O veneno à nossa mesa: Brasil, um país envenenado por agrotóxicos

O veneno à nossa mesa: Brasil, um país envenenado por agrotóxicos
Imagem: iStockphoto

Relacionado à temática da questão agrária, um tema que retornou com força no noticiário nacional foi o fato de que o Brasil se tornou o campeão mundial de uso de agrotóxicos. Segundo a Anvisa, nas lavouras brasileiras são usados pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia (UE), Estados Unidos e até no Paraguai.

Segundo a Rede Brasileira de Informação ambiental, na safra de 2008/2009, o Brasil consumiu ao redor de 700 milhões de litros de veneno. Esses 700 milhões de litros foram aplicados em 50 milhões de hectares, equivalente a 14 litros por hectares, a maior media do mundo. Estudo realizado pelo Observatório do mercado internacional de agrotóxicos aponta que o Brasil gastou US$ 7,1 bilhões na compra de agrotóxicos em 2008: “Muitos produtos entram no país registrados na categoria de ‘outros’. A regularização está ocorrendo agora e vai mostrar dados surpreendentes”, afirma o professor Victor Pelaez, líder de um grupo de pesquisadores que trabalha no programa.


Por detrás da lógica pesada de utilização de agrotóxicos está o agronegócio e as monoculturas. O agronegócio mantém um permanente lobby sobre o Ministério da Agricultura e sobre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O objetivo do lobby é flexibilizar a fiscalização e fazer com que a Anvisa libere a comercialização de agrotóxicos no país, como já se disse, muitos deles já proibidos e banidos na China, EUA e na União Europeia.

As maiores vítimas, porém do uso de agrotóxicos acabam sendo pequenos proprietários rurais. Há relatos diários de envenenamento de uso indiscriminado de substâncias perigosas a saúde. Os agrotóxicos ocupam o quarto lugar no ranking de intoxicações do País.

Particularmente no Paraná a situação é alarmante. Estudo do Ipardes destaca que os agricultores paranaenses utilizam 12 quilos de agrotóxicos por hectares – a média nacional é de 4 quilos por hectare (kg/ha). É em função do crescimento alarmante dessa realidade que a 9ª Jornada Agroecológica iniciou uma campanha para pôr fim à utilização de agrotóxicos: “O projeto visa denunciar esse modelo das grandes empresas, que só gera doença e, ao mesmo tempo, fazer propaganda, informar a população e explicar tudo o que os agricultores estão fazendo por uma agricultura mais soberana”, explica Roberto Baggio do MST.

Segundo Baggio, “todo modelo que aí está e toda a estrutura do Estado, está formada, orientada e formatada para privilegiar só a agricultura química, do veneno, então há de se fazer toda uma luta em nível de Brasil, de estado, de região, para ir mudando essa cultura das transnacionais”. Ele completa que “este novo projeto de agricultura, dos pequenos, familiares, da reforma agrária, está ganhando espaço, ganhando corpo e nós estamos avançando, e na medida em que nós formos avançando, esse conjunto de obstáculos vão sendo superados e haverá o avanço da agroecologia como a grande matriz do futuro”.

Além da permissividade e política deliberada do agronegócio na defesa dos agrotóxicos poder-se-ia citar ainda a permanente política dos ruralistas na defesa dos transgênicos, dos agrocombustíveis, a defesa das teses que procuram desacreditar as pesquisas que atestam o aquecimento global e o combate às regras da legislação ambiental.

Como se pode observar a questão agrária envolve uma permanente tensão e disputa entre modelos distintos para o campo brasileiro, modelos esses que tem repercussões na vida econômica, social e política brasileira. No contexto desse embate e tendo presente a conjuntura política eleitoral, uma série de organizações lançou nesses dias a “Plataforma Política para a Agricultura Brasileira”.

Segundo essas organizações e movimentos, “o atual modelo agrícola imposto ao Brasil pelas forças do capital e das grandes empresas é prejudicial aos interesses do povo. Ele transforma tudo em mercadoria: alimentos, bens da natureza (como água, terra, biodiversidade e sementes.) e se organiza com o único objetivo de aumentar o lucro das grandes empresas, das corporações transnacionais e dos bancos”.

Destacam os movimentos que “precisamos urgentemente construir um novo modelo agrícola baseado na busca constante de uma sociedade mais justa e igualitária, que produza suas necessidades em equilíbrio com o meio ambiente”.

Conjuntura da Semana. Uma leitura das ‘Notícias do Dia’ do IHU de 26 de maio a 02 de junho de 2010

A análise da conjuntura da semana é uma (re)leitura das ‘Notícias do Dia’ publicadas, diariamente, no sítio do IHU. A presente análise toma como referência as “Notícias” publicadas de 26 de maio a 02 de junho de 2010. A análise é elaborada, em fina sintonia com o IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT – com sede em Curitiba, PR, parceiro estratégico do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

(Ecodebate, 04/06/2010) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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