Crise ambiental atual e perspectivas de futuro

[Reportagem de Luceni Hellebrandt, para o EcoDebate] Na última sexta-feira (22) o professor Dr. Alexandro Yáñes-Arancibia esteve em Rio Grande (RS) abordando o tema “Crise Ambiental e Implicação Cultural, Social e Econômica no Século XXI”, por ocasião da aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento Costeiro – PPGC, da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG).

No início de sua aula, o prof. Yáñes-Arancibia destacou que estava pela segunda vez na cidade de Rio Grande. Na primeira ocasião esteve presente em virtude de um encontro acadêmico, em 1982, no qual a agenda discutida naquele encontro nem imaginava incluir questões a respeito de crise ambiental.


Quase três décadas após aquele encontro, destacou o impacto que a atividade humana causou sobre o ambiente, e com dados alarmantes chamou atenção ao futuro baseado em mitigação, no qual as profissões futuras deverão empenhar-se no manejo e gerenciamento dos recursos naturais ainda existentes, integrando conhecimentos de áreas diversificadas e complementares.

Sobre a preocupante questão atual do vazamento de petróleo no Golfo do México, que vem contaminando e atingindo drasticamente ecossistemas, biodiversidade, costas e população, afirmou que não há solução, que não existe a tecnologia necessária para conter o vazamento. Neste sentido, quando questionado pelo coordenador do PPGC, prof. Milton Asmus, sobre o caso brasileiro e a empolgação em torno da questão do pré-sal, Yáñes-Arancibia lembrou aos presentes que, tanto Reino Unido como Estados Unidos, desistiram da exploração de petróleo em grandes profundidades, instigando que, além da preocupação com desastres ambientais como o atual, há outra preocupação política: o fator econômico , pois foi constatado que o petróleo extraído era de baixa qualidade, não compensando os custos do processo de exploração e purificação quando comparado aos custos de utilizar energias alternativas.

Sobre o palestrante*: O Prof. Yáñez-Arancibia é investigador titular e professor da Rede Ambiente e Sustentabilidade na Unidade de Ecossistemas Costeiros do Instituto de Ecologia A. C. (CONACYT, México). Desde 1983 é membro da Academia Mexicana de Ciências e foi Diretor fundador do Programa EPOMEX de investigação marinha-costeira do Golfo do México (1990-1997). Ele publicou 15 livros e mais de 200 artigos científicos em editoras internacionais, principalmente nas áreas de ecologia y manejo de ecossistemas costeiros e de recursos naturais.

Sobre o PPGC: Constatada a necessidade de estudos voltados à gestão das relações existentes entre ambiente e sociedade nesta zona dinâmica que é a região costeira, sobretudo no Brasil, um país com 8.500km de costa, onde 40% da população reside em regiões costeiras e 70% do PIB advém destas zonas, os professores da FURG – universidade que desde seu nascimento é voltada ao ecossistema costeiro – buscaram estabelecer um Programa de Pós-Graduação em Gerenciamento Costeiro. Neste sentido, no final de 2009 nasce o primeiro curso de Mestrado em Gerenciamento Costeiro no Brasil, com caráter multidisciplinar, buscando integrar as diversas áreas do conhecimento, na busca de soluções ao futuro comum.

*informações retiradas da página do PPGC: http://www.labgerco.furg.br/ppgc/
por Luceni Hellebrandt – Socióloga, acadêmica de Jornalismo (UFPel) e aluna do Mestrado em Gerenciamento Costeiro – PPGC (FURG).

EcoDebate, 07/06/2010

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