Sevem Suzuki e a Rio Eco-92, artigo de Maurício Gomide Martins

[EcoDebate] A menina canadense Sevem Suzuki, que em 1992 tinha 12 anos, proferiu um discurso no plenário da Rio Eco-92, recheado com um raciocínio impecável e palavras encabulantes. Ficou famoso pelo caráter acusatório contra os governantes mundiais, ditos adultos responsáveis. Entendemos que se 99% dos leitores desta página já tiverem conhecimento do tumular pronunciamento, ainda ficaremos satisfeitos por divulgá-lo para apenas 1%, tal o valor desse documento que deveria ser objeto de ensinamento por todos os professores do mundo.

In www.youtube.com/watch?v=fx4y5vDyn_o
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No Brasil, deveria ser repetido na mídia por mais de 60 dias seguidos, de forma que todos tomassem conhecimento de assunto tão relevante. Não se estranhe a dimensão citada, pois é bastante comum um simples caso criminoso, de âmbito local, ser transformado em sensacionalismo e explorado continuamente pela mídia brasileira à exaustão, por mais de 90 dias, como temos visto ultimamente.

O discurso da menina Sevem foi feito em 1992. Ela disse tudo o que poderia ter dito. Foi exposto para representantes de 172 governos, que devem ter ficado envergonhados e com a consciência em efervescência, mas não tomaram qualquer tprovidência. Nem poderiam isoladamente, reconheçamos. Por quê? Porque o problema ambiental é de amplitude mundial e – raciocinemos – se um deles tomasse alguma medida efetiva, isso ficaria contido em suas fronteiras e não provocaria qualquer alteração nas condições ambientais. Seria o mesmo que se isolar do resto do mundo. Seria uma providência inócua, portanto. Condições ambientais são um complexo vivencial que diz respeito ao todo mundial, não a países que, aos olhos da Natureza, não existem.

Comparemos: em um corpo humano, a recusa de um dedo do pé (país pequeno) ou mesmo de um braço inteiro (um país grande) em movimentar-se, não afetaria as ações básicas mantedoras da vida do corpo. Ademais, seria preciso considerar que tal país deveria ter um governo soberano, o que na realidade não ocorre. Todos os governos, em tese, são representantes das forças econômicas, verdadeiros gestores de um país, pois os atos de governo são feitos em função desses interesses espúrios. Vejam-se os exemplos pelo mundo afora, inclusive no Brasil, quando os cofres públicos são abertos às escâncaras para amparar e proteger tais corporações. Vimos, recentemente, o governo americano amparando com bilhões de dólares os pilares econômicos daquele país, beneficiando indivíduos e não os legítimos objetivos sociais.

Tudo o que Sevem disse é racional, evidente, lógico. E daí? Como seu esforço de nada valeu para quem tem autoridade governamental, a nossa conclusão só pode ser a descrita acima. Além disso, a situação indica perfeitamente que só há um caminho para iniciar a etapa de retorno: a instituição de um governo mundial com o fim de gerenciar os recursos vitais, mantendo o equilíbrio que a Natureza nos legou. Figurativamente, a solução alvitrada é colocar uma cabeça no planeta para que ela possa comandar os interesses de sobrevivência desse corpo ambiental.

Todos os seres vivos têm uma cabeça ou um centro de comando. O planeta vivo (a Terra) não tem. Fica à mercê de interesses materialistas de indivíduos cuja ganância é ilimitada. Os fatos de há quase 20 anos estão a nos indicar esse único caminho: ação global para preservar a biosfera. Ainda há tempo. Não vemos outro rumo. Se há, que nos apontem qual seria.

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e colunista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

EcoDebate, 03/08/2010

 

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2 comentários em “Sevem Suzuki e a Rio Eco-92, artigo de Maurício Gomide Martins

  1. Caro Maurício,
    Segue o cometário que fiz no grupo Civilização Solar na RETRANS a partir da leitura do teu artigo:

    Esta msg em pps que estou destacando me surgiu após ler o artigo do Maurício Gomide Martins para o portal ECODEBATE e que contém o vídeo sobre o histórico pronunciamento da Severn durante a conferência da ONU Rio ECO- 92.
    http://www.civilizacaosolar.org/mensagens/CIVILIZACAO%20SOLAR%20-%20MSG%20015%20-%20SEVERN%20CULLIS%20SUZUKI.pps
    Tanto o Paulo quanto o Maurício destacam a capacidade desta menina, na época com 12 anos para dar uma situada no que estamos fazendo com o Planeta que dizemos cuidar e o quanto precisamos mudar para cumprirmos esta missão.

    Caso não consigam abrir o link para o pps basta copiar a URL do site onde estão a maioria das msgs enviadas pelo Paulo medeiros e que hoje contam com milhares de leitor@s mundo afora. http://www.civilizacaosolar.org/

    Grato,
    ABC (Abraço e Beijo do Cezimbra), Cidadão Planetário, membro do CMCP – Conselho Mundial de Cidadania Planetária

  2. Quando esta menina discursou eu tinha apenas 2 anos e hoje, sinto ainda mais a necessidade dessa conscientização que ela propõem. Esta manhã ainda conversando com minha mãe sobre os desastres naturais que vêm ocorrendo, tentava convence-la de que comprar madeira ilegal de desmatamento é crime, mas isso é uma prática comum ainda aqui no sul para aquecer as casas com fogões a lenha no inverno. Eu dizia pra ela que deveria comprar madeira legal de reflorestamento e ela insistia dizendo: “Se eu não comprar (madeira ilegal) outros irão comprar” querendo se justificar, então eu disse pra ela que quem mais vai sofrer as consequências dessas atitudes erradas é a minha geração e as seguintes e que não devemos fazer coisas erradas só pq os outros o fazem… É dificil mudar as idéias erradas, mas eu não desisto!

Comentários encerrados.

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