1º Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas aponta anemia entre crianças e peso acima do normal entre mulheres

Uma de cada cinco crianças indígenas de até 5 anos no Brasil tem estatura menor do que o esperado para a sua idade. Mais da metade sofre de anemia. Na Região Norte, a situação é ainda mais grave: 41,1% está abaixo da estatura esperada para a idade e 66% tem anemia. Os dados são do 1º Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, divulgado ontem (11) pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Segundo a pesquisa – feita em 2008 e 2009 pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), com financiamento do Banco Mundial, sob encomenda da Funasa – mais de 19% das crianças indígenas de todo o país foram hospitalizadas nos 12 meses antes do levantamento, principalmente por pneumonia e diarreia.

De acordo com o inquérito, quase 38% das crianças indígenas nortistas tiveram diarreia na semana que antecedeu à pesquisa. Os dados foram coletados aleatoriamente em 5.277 domicílios, em 113 aldeias de todo o país. Foram examinadas informações de 6.285 crianças e de mais 6.707 mulheres de 14 a 49 anos.

Entre as mulheres indígenas, chama atenção a ocorrência de problemas de saúde verificados na população urbana não indígena: peso acima do normal (30,2%); obesidade (15,7%); e pressão arterial (8,9%); e também problemas de nutrição como anemia: 32,7% em mulheres e 35,2% em gestantes.

De acordo com os especialistas, a existência de doenças que apontam para dois extremos – desnutrição, de um lado e obesidade, de outro – se devem à chamada “transição epidemiológica” e mantêm relação com o meio onde os índios vivem. A incidência dos problemas nas mulheres indígenas, por exemplo, varia de acordo com a região: cerca de 47% das mulheres da Região Norte (mais rural) tinha anemia e 22,4% das índias das regiões Sul e Sudeste (mais urbanizadas) sofriam com obesidade e 12% com pressão arterial.

De acordo com o diretor substituto do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Flávio Pereira Nunes, os índios da Região Norte sentem o impacto do desmatamento e da exploração de recursos naturais e começam a mudar de comportamento: em vez do plantio coletivo de alimentos mais variados da aldeia predomina a agricultura de subsistência familiar.

Em outras regiões, o avanço da urbanização é um fator que leva à mudança de hábitos alimentares e da cultura. “O índio não é um fóssil vivo ou um animal pré-histórico congelado. Um jovem indígena é tão curioso como um jovem que frequenta escola da classe média em Brasília. Isso faz parte de um processo de incorporação de outros elementos culturais, mas não quer dizer que ele está deixando de ser índio”, aponta o pesquisador Carlos Coimbra Junior, um dos coordenadores do estudo.

Os dados do inquérito epidemiológico indígena subsidiarão a atuação da futura Secretaria de Atenção à Saúde Indígena que será criada no Ministério da Saúde, após aprovação da Medida Provisória 483. A criação da secretaria que retira da Funasa o atendimento a essa população atende reivindicações dos indígenas que criticavam a atuação da fundação.

Acesse aqui a apresentação de alguns resultados do Inquérito Nutricional Indígena.

Nos próximos dias a Funasa divulgará informações e conclusões sobre os principais temas abordados no I Inquérito Nacional de Alimentação e Nutrição e a sua íntegra.

Reportagem de Gilberto Costa, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 12/05/2010

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