RJ: Comunidade protesta contra instalação de aterro sanitário em município do interior

RJ: Comunidade protesta contra instalação de aterro sanitário em município do interior

O fechamento do aterro sanitário de Gramacho, na região metropolitana do Rio, deverá melhorar a qualidade do ar de quem mora no bairro, em Duque de Caxias, e sofre com o permanente mau cheiro e a poeira levantada pelas centenas de caminhões que transitam 24 horas por dia no local. Mas a transferência já está tirando o sono dos cerca de 10 mil moradores da Agrovila de Chaperó, uma comunidade bucólica no município de Seropédica, a cerca de 100 quilômetros da capital.

Cercada de verde, com antigas fazendas, nascentes d´água e próxima a uma serra coberta por mata nativa, Chaperó terá seu sossego modificado dentro de mais alguns meses, quando começará a funcionar ali o centro de tratamento de resíduos que substituirá Gramacho, recebendo lixo de toda a região metropolitana do Rio.


Os moradores reclamam que a instalação do aterro foi imposta e eles não foram consultados. “O povo é o último a saber das coisas. Eles deveriam ter se comunicado com a comunidade. A gente respira o verde e vai respirar poluição. Estão iludindo muitas pessoas, em matéria de emprego, mas promessa todo mundo faz. Chaperó vai ser conhecido como o bairro do lixão e será esquecido”, reclamou o instalador elétrico Marco Antônio Patrocínio, que há 24 anos foi morar na localidade, que não passava de poucas dezenas de casas, em meio a chácaras e sítios.

Para o presidente da associação de moradores de Chaperó, Everaldo Eufrásio, o quadro que se aproxima é perturbador. Ele já organizou um abaixo-assinado contra a instalação do aterro e promete um grande protesto para os próximos dias, reunindo a comunidade contra a obra. “A associação fez uma pesquisa de opinião e mais de 98% dos entrevistados foram contra o lixão. Estamos colhendo assinaturas dos moradores para embargar o lixão nessa região. Aqui tem um aquífero [Piranema] e tememos pela contaminação da comunidade com doenças contagiosas”, apontou Eufrásio.

“Esse lixão era para ser instalado em Paciência [bairro da zona oeste do Rio], mas devido a manobras políticas entre o governo atual e o prefeito do Rio de Janeiro, deslocaram o lixão para o nosso bairro”, criticou Eufrásio. “Com tristeza, nós vemos a desvalorização de nossas casas e um futuro ruim para nossos filhos. Uma degradação total do local. Mas vamos continuar lutando contra esse lixão, para futuramente mantermos essa qualidade de vida, com ar puro e tranquilidade”, completou o presidente da associação.

A beleza de Chaperó foi o que atraiu moradores como Guilherme Zanini. Há dois anos, depois de se aposentar, ele investiu todos suas economias em uma casa de dois andares, em frente a uma bela fazenda: uma paisagem de encher os olhos. E foi exatamente ali o local escolhido para instalar o centro de tratamento de resíduos.

“Agora ficou ruim. Quem vai poder ficar aqui, na boca do lixão? É difícil, mas a gente está lutando para eles encontrarem um outro lugar. Eu vim para cá justamente para fugir da poluição. No fim da vida, o que a gente quer? Viver mais um pouquinho. Fiz um investimento e agora vou ficar no prejuízo”, lamentou Zanini, que morava no bairro de Realengo, na zona oeste, e saiu de lá para se afastar da violência.

Reportagem de Vladimir Platonow, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 07/06/2010

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário do Portal EcoDebate
Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta utilizar o formulário abaixo. O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Participe do grupo Boletim diário EcoDebate
E-mail:
Visitar este grupo

5 comentários em “RJ: Comunidade protesta contra instalação de aterro sanitário em município do interior

  1. Aqui, em Posse, distrito de Petrópolis, RJ,também tivemos que “gritar” para não deixar que instalassem, na comunidade, um lixão de todo o município. O que fizemos foi, tomar conhecimento do EIA (Estudo do Impacto Ambiental)e do RIMA (o Relatório) que são obrigatórios. E verificamos os erros observados para impedir a construção.

Comentários encerrados.

Top