Estudo do Inpa avalia valor nutricional de peixes da Amazônia

O pacu foi uma das espécies avaliadas na pesquisa: barato e nutritivo
O pacu foi uma das espécies avaliadas na pesquisa: barato e nutritivo

Em nenhum outro lugar do Brasil come-se tanto peixe como no Amazonas. Segundo dados do Ministério da Pesca e Aquicultura, o amazonense consome cerca de 35kg de pescado por ano, enquanto a média nacional está oscila entre 7kg e 8kg. Estimulado por essa realidade, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Rogério Souza de Jesus realizou um estudo sobre o perfil nutricional de sete espécies ainda pouco utilizadas na cozinha do Norte do país. “A ideia era agregar valor a essas espécies para que elas componham a dieta dos povos da Amazônia”, explica Jesus. Reportagem de Silvia Pacheco, no Correio Braziliense.

Foram analisados o pacu, o jaraqui, a branquinha, o curimatã, a pirapitinga, o aracu e o mapará. A carne dos animais possui elevados níveis de proteína, sais minerais e ácidos graxos para uma dieta saudável e balanceada. “O valor nutritivo desses peixes é igual ou maior que o das espécies marinhas”, afirma o cientista.

No jaraqui, foi encontrada a maior concentração de ácidos graxos do tipo ômega3, que previnem doenças coronarianas. Já o mapará foi a única espécie estudada onde identificaram-se altas concentrações de gordura e menor valor protéico. “O marapá possui 20% de gordura, enquanto o jaraqui tem cerca de 2%, sendo tido como um peixe semigordo. Contudo, isso não quer dizer que o filé do mapará não seja nutritivo e que ele não possa suprir todas as necessidades nutricionais de um ser humano”, explica Jesus.

Também foram observadas em algumas espécies altas concentrações de ácido palmítico e ácido oleico ou ômega 9, fundamentais para o metabolismo humano, pois atuam na síntese de hormônios e na absorção de vitaminas. Outra importante descoberta foi a ocorrência de ácidos linoleico e linolênico em concentrações similares às dos peixes marinhos brasileiros. O primeiro tipo apresenta efeitos importantes no metabolismo das gorduras do corpo. Já o ácido linolênico auxilia no sistema imune e reprodutivo e no metabolismo do colesterol, entre outras qualidades.

Merenda escolar
Com o perfil nutritivo dos peixes elaborado, foi possível desenvolver produtos derivados dos pescados para seu melhor aproveitamento. A base desses produtos é o picadinho de peixe, obtido pelo processamento da carne desossada e limpa, sem pele, escamas e espinhas. “Não há perda proteica nesse produto pela forma como é processado. Ele tem as mesmas propriedades nutricionais existentes na carne fresca do peixe”, esclarece Jesus. Do picadinho pode ser feito peixeburguer, bife, tortas e bolinhos, que abastecem o cardápio servido em escolas públicas da região.

Segundo Jesus, o baixo valor comercial desses peixes possibilita seu uso em larga escala. Emiko Resende, coordenadora do projeto Bases Tecnológicas para o Desenvolvimento Sustentável da Aquicutltura no Brasil, desenvolvido pela Embrapa, afirma que os resultados da pesquisa ajudam no desenvolvimento sustentável da região. “Agora, se conseguirmos entrar com o cultivo sustentável delas, vamos contribuir muito para a manutenção dos hábitos alimentares desses povos”, avalia.

EcoDebate, 19/05/2010

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