Agricultura sustentável: Um caminho alternativo as lavouras existente na região amazônica

[Reportagem de Mauricio Hermann, para o EcoDebate] Tanto os modelos atuais como os passados de ocupação do território amazônico, pobreza local e a extração de matéria-prima são os principais responsáveis por seu desmatamento. E, por conseqüência, o problema da desflorestação traz danos irreparáveis ao bioma local como: diminuição da biodiversidade, efeitos de erosão e lixiviação do solo, emissão de gás Carbônico (CO2) e assoreamento dos rios.

Atualmente um dos vetores que mais derrubam as matas da Amazônia é a agricultura e organizar suas atividades é uma ação fundamental para preservação das áreas remanescente e para manter o desenvolvimento econômico sustentável da região.


Em coletiva de imprensa realizada no último sábado no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA), o professor de economia da USP Guilherme Leite da Silva Dias ressaltou a necessidade de controle das questões agrárias na Amazônia. Ele apresentou a agricultura sustentável como solução alternativa aos modelos viventes no local e salientou a importância em conter seus os avanços de fronteiras. “Tem que ocorrer grandes transformações, não há como um sistema que herdamos do passado ser capaz de dar conta dos números de pressões que temos pela frente”, afirma Guilherme Dias.

A agricultura sustentável procura trabalhar para que os sistemas produtivos conservem os recursos naturais e produzam alimentos saudáveis. Segundo Dias, a necessidade de criar um plano de análise e agricultura alternativa são fundamentais para o manejo ecológico da região. O professor também destacou três aspectos para o avanço descontrolado e predatório do agronegócio no Brasil.

O primeiro aspecto é a mudança fundamental nas grandes linhas de comércio para o Brasil em relação ao mundo. Nesse processo, o crescimento da demanda por produtos agrícolas é enorme por ser à base da economia nacional. O segundo ponto é a pressão originada pelo aumento populacional que ocasiona maior procura por alimentos e necessidades energéticas geradas pelo êxodo rural e a industrialização. E por último, o aquecimento global que causa desequilíbrio ecológico e, como as atividades agrícolas dependem diretamente do clima, isso faz com que grandes agricultores migrem para lugares com melhor equilíbrio climático. “Os países andam em linhas contraditórias em como administrar esses três problemas ao mesmo tempo”, assegurar Dias diante dos atuais modelos de produção.


A expansão das lavouras – que cresce há 150 anos de forma constante – começa pelo processo de desmatamento. E, nesse processo, por não haver rotação no plantio, o modelo atual de produção esgotou os nutrientes do solo devido às intensas atividades agrárias e condições climáticas que faz com que ele entre em uma ação de esgotamento de nutrientes, o que agrava ainda mais a situação ambiental.

A agricultura sustentável proposta diante do modelo atual buscará corrigir o solo danificado, educar produtores para sua manutenção e plantio. No entanto, para que esse processo seja implantado em grande escala são necessários grandes investimentos financeiros e expansão de qualificação profissional de pessoas.

Essa nova alternativa agrária é complexa, porém é uma possível saída a equilibrar as necessidades de produção e preservação ambiental. “O sistema atual de lavouras é insustentável. A agricultura sustentável é uma solução para os atuais modelos agrários já existentes e para exploração da floresta”, completa o professor.

Mauricio Hermann de Souza é aluno do 4º ano de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (USJT). Esta reportagem integra o Projeto Repórter do Futuro, no módulo Descobrir a Amazônia – Descobrir-se Repórter.

EcoDebate, 17/06/2010

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