Pinheiro Brasileiro: Guia de Plantio, artigo de Antonio Silvio Hendges

Pinho, pinheiro-do-paraná, pinheiro-brasileiro, pinheiro-caiová, pinheiro-das-missões, pinheiro-são-josé, são algumas das denominações pelas quais o pinheiro é conhecido, sendo seu nome científico Araucaria angustifolia, pertence a família Araucariaceae. Informação e imagem da Secretaria de Estado da Cultura - SEEC/PR
Pinho, pinheiro-do-paraná, pinheiro-brasileiro, pinheiro-caiová, pinheiro-das-missões, pinheiro-são-josé, são algumas das denominações pelas quais o pinheiro é conhecido, sendo seu nome científico Araucaria angustifolia, pertence a família Araucariaceae. Informação e imagem da Secretaria de Estado da Cultura – SEEC/PR

[EcoDebate] O pinheiro brasileiro, pinheiro do Paraná ou Araucaria angustifolia é uma conífera das regiões temperadas do sul do Brasil e a principal espécie vegetal do ecossistema conhecido como florestas de araucárias. Os frutos de suas pinhas, os pinhões, são utilizados como alimentos para os seres humanos e várias espécies da fauna silvestre. Esta formação específica da Mata Atlântica já foi dominante em 40% do PR, 30% em SC e boa parte do RS. Embora seja a única espécie de pinheiro do Brasil, as formações originais estão fragmentadas e reduzidas a menos de 1%, com aproximadamente 150.000 hectares em áreas protegidas.

Há pesquisas que procuram unir alguns fragmentos possibilitando a formação de corredores de biodiversidade e a circulação de animais polinizadores, permitindo a troca genética das espécies vegetais e dos próprios animais típicos deste ecossistema. Quase todas as espécies animais com seus nichos ecológicos e ciclos de reprodução associados a esta formação vegetal estão ameaçados de extinção. A fauna das florestas de araucárias é composta principalmente de aves como os papagaios de peito roxo, gralhas azuis, periquitos e mamíferos como jaguatiricas, onças pardas, ouriços e tatus. Todos estão seriamente ameaçados de extinção, assim como várias espécies vegetais típicas desta formação, incluindo-se as próprias araucárias.

O pinheiro brasileiro é uma espécie de fácil propagação, com capacidade de germinação das sementes de até 90% em pinhões novos, diminuindo gradualmente entre 60 e 120 dias. As sementes para reprodução devem ser recolhidas diretamente de árvores saudáveis, evitando-se às com fungos, manchas ou furos nas cascas bem como as recolhidas diretamente do chão. A colheita é de maio a julho (depende da variedade), época em que estão maduras e aptas para consumo e reprodução. A qualidade das sementes é essencial para favorecer o desenvolvimento inicial saudável das novas árvores.

O armazenamento dos pinhões deve ser em embalagens arejadas que evitem o acúmulo de umidade e a formação de fungos, porém protegidas da luz solar. Durante a fase de germinação e crescimento até dois anos, o pinheiro se desenvolve melhor em áreas levemente sombreadas, sendo que após este período a exposição ao sol é essencial ao crescimento e desenvolvimento adequados. O pinheiro possui crescimento lento e começa a produzir a partir dos 20 anos aproximadamente. As sementes podem ser plantadas diretamente no solo ou produzirem-se mudas para transplante posterior aos locais definitivos.

O plantio direto das sementes é simples e o método mais indicado, possibilitando a adaptação mais adequada ao ambiente e o desenvolvimento saudável das raízes, caule e folhas. As sementes devem ser enterradas em locais que recebam sombreamento durante o dia como nas bordas de matas, áreas com solo protegido ou de transição vegetal. Devem ser enterradas em torno de três centímetros e levemente inclinadas com a ponta interna para baixo. Não podem ser plantadas próximas, pois a araucária depois de adulta é uma árvore de grande porte e precisa de bastante espaço para se desenvolver (aproximadamente 30 m2). Uma das (poucas) desvantagens deste método é a perda de sementes consumidas pela fauna.
As mudas diminuem os ataques de animais, porém as raízes são muito sensíveis e podem ser danificadas durante o transporte ou plantio, dificultando a adaptação definitiva e o crescimento saudável, sendo que muitas mudas não se desenvolvem e/ou morrem. As mudas devem ser produzidas em embalagens com altura mínima de 20 cm e plantadas nos locais definitivos seis meses depois de germinadas.

A época de plantio é durante os meses de inverno, ou seja, durante o mesmo período da colheita. As covas para mudas devem ter tamanho suficiente para receber a planta e as embalagens retiradas com cuidado. Após o plantio, a terra deve ser levemente compactada e irrigada. Na fase inicial de crescimento, é preciso ter cuidado com formigas cortadeiras e retirar a vegetação concorrente ao redor da muda, porém sem expor o solo. Devido ao seu tamanho e espaço que ocupa, os pinheiro não devem ser plantados próximos de residências, redes elétricas e passeios públicos.

Antonio Silvio Hendges, articulista do EcoDebate, é Professor de biologia e agente educacional no RS. Email: as.hendges{at}gmail.com

EcoDebate, 18/10/2010

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