Campo Verde e Lucas do Rio Verde, MT: Agrotóxicos em amostras de ar, água da chuva, sangue e urina

Pulverização aérea. Foto no Portal do São Francisco.
Pulverização aérea. Foto no Portal do São Francisco.

Esta semana o jornal Folha de S. Paulo divulgou resultados de uma pesquisa desenvolvida em parceria entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), que mediu efeitos do uso de agrotóxicos em Campo Verde e Lucas do Rio Verde (médio-norte de Mato Grosso), dois dos principais municípios produtores de grãos do estado.

Os pesquisadores encontraram resíduos de agrotóxicos no sangue e na urina de moradores, em poços artesianos e amostras de ar e de água da chuva coletadas em escolas públicas.

Segundo informado pela Folha, o monitoramento da água de poços revelou que 32% deles continham resíduos de agrotóxicos, também achados em mais de 40% das amostras de chuvas (!!).

Já 11% das amostras de ar tinham resíduos de tóxicos como o endossulfam.

Este produto está entre os 14 ingredientes ativos que a Anvisa colocou em reavaliação toxicológica em 2008. Em agosto último a Anvisa publicou a resolução que determina a proibição da importação do endossulfam a partir de 2011, a proibição da fabricação em território nacional a partir de 31 de julho de 2012 e a proibição da comercialização e do uso a partir de 31 de julho de 2013. A decisão do banimento faseado se baseou nas evidências de que o agrotóxico pode provocar defeitos congênitos (nascimento de bebês com malformações genéticas), abortos espontâneos, problemas no desenvolvimento, além de problemas neurológicos, imunológicos e hormonais.

O médico Wanderley Pignati, da UFMT e um dos coordenadores da pesquisa, declarou à Folha que a pesquisa agora analisa a correlação entre esses dados e registros de intoxicações, câncer, má-formação fetal e distúrbios neuropsicológicos nos municípios. “Sabemos que a incidência desses problemas é maior onde há o uso intensivo desses produtos”, diz.

Segundo o estudo, no Mato Grosso se despejou na última safra cerca de 105 milhões de litros de agrotóxicos — 11% do total do Brasil. No período, as cidades pesquisadas colheram 2,5 milhões de toneladas de soja e milho — 8% do estimado para o Estado.

Esta não é a primeira vez que dados alarmantes como estes evidenciam a impossibilidade do chamado “uso seguro de agrotóxicos” — que, basicamente, se resume ao uso de EPI (equipamento de proteção individual, aquela roupa parecida com a dos astronautas e que os agricultores relatam ser tão quente e desconfortável que não a suportam por mais que meia hora) e descarte correto de embalagens. O fato é que, mesmo seguindo-se todas as normas de segurança determinadas pela legislação, a contaminação dos solos, da água, dos alimentos e a intoxicação das pessoas expostas aos venenos são inevitáveis.

Somente a agricultura ecológica, que não emprega sementes transgênicas e agrotóxicos, é capaz de garantir a conservação dos recursos naturais e a saúde dos trabalhadores rurais, das populações de regiões de produção agrícola e dos consumidores. Inúmeras experiências e pesquisas evidenciam que os sistemas agroecológicos de produção são capazes de alcançar produtividades maiores do que as médias alcançadas pela agricultura convencional. E sempre com custos mais baixos.

A título de exemplo, vale a pena a leitura do artigo “Lidando com extremos climáticos: análise comparativa entre lavouras convencionais e em transição ecológica no Planalto Norte de Santa Catarina”, publicado pela revista Agriculturas: experiências em agroecologia.

Da Campanha por um Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos, socializado pelo MST e publicado pelo EcoDebate, 06/09/2010

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2 comentários em “Campo Verde e Lucas do Rio Verde, MT: Agrotóxicos em amostras de ar, água da chuva, sangue e urina

  1. Muito obrigado pela materia pois estou com ação judiciária junto ao MPF em vista de movimentar a ANVISA e o IBAMA para coleta das amostras dos terrenos, água e produtos que foram produzidos na região da Terra do Meio(PA) onde vários fazendeiros utilizaram produtos da empresa NUFARM do BRASIL que fabrica e comercializa o NUFARM 2,4-D ou U 46 D e que em Maracanaú (Fortaleza-CE) detém hoje 2.300.000 litros deste produto “adulterado” que foi bloqueado por ordem da JustiÇa e deve ser destruido em fornos especiais pois contém “impurezas” ainda desconhecidase que estou tentando descobrir como Delegado da Fundação Corte internacional do Meio-Ambiente e vítima deste produto. Já tinha alertado as autoridades e a sociedade num serviÇo de reporter da Globo Marcelo Canellas que foi ao ar no programa Bom Dia Brasil, no Fantástico e no Globo News no fim de 2007 sobre a Terra do Meio. Nos próximos dias esatará sendo publicado nos meios de comunicação na Europa pois há o perigo de que os produtos provindos da Terra do Meio ( e agora se sabe também do Mato Grosso e Paraná) sejam recheados de DIOXINAS quando for detectada a presença do composto químico 2,5-T. Isso faria com que esteja sendo usado na limpeza dos pastos e no cultivo da soja, algodão, milho,etc. o composto químico 2,4-D + 2,5-T ou seja o 2,4,5-TDD = AGENTE LARANJA utilizado na guerra química do Vietnam pelo exército dos Estados Unidos cujas consequências sobre os pilotos americanos que o utilizaram e sobre o Povo Vietnamita que foi atingido froam e continuam sendo terríveis: CANCER e DOENÇAS que se trasmitem geneticamente.
    Estaria na hora de mandar destruir todo estoque destes produtos ainda existentes não somente no Brasil mas no mundo inteiro.
    Padre Angelo Pansa-Delegado ICEF

  2. Sou integrante do ramo de transportes, e fico abismado o motivo de tantos agrotóxicos em função da produtividade, por mim podemos ter menos bens e capitais desde que vivamos conforme os princípios naturais de qualidade de vida, de nada adianta acumularmos riqueza se sofreremos as consequências e morrermos prematuramente destruindo o ambiente com o objetivo de bens patrimoniais e não naturais e qualitativos,de nada adianta morrermos mais ricos mas sim mais felizes…

Comentários encerrados.

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