os poderes públicos centrais, os municípios e os cidadãos, garantindo um fluxo de informações, projetos e recursos que viabilizem a afirmação de comunidades e sujeitos participativos e autônomos. Neste aspecto, uma reforma política que valorize a participação local como o voto distrital misto e o sistema de listas eleitorais podem auxiliar na consolidação de lideranças políticas comprometidas.

Esta descentralização não se traduz em isolamento ou na busca individual de soluções. As comunidades e cidadãos necessitam estar integrados em redes múltiplas e interdependentes que busquem trocar experiências e construir no cotidiano as alternativas relacionadas com a educação, segurança pública, saúde, desenvolvimento econômico, geração de trabalho e renda, participação popular e muitos outros temas que são indispensáveis para a qualidade de vida individual e coletiva. Depois das eleições a luta pela afirmação da cidadania precisa se fortalecer e avançar rumo ao futuro.

Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de biologia e agente educacional no RS. Representante Em Evidência. Email: as.hendges{at}gmail.com

EcoDebate, 04/11/2010


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