PV pede compromisso a veto na alteração do Código Florestal e faz mais 40 solicitações

O Partido Verde (PV) pediu, no dia 8/10, aos dois candidatos à Presidência da República (8), o compromisso de vetar as mudanças no Código Florestal. O pedido está entre as mais de 40 solicitações de “compromissos” aos candidatos, apresentados publicamente hoje pelo partido, que servirão de base para a decisão do PV em quem apoiar no segundo turno.

O partido também propôs o compromisso dos candidatos pelo “desmatamento zero” de vegetação nativa primária e secundária, em estágio avançado de regeneração, em todos os biomas brasileiros, ressalvadas as situações de premente interesse público, a implementação da meta de 10% dos biomas brasileiros incluídos em unidades de conservação e a apresentação de Plano Nacional para Agricultura Sustentável.

Marina disse que a escolha do candidato que o PV irá apoiar no segundo turno será decidida na convenção nacional do partido, no dia 17. Segundo ela, a definição não será “mecânica”, ou seja, o partido não irá, necessariamente, apoiar o candidato que mais se comprometer com as propostas apresentadas hoje. Marina ressaltou que não tem garantias de que os candidatos irão, de fato, realizar os compromissos solicitados pelo PV.

“Há uma dinâmica que irá se estabelecer a partir de agora. Não existe uma garantia a priori do que será feito depois de eleito aquele que ganhar. Eu acredito que da nossa parte havia um compromisso de implementar esta plataforma. Como as duas candidaturas não tinham programa de governo, agora tem a chance de um compromisso na forma de programa de governo”, disse.

Confira as propostas apresentadas aos candidatos pelo PV:

Transparência e ética
• Não instituição de qualquer mecanismo de tutela ou controle sobre a liberdade de imprensa;
• Transparência das informações sobre execução orçamentária do governo federal disponibilizando na internet dados primários do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), permitindo o acompanhamento da execução dos contratos e dos processos decisórios inclusive dos conselhos de governo e agências reguladoras;

Reforma eleitoral
• Encaminhamento ao Congresso de reforma política com adoção do voto distrital misto, lista cívica e financiamento público de campanhas.

Educação para a sociedade do conhecimento
• Elevação do investimento em educação do setor público para 7% do PIB, priorizando novos investimentos na direção da universalização do acesso à pré-escola e à creche;
• Eliminação do analfabetismo entre jovens de 15 a 30 anos até 2014 e erradicação do analfabetismo até 2018;
• Valorização dos professores da rede pública na sua remuneração, acesso universal a computador e internet, programas de aperfeiçoamento, formação continuada e fóruns democráticos para aprimoramento de currículos e métodos pedagógicos;
• Viabilização, nos primeiros seis meses de governo, da aprovação no Congresso da Lei de Responsabilidade Educacional e a criação do Sistema Nacional de Educação;

Segurança pública
• Programa de subsídios à manutenção na escola ou em curso técnico profissionalizante de todos jovens em situação de risco;
• Fundo nacional de segurança para complementar os salários dos policiais civis e militares de forma a garantir sua dedicação exclusiva à segurança pública;
• Encaminhar, no prazo de seis meses, PEC para reforma do modelo policial brasileiro.

Mudanças climáticas energia e infraestrutura
• Agência reguladora independente para a Política Nacional de Mudanças Climáticas;
• Publicação de estimativas anuais de emissões de gases de efeito estufa(GEE) no Brasil e, a cada três anos, seu inventário completo;
• Estabelecimento de indicadores de intensidade de emissões de GEE na economia brasileira com suas metas de redução previstas em Lei, tornando-as obrigatórias;
• Aumento em 10%, até 2014, da participação das energias renováveis na matriz energética brasileira;
• Fim dos leilões de energia para novas termoelétricas movidas a óleo diesel ou carvão mineral;
• Inclusão efetiva da sociedade civil no Conselho Nacional de Política Energética;
• Supressão do IPI sobre fabricação de veículos elétricos e híbridos;
• Estabelecimento de um Plano Nacional Decenal de Infraestrutura compatível com as metas de redução de emissões de GEE;
• Moratória de novas usinas nucleares ainda não autorizadas pelo Congresso Nacional;
• Criação do Sistema Nacional de Prevenção e Alerta sobre Desastres Naturais, incluindo publicação anual de mapa de áreas vulneráveis a desastres naturais;
• Painel científico independente para monitorar a segurança na exploração do pré-sal;
• Universalização do acesso à banda larga em todo Brasil;
• Plano de geração de empregos verdes na transição para economia de baixo carbono;
• Cumprimento das condicionantes socioambientais em relação ao projeto Belo Monte;

Seguridade social: saúde, assistência social e previdência
• Comprometimento de 10% do orçamento federal para saúde conforme previsto na emenda 29/2000 e sua regulamentação no Congresso Nacional, em 2011;
• Programa Saúde da Família (PSF) para, pelo menos, 80% da população brasileira, até 2014 com redução de três mil para dois mil do número de pessoas tendidas por cada equipe;
• Carreira para os integrantes do PSF feita de forma solidária entre governos federal, estaduais e municipais;
• Aumento para 75% dos domicílios com acesso à rede de esgoto e pelos menos 50% com tratamento do esgoto coletado, até 2014, com vistas à universalização do serviço até 2020;
• Implantação da rastreabilidade e rotulagem de alimentos transgênicos;
• Programas sociais de terceira geração contemplando a inclusão produtiva como desdobramento dos programas de transferência de renda;

Proteção dos biomas brasileiros
• Desmatamento zero de vegetação nativa primária e secundária, em estágio avançado de regeneração, em todos os biomas brasileiros, ressalvadas situações de premente interesse público.
• Veto a propostas de alteração do Código Florestal que reduzam áreas de reserva legal, preservação permanente ou promovam anistia a desmatadores;
• Implementação da meta de 10% dos biomas brasileiros incluídos em unidades de conservação;
• Apresentação de Plano Nacional para Agricultura Sustentável;

Gasto público de custeio e Reforma Tributária
• Limitação da expansão dos gastos de custeio do governo federal à metade do crescimento do PIB;
• Proposta de reforma tributária nos seis primeiros meses de governo contemplando:
– Simplificação e restrição drástica da regressividade dos impostos;
– Informação clara ao consumidor do valor dos impostos na composição dos preços de produtos e serviços que adquira;
• Revisão da tributação, incentivos e renúncias fiscais de acordo com impacto sobre o meio ambiente e intensidade de emissões de GEE.
• Redução substancial dos cargos comissionados de livre provimento;

Política externa
• Política externa orientada pela promoção da paz, liberdade, democracia e respeito aos direitos humanos.

Fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural
• Conclusão da demarcação e homologação das terras indígenas e criação de fundo para apoiar projetos indígenas e das demais populações tradicionais;
• Implementação do Sistema Nacional de Cultura, ampliando seu orçamento promovendo a descentralização dos recursos e das políticas culturais;
• Combate a toda forma de discriminação racial, sexual e religiosa.

Reportagem de Bruno Bocchini, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 11/10/2010

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4 comentários em “PV pede compromisso a veto na alteração do Código Florestal e faz mais 40 solicitações

  1. Aqui em Santa Catarina estamos tentando expulsar uma Fosfateira bem na região das nossas nascentes… são mais de 300 mil brasileiros que dependem dessas águas…
    Além do mais é uma região rica que vive de agroturismos e produção de alimentos orgânicos… CARAMBA…

  2. Gostaria que o PV, mais precisamente voce Marina, a quem tenho brande respeito, pensasse bem antes de exigir tanto, mesmo porque voce esteve dentro, muito dentro do governo Lula e sabe melhor que ninguém, como é a questão dentro ( senado e camara) que são os responsáveis pela apresentação, votação e …execussão das leis. Nós que sabemos da importancia de tudo que está citado ai e que acreditamos que seria possivel com governo Lula mas não vemos acontecer, temos uma grande angústia, porém maior que angústia é a certeza de que NÃO será com PSDB na presidencia que serão resolvidos todos esses problemas ai postos.
    Torcemos para que aconteça o Brasil que queremos, mas tudo passa por uma grande reforma política o que não é de interesse da maioria que vai compor a câmara e o senado a partir de 2011. Isso é a grande trave para a concretização da democracia propriamente dita.
    Marina, te admiro muito, por isso tomei a liberdade de fazer esse comentário.
    Grande abraço
    Alice Bragato- movimentos sociais

  3. Ainda é tempo de mudarmos. Vamos dar um basta a esse (des)governo que ajudou banqueiros como nunca antes, triplicando a dívida pública (acumulou uma dívida total equivalente ao dobro da dívida anterior: o governo Lula fez em 8 anos, uma dívida que o Brasil não fez em 500 anos. Ajudou, por omissão e proteção (vide o caso Sarney/Dilma) desmatadores, invasores e devastadores de nossas terras. Um governo que entregou, como nunca antes neste país, até áreas da União, de proteção e território indígena a desmatadores nacionais e estrangeiros (até o chinês Lu Weiguang novo latifundiário em terras indígenas). Um governo cuja candidata protagonizou os maiores escândalos da outrora gloriosa Petrobrás. É tempo de dar um basta na transposição do São Francisco, no desastre de Belo Monstro e na maior corrupção já perpetrada na história deste nosso sofrido país.

Comentários encerrados.

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