Destruindo o meio ambiente, artigo de Maurício Gomide Martins

[EcoDebate] Uma empresa de vulto internacional está instalando grande fábrica de cerveja em determinada cidade de Minas Gerais. Será a segunda maior indústria da espécie no Brasil, ocupando imensa área. Para tanto, reuniram-se as autoridades municipais, os representantes da mencionada indústria e o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, órgão integrante da administração local para tratar e resolver os trâmites burocráticos, de forma que a empresa ficasse legalmente habilitada para iniciar as obras no menor prazo possível. E os representantes da indústria saíram com a aprovação total.

Imaginamos como terá ocorrido tal reunião. Naturalmente, depois de pagas todas as taxas, o mencionado Conselho, por unanimidade, aprovou o corte de 140 árvores frutíferas nativas, condenando à morte todo o bioma da área, sob promessa de compensações. Deveriam ser substituídos, teoricamente, todos os seres vivos, macro e micro, (não só as árvores). Segundo supomos, as autoridades presentes devem ter declarado mais ou menos assim: “se é para o progresso, aprovamos”.


Para formalidade de aparências e tranqüilidade de consciências, exigiram que, em troca, a empresa prometesse plantar outras árvores em outros lugares e em tempos futuros. Trocaram um ato concreto de morte e destruição por uma vaga promessa, cuja efetividade já conhecemos há muito tempo. Ninguém foi ouvir a opinião das árvores mártires nem da biodiversidade existente no solo.

Essas ações nos fazem compará-las com as que ocorreram outrora na ilha de Páscoa, quando os nativos cortaram todas as árvores em benefício da fabricação de moais de pedra, seus deuses. Decisões daquela época devem ter sido parecidas: “se é para louvar nossos deuses, aprovamos o corte de árvores.” E todos sabem das conseqüências para os habitantes daquela ilha, sem o suporte de seus seres vivos vegetais.

Além desses tais Conselhos Municipais, conta o Estado de Minas Gerais com os seguintes órgãos oficiais para defesa do meio ambiente:

1) Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema);

2) Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad);

3) Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam);

4) Instituto Estadual de Florestas (IEF);

5) Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam);

É muita gente ganhando para defender o meio ambiente. Bem entendido: defender no faz-de-conta. Porque não vemos ações efetivas; só discursos.

Descrevemos acima um fato concreto, ocorrido há dias, que deve estar harmonizado com os outros órgãos oficiais por esse Brasil afora, cuja verdadeira função é fingir que defendem a Natureza, mas que, na efetividade, ungem os atos do esquema econômico. São, portanto, instrumentos que servem ao senhor lucro e, em conseqüência, apressam o suicídio da humanidade.

Como podem tantos órgãos ambientalistas oficiais terem tanta omissão, tanta hipocrisia, tanta irresponsabilidade!!?

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

EcoDebate, 01/06/2010

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