Educar para um mundo novo: Nada substitui a ética, artigo de Américo Canhoto

Educar para um mundo novo: Nada substitui a ética

ALERTA AOS JOVENS: Educação é a construção do indivíduo e da sociedade

[EcoDebate] Exceto em alguns rincões onde as pessoas se orgulham de atingir postos de relevância com pouco ou nenhuma instrução – o sucesso ou insucesso pessoal, ou de um povo, são conseqüências educacionais. Desse fato quase ninguém de bom senso discorda.

Até a doença, nada mais é, do que, falta de educação para a saúde…

Todo e qualquer problema humano deriva da falta de educação – claro que não deve ser confundida com simples instrução; só que, a educação para nada serve sem o treinamento – ela deve sempre ser aplicada, pois ninguém deve, inutilmente, ocupar lugar na sociedade; pois, isso é uma forma de parasitismo.

O parasitismo consiste em consumir, sem produzir. Todos consomem, todos devem produzir. Todo aquele que sabe, e é inativo, é parasita. A moderna empresa de hoje já sinaliza que: a sociedade do futuro não comporta parasitas; e quando essa filosofia chegar ao serviço público; estaremos às portas de um mundo novo.

Não; entre candidatos a seres humanos; não há desculpas; nem direitos adquiridos de forma espúria; já que, ao longo da evolução, a natureza oferece os mesmos recursos a tudo e a todos, e dá ao homem o direito e o dever de discernir, de escolher entre estar vivo ou estar morto-vivo ou parasita, entre continuar íntegro no game da vida ou pedir para sair; para ir brincar em outro tipo de jogo…

Viver é estar em permanente treinamento: E, treinamento bem direcionado conduz à realização.

Requisitos da realização: desejar / saber desejar / alcançar-merecer – velho adágio: querer é poder; é absolutamente inverídico – pois, não basta querer é preciso trabalhar.

Pesquisar é fundamental.

A vida também se constitui de pesquisas no laboratório cósmico.

E a auto-pesquisa é o caminho que conduz ao conhecimento de nós mesmos; das nossas possibilidades; este sim, o único caminho capaz de gerar a motivação da busca de melhor qualidade pessoal em tudo que se faz.

Esses são, em linhas gerais, os conceitos analisados durante o presente bate-papo, no qual tentamos fundir e integrar conceitos como: razões para viver, ética, evolução, trabalho, educação, treinamento, auto-realização e saúde.

Enfim, alguns dos componentes que constituem nossa vida e nossa qualidade de vida. Pois, hoje, a vida vegetativa (depender de esmolas e dos outros) não basta mais; é preciso viver com qualidade e a dignidade que todos merecemos.

A escola e a educação pararam no tempo.

“Roda moinho; roda pião”.
O mundo mudou de repente?

Muito; mas, nem tanto que não fosse possível acompanhar; se os adultos tivessem se preparado; se adequado aos novos tempos; ao invés de procurar gananciosa e sofregamente aproveitar as facilidades e os prazeres da antiga modernidade atropelando a ética e a moral instituída – sim; hoje já vivemos a pós-modernidade (começamos a recuperar a ética cósmica) – em todo planeta, as crianças estão cada vez mais diferenciadas: mais bonitas (em breves anos Gaia abrigará o DNA de seres humanóides lindíssimos); mais altos (principalmente em estatura ética e moral); mais definidos (não mais haverá os medíocres que querem viver em cima do muro); isso é fato inegável – quem estiver por aqui verá.

As crianças da atualidade estão deixando os adultos pouco competentes com os cabelos em pé; pois estão destruindo os “pilares da educação tradicional”: medo, mentira, suborno, chantagem.

Exceto os normais acelerados (seu DNA cultural os tornará cópia fiel dos adultos normais com todas as suas mazelas morais e doenças – um detalhe é que terão vida bem mais curta que seus pais conforme já avisou a OMS); boa parte das crianças da atualidade não tem tanto medo; aí reside o desconforto dos adultos normais ao perceberem que perderam o controle – eles são questionadores incansáveis – se você mentir para eles será desmascarado na hora – se usar de suborno e chantagem estará perdido; pois, eles dominam com facilidade os ardis dos adultos normais. Esse é um assunto para outros bate papos.

Hoje, me interessa a conexão com os jovens aflitos – angustiados; amedrontados com as perspectivas do futuro; quase em depressão; pânico; surto psicótico – especialmente, aqueles que, perceberam que vida e escola estão cada vez mais separadas.

Preocupo-me com as crianças que atendi no consultório e que, hoje, se angustiam ao descobrir que vão desperdiçar um terço da existência recebendo informações desatualizadas que de nada lhes servirão; pois, escola e vida estão cada vez mais distantes.

A escola de qualquer nível ou especialização, hoje, ainda não forma profissionais ligados aos problemas da vida real.

Até porque, o ensino, em boa parte, é gerenciado por empresários advindos da educação formal; pouco escrupulosos e não por indivíduos comprometidos com sua qualidade pessoal de educadores. Predomina a educação informativa, e não formativa.

Sofrem os jovens, também, por interagir com os objetivos e valores dos adultos que os cercam, especialmente, os dos familiares, que cobram deles: um correr atrás de não sei do quê; que certamente vai torná-los tão infelizes, neuróticos e tão hipócritas quanto eles. “Ser ou não ser” como eles?

Eis o sempre atual dilema de Shakespeare, que só vai ser resolvido com o “abrir das cabeças” segundo o “linguajar jovem”…

Esta fase do chamado “ensino oficial” já se esgotou; assim como a chamada ciência oficial.

Preparemo-nos para uma formidável e saudável crise.

Crise é oportunidade de crescimento para quem pensa e quer fazer uso dela; para os outros, é época de sofrer.

Está em andamento um fantástico processo de ruptura, e nenhum processo de ruptura é retornável, é uma reação em cadeia, já que sempre, mais e mais indivíduos estão rompendo com os velhos valores.

É pena que a maioria das pessoas ligadas ao sistema educacional teime em permanecer num barco que visivelmente está afundando, paralisadas e imobilizadas pelo medo, pela preguiça, e pelos interesses dos poderosos, pouco escolarizados, ainda de plantão.

Na realidade, a educação tem que ser objetiva; permanente; e prática, pois conhecimento de nada serve sem a prática, é peso morto, desperdício, inferno de consciência; ela deve sempre estar alinhada aos objetivos da evolução; pois, todos nós estamos a ela ligados no cotidiano.

A escola deixou de interagir com o jovem.

Principalmente com aquele que já busca definir seus anseios, e aspira diferenciar-se da maioria normal.

Também, e principalmente, com aquele jovem ainda desorientado que, por falta de melhores espelhos projetivos, quando cercado de adultos infantilizados, tenta se diferenciar deles a qualquer custo. Seja pela mutilação a si mesmo, espetando “badulaques” pelo corpo; pela agressão sonora e visual aos valores de seu grupo social; ou pela busca desenfreada do prazer através da relação sexual precoce e sem responsabilidade; ou ainda, através do uso do cigarro; da bebida; e da droga. Nessa condição, alguns jovens tentam revidar à falta de atenção de adultos; pois não conseguem conexão nem junto à própria família consangüínea.

Esses jovens tentam, com o seu comportamento, agredir os valores de seus pais e de mães – eles não percebem; mas assim agindo, estão oferecendo aos adultos, com a crise desencadeada por esse seu comportamento, a chance para que eles possam refazer seus destinos e alçar suas vidas a um patamar diferente de seu inexpressivo cotidiano. Embora, sem ter consciência disso, sem atinar para o fato, ele, o jovem inconformado, funciona pela sua própria ainda pouca competência, como uma ferramenta contundente e também, sem ter plena consciência do que faz; o jovem rebelde vinga-se também do cinismo social.

É preciso rebelar-se; discordar para não perder a fé no mundo; no nosso futuro e em nós mesmos.

É necessário que tenhamos um número cada vez maior de jovens rebeldes contra a hipocrisia social.

Rebeldes sim; mas com inteligência; rebeldes criativos; corajosos; conhecedores das leis naturais de evolução; progressistas; empreendedores; pois, o conformismo diminui a criatividade.

É preciso, aproveitar ao máximo a criatividade do jovem para o progresso coletivo; pois, a socialização crescente restringe a criatividade natural; atribuindo julgamentos de valor passageiros e da cultura da época; do tipo: bom ou mau; certo ou errado; próprio ou impróprio. Julgamentos impostos de fora para dentro criando limitações. Porém, os jovens devem estar atentos para uma lei natural; a das experiências acumuladas: ninguém progride sem o concurso daqueles que já progrediram. Nem todos os adultos são totalmente hipócritas, nem totalmente aproveitadores.

Hoje, ser um bom aluno na escola não é mais suficiente.

Por isso, o jovem deve despertar rapidamente, para a realidade de estar investindo em si mesmo e, deixar a antiga e ortodoxa filosofia de preocupar-se apenas em ser um bom aluno; fazer suas lições; tirar boas notas nas provas; “passar de ano”.

Quem quiser participar adequadamente desta nova fase mundial e, “entrar com o pé direito” no novo milênio em andamento; deve lembrar-se que: no sistema em que vivemos, “tempo é dinheiro” e progresso. Portanto, o momento certo de começar o futuro é agora, já, não importa em que fase da vida escolar se encontre. Há alguns anos atrás, o indivíduo poderia deixar para pensar o que gostaria de ser na vida prestes a se especializar; porém, hoje, quem não identificar cedo o que deseja ser, com certeza, não o será…

E para os jovens (em cronologia) de hoje, vale ainda, outro alerta: a maioria dos indivíduos mantidos na escola, muitas vezes, do berçário à universidade, quando graduados, tornam-se desempregados de luxo, não encontrando o que fazer no mercado de trabalho, necessitando retornar à Universidade para intermináveis reciclagens. Isso quando não aderem preguiçosamente à profissão de filhos, “dependentes” para sempre.

Defasagem entre adquirir conhecimento e a prática.

Sem dúvida, a humanidade nunca acumulou tanto conhecimento como nesta Era atual, especialmente nos últimos quarenta anos. Detemos hoje um padrão de conhecimento tecnológico nunca visto no planeta, pelo menos, até onde vão nossos registros. Mas, um importante aspecto a ser considerado, é o uso ainda inconsciente que as pessoas fazem dos produtos da tecnologia, já que ela é usada de forma irracional, mecânica, e quase troglodita. Em especial, existe um abismo, entre o uso individual da tecnologia aplicada aos objetos do cotidiano; e a aplicação do conhecimento e tecnologia para o real progresso individual e coletivo. Falta equacionar o sistema para que todos ganhem…

A globalização criou o analfabeto informatizado.

Quanto às leis naturais da evolução, a escola e a educação pararam no tempo na maioria dos países. Desse modo, nossa visão de mundo interno é muito pobre, imaturos que somos, principalmente, no campo da afetividade, das relações sociais, da religiosidade, da ética e da moral. Progredimos sim, sem dúvida; mas, estamos em defasagem quanto à polaridade intelecto-ética.

Nós nos atrasamos; estamos hoje, todos, ás voltas com uma interpretação de um mundo complicado, interligado e imprevisível; as coisas para nós, não estão funcionando bem, pois além do atraso, usamos um modelo sistemático ou assistemático, isoladamente, para orientar e limitar nossas decisões, e o que é pior: segundo conceitos pré-determinados por outros, sem contestação, sem discórdia, sem revolução íntima.

Hoje há, mundo afora, indivíduos que, digitando senhas ou apertando simples botões, são capazes de produzir destruição nunca antes vista ou imaginada.

Este é um assunto interminável; mas finalizamos com uma dica:

Não importa tanto sua escolha profissional; tanto faz que tenha optado por um curso “normal”; técnico ou tenha escolhido construir sua própria profissão através de um mix de cursos mais rápidos e, as intermináveis pós (isso é lei da vida – eterna busca do conhecimento).

Jovem, não cumpra apenas com suas obrigações.

Para ser diferente e feliz, invista sempre em fazer mais – mas, pelo outro.

No tribunal de foro íntimo tudo do bom e do melhor que fizermos por nós mesmos tem valor zero, ou seja: obrigação.
Para compensar os débitos, do mal feito ou do inadequado; com ou sem intenção; tanto faz – é preciso: angariar créditos ou fazer tudo pelos outros; mas, com inteligência.

Alerta:
A antiga relação: trabalho-capital implicava em trabalhar para.
A nova relação trabalho-capital implica em trabalhar com.

Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Usa a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

* Colaboração de Américo Canhoto para o EcoDebate, 09/04/2010

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