Enchentes no Rio e em SP mostram a urgência da gestão integrada de resíduos sólidos

Workshop na Firjan discute a importância da gestão integrada dos resíduos da construção e demolição (RCD) – um dos maiores responsáveis pelas enchentes e inundações nos grandes centros urbanos. Prefeitura do Rio vai regulamentar a reutilização do entulho de obras

Considerado um dos maiores responsáveis pelas enchentes, inundações nos grandes centros urbanos, como as que ocorreram nesta madrugada de terça-feira (06/04), no Rio de Janeiro, e vem ocorrendo com frequência em São Paulo, os resíduos da construção e demolição – o popular entulho de obras – vão ser tema de um workshop na sede da Firjan, no próximo dia 20 deste mês, reunindo atores importantes como a Caixa Econômica Federal (CEF), prefeitura do Rio, órgãos estaduais do governo e empresas de construção e de limpeza urbana, para discutir modelos e soluções para o problema, que é uma exigência da FIFA para a Copa do Mundo na reforma e construção de estádios.

Uma das novidades, que deverá ser detalhada durante o evento pelo Gerente de Planejamento da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio de Janeiro, Nelson Machado, é o projeto do Executivo do Rio destinado a regulamentar o uso de agregados sólidos resultantes de resíduos da construção civil e demolição, cuja minuta do decreto aguarda apenas a aprovação do prefeito Eduardo Paes. Estes materiais decorrentes da construção civil e demolição agora serão processados por duas empresas já licenciadas pelos órgãos governamentais e serão usados no asfaltamento de ruas.

Ainda segundo Machado, os custos do material resultante da construção e demolição são de 20 a 30% mais em conta em relação à extração do agregado natural, que envolve a implosão de pedreiras. Outro ponto importante a ressaltar é a nova linha de crédito criada pelo BNDES para o fomento à contrapartida de materiais reciclados, já visando a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O volume de entulho gerado nas atividades de construção e demolição na maioria das grandes cidades é duas vezes maior que o volume de lixo sólido urbano. Somente na cidade de São Paulo, este volume chega a 2.500 caminhões por dia, de um total de 15 mil toneladas de lixo geradas diariamente (lixo residencial, de saúde, restos de feiras, podas de árvores, entulho etc.), na capital paulista. São diversos materiais que podem ser reciclados e reaproveitados durante o processo construtivo como plástico, papel e ferro, mas acabam dispostos de forma inadequada em ruas e calçadas, obstruindo córregos e sistemas de drenagens, colaborando com enchentes, favorecendo a proliferação de mosquitos e outros vetores.

Além de Nélson Machado, foram convidados para o Workshop sobre Gestão Integrada dos Resíduos da Construção e Demolição na Firjan o superintendente nacional de Infraestrutura e Saneamento da Caixa, Rogério Tavares, que confirmou presença; o Superintendente de Qualidade Ambiental da Secretaria do Ambiente do Estado do Rio, Walter Plácido; a Coordenadora Geral do PBQP-H da ABNT, Maria Salette de Carvalho Weber; o Diretor de Planejamento e Gestão da Superintendência de Limpeza Urbana da Prefeitura de Belo Horizonte, Lucas Paulo Gariglio; o arquiteto Tarcísio de Paula Pinto, da I&T, consultor responsável pela elaboração da cartilha de gestão integrada de resíduos elaborada pela Caixa, além de outros técnicos e autoridades

Política para os resíduos

Na área de Resíduos da Construção e Demolição (RCD), as informações no Brasil são escassas, mas a participação no Produto Interno Bruto (PIB) da área de atividade de onde se originam – a construção civil – é, como em outras partes do mundo, bastante significativa. Em 2002, correspondeu a 8% do PIB. A cadeia produtiva da construção civil consome entre 14% e 50% dos recursos naturais extraídos do planeta; no Japão corresponde a 50% dos materiais que circulam na economia e nos Estados Unidos representa cerca de 75%.

No Brasil, os RCD constituem considerável massa dos resíduos sólidos urbanos: cerca de 51% a 70%, segundo o Ministério das Cidades. Quando mal gerenciado, esse grande volume de resíduos degrada a qualidade de vida urbana, sobrecarrega os serviços municipais de limpeza urbana e reforça no país a desigualdade social, através da drenagem de escassos recursos públicos para pagar a conta da coleta, transporte e disposição de resíduos depositados irregularmente em áreas públicas. Conta esta que, na realidade, é de responsabilidade dos geradores.

Na Europa, a média de reciclagem dos RCD é de 28% e vem crescendo aceleradamente, ganhando um uso mais nobre. Nos Países Baixos, chega a 90% (em 2000 foram aproveitados 16,5 milhões de toneladas de resíduos da construção).

Caminhos e soluções

Organizado pela Planeja & Informa Comunicação e Marketing, empresa com mais de 20 anos de experiência na área de Saneamento Ambiental, o evento pretende reunir técnicos das áreas de limpeza urbana de prefeituras e gestores públicos, engenheiros, arquitetos, empreiteiros, administradores, consultores, executivos dos governos (federal, estaduais e municipais), ministérios, associações de classe, empresários, prestadores de serviços e universidades (públicas e privadas), ONGs e Ministério Público. A programação do workshop será apresentada através de palestras e painéis.

Gestão Integrada  dos Resíduos Sólidos Urbanos

Para se inscrever basta preencher a ficha em anexo, clicando no link e encaminhar para:

cristiana.iop@planejabrasil.com.br

TAXA DE INSCRIÇÃO – R$ 250,00

Data: 20/04/2010

AGENDA

08:30 ÀS 09:00                   CREDENCIAMENTO

* Em processo de confirmação

09:00 ÀS 10:00                   PALESTRA DE ABERTURA

“O impacto dos resíduos da construção e demolição na vida urbana”

Convidado:

Tarcisio de Paula Pinto – Arquiteto – I&T Informações e Técnicas em Construção Civil (Confirmado)

10:00 ÀS 11:00                   PAINEL

“Resolução 307 – Gestão adequada do RCD”

Convidados:

Marcos Pellegrini Bandini, Gerente de Projeto do Departamento de Ambiente Urbano da Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente

Maria Salette de Carvalho Weber, Coordenadora Geral do PBQP-H (Confirmado)*

ABNT

11:00 ÀS 11:20                   INTERVALO

11:20 ÀS 12:20                   PALESTRA

“Modelos de Gestão dos RCD – A experiência do Sinduscon-SP”

Convidado:

André Aranha Campos, Coordenador do Comitê de Meio Ambiente do Sinduscon-                SP

12:20 ÀS 14:00                   INTERVALO PARA ALMOÇO

14:00 ÀS 14:30                   Estudo de Caso

Convidado:

Prefeitura de Americana

14:30 ÀS 15:00                   Estudo de Caso

. Programa de Gestão de Resíduos para os municípios da Baixada Fluminense

Convidados:

Walter Plácido, Superintendente de Qualidade Ambiental da Secretaria Estadual de Ambiente do Rio de Janeiro

15:00 ÀS 16:00                   PALESTRA

“Manejo e Gestão de Resíduos da Construção Civil – Como e onde conseguir Financiamento”

Convidado:

Rogério de Paula Tavares, Superintendente Nacional de Saneamento e Infra-estrutura da CAIXA (Confirmado)

16:00 ÀS 16:20                   INTERVALO PARA O CAFÉ

16:20 ÀS 17:20                   PALESTRA

“Produtos e serviços”

. Fabricantes de materiais, equipamentos

. Prestador de serviços (gestão de resíduos)

17:20 ÀS 18:20                   Estudo de Caso

“Modelos de 3R’s”

. Sustentabilidade na construção

Convidado:

Empresa de construção

. Prefeitura de Belo Horizonte – “Projeto Sustentador: Coleta, Destinação e Tratamento de Resíduos Sólidos”

Convidado:

Lucas Paulo Gariglio, Diretor de Planejamento e Gestão da Superintendência de Limpeza Urbana da Prefeitura de Belo Horizonte (Confirmado)

. Prefeitura do Rio de Janeiro

Convidado:

Nelson Machado, Coordenadoria de Resíduos Sólidos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio de Janeiro

EcoDebate, 15/04/2010

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