Monitoramento de emissões atmosféricas, artigo de Roberto Naime

poluição
Foto: Der Spiegel

[EcoDebate] Quando ocorre poluição ou degradação dos solos, existem mecanismos e tratamentos para corrigir os danos, embora os mesmos sejam muito caros.
Quando ocorre poluição das águas, quer seja por se tratarem de esgotos, quer sejam efluentes industriais, existem tratamentos para as águas, antes que as façamos retornar para as redes de drenagem superficiais.

Quando o problema é lixo doméstico ou industrial, ou como se diz a gestão dos resíduos sólidos, podem ser tomadas inúmeras medidas para a gestão. Redução na geração, segregação na origem, acondicionamento e transporte interno, destinação para reutilização ou reciclagem, destinação para aterros sanitários ou aterros de resíduos industriais perigosos – ARIPs.


Mas quando o problema é a poluição do ar? Nisto estamos formados no Mato Grosso. Não é possível recolher o ar para tratar. Não tem como. O que se pode é monitorar (isto é controlar) o ar, e torcer para que as condições climáticas favoreçam a dispersão atmosférica dos poluente.

Ou torcer para iniciarem as precipitações pluviométricas ou período das chuvas, como se faz aqui no Mato Grosso. Tem até autoridade que culpa São Pedro pela poluição atmosférica e muita gente deve levar isto a sério, porque até votam no coitado do São Pedro em enquetes promovidas por sites.

Existem as chamadas fontes fixas que são as chaminés de caldeiras de indústrias, fábricas ou complexos petroquímicos e fontes móveis, que são os veículos automotores.

O que mais se monitora? Os principais itens são monóxido de carbono (CO), dióxido de enxofre (SO2), óxido de Nitrogênio (NO), dióxido de Nitrogênio (NO2), hidrocarbonetos (HC), e materiais particulados (MP) que são popularmente conhecidos por fuligem, e constituem aquele material cinzento que é emitido por uma fonte.

Uma pessoa adulta inspira cerca de 10 mil litros de ar por dia. Este valor varia em função da atividade física de cada um. Em geral, não é necessário, nem possível, corrigir a composição do ar que se respira, sendo esta a principal diferença entre o consumo de ar e o consumo de água ou poluição de solo ou gestão de resíduos sólidos.

A água passa por um tratamento prévio, o que a torna um produto industrial para ser consumido, assim como esgotos ou efluentes podem passar por tratamentos.

O ar deve ser consumido exatamente como existe na natureza. Por este motivo, é muito importante que a sociedade entenda e respeite as medidas de preservação da qualidade do ar.

Existe uma enorme quantidade de resoluções e leis sobre o tema, desde a resolução 18/1986 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) que instituiu o PROCONVE (Programa de Controle de Poluição do Ar por veículos automotores), destacando-se ainda as Resoluções CONAMA 03, 04 e 05/1989.

Mas além da convicção que todos devem ter de que não é possível prender o ar para fazer um tratamento, assim como se pode fazer com água, solo ou lixo, o conceito de inversão térmica merece um detalhamento. O que é inversão térmica. Todos nós sabemos que a terra é quente e a partir da terra o ar vai se esfriando, de forma que quando andamos de avião, a temperatura é absurdamente fria fora da aeronave.

Mas sabemos também que o ar quente sobe ou se mantém alto quando chaminés de fábricas o lançam em alturas e assim esta camada mais quente sobre uma camada mais fria de ar, impede a dispersão dos poluentes num fenômeno conhecido como inversão térmica.

A inversão térmica hoje ganha muita importância em grandes centros urbanos industriais como São Paulo, pois muitas vezes impede a dispersão atmosférica dos poluentes e a melhoria da qualidade do ar.

Roberto Naime, Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS, é articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 31/05/2010

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