Passeata no Rio reúne mais de 400 pessoas em defesa do Projeto Ficha Limpa, que pode colocado em votação terça-feira

Passeata no Rio reúne mais de 400 pessoas em defesa do Projeto Ficha Limpa
Foto: O Globo

Mais de 400 pessoas, entre estudantes, políticos e artistas, realizaram uma passeata ontem (2), na orla das praias de Ipanema e Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, em defesa do Projeto Ficha Limpa. A manifestação chamou a atenção e ganhou o apoio de muitos cariocas que aproveitavam o dia de sol forte na praia.

O objetivo da manifestação foi pressionar os parlamentares a aprovar o projeto ainda a tempo de impedir que candidatos condenados pela Justiça disputem as próximas eleições. O projeto poderá ser votado pela Câmara dos Deputados nesta semana.

Temer quer que Projeto Ficha Limpa seja votado nesta semana

O projeto de lei que amplia os casos de inelegibilidade de políticos, com a proibição da candidaturas de pessoas que respondam a processos judiciais, deve ser colocado em votação terça-feira (4) na Câmara dos Deputados. A intenção do presidente Michel Temer (PMDB-SP) é votar a urgência e, caso seja aprovada, convocar uma sessão extraordinária exclusivamente para apreciar o Projeto Ficha Limpa.

Para alguns parlamentares, como o líder do Democratas (DEM), Paulo Bornhausen (SC), a pressão social tem repercutido na Casa e acelerado as negociações. Ontem (2), foi realizada uma passeata no Rio de Janeiro pela aprovação do projeto. Até terça-feira, estão previstas manifestações e coletas de assinaturas em cidades de São Paulo e do Pará.

“O que vem acontecendo é uma expressão da opinião pública. A sociedade montou uma agenda [de prioridades] e agora cobra uma atitude do Congresso Nacional”, afirmou o líder do DEM, que considera possível a votação da matéria nesta semana. Para ele, se o texto não for alterado no Senado, o Projeto Ficha Limpa tem todas as condições de ser aprovado pelo Congresso até junho.

Caso contrário, Paulo Bornhausen ressaltou que o Parlamento será o maior prejudicado por não conseguir deliberar sobre um tema imposto pela própria sociedade e que fatalmente repercutirá nas eleições de outubro. “O maior prejudicado será o Congresso como um todo, não só os candidatos”.

O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), no entanto, é mais cauteloso. Ele reconhece a importância das manifestações e seus impactos nos congressistas. Entretanto, o deputado considera fundamental que os líderes partidários apresentem um texto de consenso, apoiado pela maioria, que permita aprovar a matéria em plenário.

“O que se faz no Congresso é tentar chegar a um texto que nos dê segurança que será aprovado. Se fosse para jogar para a torcida, os deputados votariam o projeto de qualquer jeito e mandariam ao Senado”, disse Berzoini.

O petista considera difícil a votação do Projeto Ficha Limpa nesta semana. O que deve ocorrer, segundo ele, é uma intensa negociação entre os líderes para amarrar um texto de consenso e votar a matéria na próxima semana.

Ricardo Berzoini alertou para a necessidade de evitar “injustiças”, com a ampliação dos casos de inelegibilidade. Para ele, é necessário criar condições para que políticos condenados pela Justiça, em primeira e segunda instâncias, tenham o direito de se candidatar desde que os processos não estejam vinculados à prática de crimes de corrupção ou de improbidade administrativa.

Reportagem de Nielmar Oliveira e Marcos Chagas, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 03/05/2010

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