Saiba mais: Biodiversidade, artigo de Roberto Naime

[EcoDebate] O termo biodiversidade ou diversidade biológica é usado para descrever a variedade de espécies da flora e da fauna de uma paisagem. A paisagem é o elemento básico dos Geobiossistemas. Que podem ser conceituados por unidades territoriais de mesma paisagem, definidas pelas características do meio natural, hierarquizadas por um mesmo sistema de relações.

No Brasil, existem milhares de plantas, animais e microorganismos que ainda estão por ser descobertos e descritos, graças a variedade climática e de ecossistemas do país. Estima-se que a exploração da biodiversidade responda por até 5% do Produto Interno Bruto do país atualmente, principalmente nos setores florestal e pesqueiro.


O Brasil já poderia ter aprendido a importância e as vantagens econômicas que a biodiversidade pode trazer. Não é só a beleza dos espécimes animais e vegetais que pode ser explorada em atividades como o ecoturismo.

Cada espécie animal ou vegetal guarda um código genético único, cuja importância na sobrevivência e perpetuação do conjunto das espécies ainda não foi suficientemente avaliada. E cada espécie animal ou vegetal dispõe de uma carga genética única, cujo potencial de uso em cruzamentos genéticos, aperfeiçoamento de espécies e na medicina não foi sequer pensado ainda.

A biodiversidade, quando apresentada como apenas um estoque não diferenciado de genes que podem ser avaliados como mercadorias, está sujeita a racionalizações mercantilistas.

Se trocamos a visão mercantil do produtor ou consumidor, por uma concepção que envolve o equilíbrio homeostático (que quer dizer equilíbrio dinâmico que é alcançado quando os sistemas tem equilíbrio na entrada e saída de matéria e energia) gerado por certo grau de desenvolvimento econômico associado a certo nível de preservação ambiental, chegaremos mais perto de questões discutidas internacionalmente desde o início dos anos 70.

O objetivo seria alcançarmos uma “escolha ótima” entre determinado nível de desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Neste patamar seriam otimizadas e potencializadas as vantagens máximas do desenvolvimento econômico na qualidade de vida e compatibilizadas com a manutenção dos estoques genéticos naturais. Tanto pelo seu potencial estético, quanto pela sua importância genética e potencial de combinações cromossômicas.

Este olhar do mundo exige equilíbrio e desprendimento que nossa sociedade tem demonstrado frequentemente não ter alcançado ainda. Tanto pelas suas deficiências estruturais quanto educacionais. A biodiversidade tem um valor intangível (que não dá para pegar ou mensurar), e este tipo de valor ainda apresenta uma complexidade que não é bem entendida por todos.

Não se sabe quantas espécies vegetais e animais existem no planeta. As estimativas variam entre 10 e 50 milhões, mas até agora os cientistas classificaram e deram nome a cerca de 1,5 milhão de espécies. Entre os especialistas, o Brasil é considerado o país da “megadiversidade”, pois cerca de 20% das espécies conhecidas no mundo estão aqui.

É bastante divulgado, por exemplo, o potencial terapêutico das plantas da Amazônia, sendo esta a matriz que se imagina desenhar para o futuro dos biomas de todo país. E por exemplos como este que se fala em preservação da biodiversidade.

As políticas públicas mais do que indutoras do desenvolvimento econômico material e acumulativo precisam ter uma visão de desenvolvimento sustentável, com uma plena integração econômica, social, cultural e ambiental das potencialidades da biodiversidade, que produza uma exploração econômica sustentável e equilibrada de todas as riquezas e potencialidades.

Roberto Naime, Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS, é colunista do EcoDebate.

EcoDebate, 28/06/2010

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