Escolas de agressividade e violência, artigo de Américo Canhoto

[EcoDebate] Tudo na evolução humana é fruto de um longo aprendizado – daí, parte de nossas tenências para reagir com agressividade e violência é fruto da incorporação de atitudes dos adultos que compõem o meio em que nos desenvolvemos.

A INFLUÊNCIA DO MEIO.

Agressividade e violência aprendida.

A infância dependente e prolongada serve para receber a influência do meio em que estamos inseridos. Tudo que nós somos e como nos apresentamos foi fruto de aprendizado; além disso, hoje, é a soma do inconsciente, subconsciente e do que já temos consciência. Parte, nós já trazemos ao nascer. e, de certa forma ainda pertence ao inato desconhecido; a outra, é a somatória das experiências vividas com os adultos que compõe o meio em que fomos criados.

A agressividade e a violência de certa forma também podem ser aprendidas pela má educação pela repetição; ou reforçando as tendências inatas (a educação de qualidade; busca reforçar as atitudes e tendências positivas e anular ou diminuir as negativas).


MATERIAL DIDÁTICO COTIDIANO

Onde aprendemos agressividade e violência?

Com os pais e adultos com os quais se convive.
Nas constantes brigas em família.
No conflito de interesses familiares.
Na vida em sociedade.
Na tentativa de padronização.
Na escola.
No trabalho.
Na mídia.
Nos entretenimentos.
Nas ocorrências do nosso dia a dia.
Nos meios de comunicação.
Na aplicação da justiça.
Nas competições esportivas.

Como se aprende a ser agressivo e violento?

Analisemos algumas situações comuns, nas quais a criança aprende a ser agressiva e violenta; e, onde ela pode copiar e praticar a violência.

Com os pais e adultos com os quais convive.

Desnecessário falar sobre os efeitos causados na construção da personalidade, do padrão de atitudes, de alguém criado num ambiente familiar onde a violência é explícita; com espancamentos, agressões psicológicas e morais – isso, todo mundo está cansado de saber; interessa-nos trazer á discussão a agressividade e violência subliminar, aquela que não percebemos ou fingimos que não.

Progredimos de forma passiva quando usamos os defeitos de caráter dos outros para nos burilar. Os atritos entre as pessoas são constantes e contínuos. Sobra até para a criança: muitos não foram filhos desejados. Sofreram tentativas de aborto. Receberam vibrações de maldições e desejaram que tivessem recusado a nascer. Alguns escaparam de ser abortados numa espécie de milagre. E, depois de nascidos quantas noites ao sofrerem cólicas e não deixarem seus pais dormir quase foram espancados (vibrações de vontade não faltaram). Muitas crianças vivem em ambientes nos quais predomina a relação “entre tapas e beijos”, o carinho e afeto verdadeiro são escassos (apenas na hora da satisfação das necessidades e desejos sexuais).

Predomina entre os adultos da atualidade; as pessoas que ainda nem percebem quando agridem; apenas sentem quando são agredidas e buscam sempre uma forma de retaliar ou até de se vingar de uma maneira que supere a agressão sofrida.

Brigas em família.
Filhos de casais que se desentendem com freqüência são vítimas de estresse de agressividade e rebeldia. A perda de autoridade dos pais brigões é imediata e notória.

Se os adultos são incapazes de entender quando é o momento certo para resolver suas divergências; como esperar que uma criança não arrume confusão na escola, bata, arranhe, chute ou denigra seu coleguinha a boca pequena ou na net.

Elas expressam naturalmente o medo e a preocupação como estão sendo educadas; através da mudança de comportamento para agressividade e violência; ou apenas, imitam os adultos.

Os agressivos e brigões despertam sentimentos de menos valia e culpa. Até sentem-se responsáveis pelas brigas dos pais ou adultos com quem convivem ou são obrigadas a conviver: amantes do pai ou da mãe, novos pais, ou novas mães etc. Somos o que estamos sendo feitos – inevitável que essa criança quando adulta tenda a repetir o que foi feito com ela.

No conflito de interesses familiares.
A maioria das famílias não formam um time coeso; são como aqueles times de futebol dos sonhos que não ganham nada; pois, são apenas um aglomerado de interesses individuais – nessas famílias, os interesses de um se sobrepõe aos do grupo. Além disso, quase sempre há uma guerra não declarada entre a parentela. A relação entre a família do pai e da mãe quase sempre é tumultuada pelo ciúmes, inveja e interesses os mais variados. Na relação criança versus família, é como se ela nascesse em pleno campo de batalha onde todos tentam atraí-la para seu lado, usando os mais humanos ardis: suborno, chantagem, tentativa de controle, mentira. Principalmente, no desmanche da família mal estruturada, após ou durante, as separações ou divórcios.

Na vida em sociedade.
As desigualdades, os preconceitos e todos os tipo de exclusão do indivíduo da sociedade são indutores de agressividade e violência. O treino para competir e ser mais e melhor do que o outro, fazem com que a criança se desenvolva pensando estar num palco de guerra no qual quase todos são inimigos, até os irmãos. A fome e a necessidade de sobreviver ou o desejo de usufruir da ostentação da sociedade, tornam os violentos e agressivos natos em verdadeiras máquinas de matar ambulantes. Pisotear as leis que criam; matar o outro de fome, de raiva, de medo, de angústia, de inveja; e até matar de verdade com tiros e facadas por conta própria ou sob contrato de mando.

Refletir faz bem á saúde, física, mental, emocional, afetiva, social, política…

Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Uso a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

* Colaboração de Américo Canhoto para o EcoDebate, 28/07/2010

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