Para quem precisa de…, artigo de Montserrat Martins

[EcoDebate] Refrão que é um “clássico” da MPB, dos Titãs, “polícia, para quem precisa de polícia”, teria o mesmo valor irônico se trocasse a pergunta de polícia para política: “política, para quem precisa de… política”.

A maior parte das pessoas que conheço não gostam de assuntos políticos, mas reconhecem eles são importantes porque a outra alternativa – sem políticos – seria uma ditadura. Como na música dos Titãs, muitas pessoas não querem comentar assuntos de polícia, mas você não consegue imaginar sua vida sem ela.

Outro “clássico” da MPB é do Humberto Gessinger cantando “toda forma de poder é uma forma de morrer por nada”. Confesso que simpatizo com o autonomismo e a autogestão, onde toda forma de poder seria compartilhada horizontalmente, mas sabemos que as sociedades atuais ainda estão muito longe disso, que dependeria de um alto grau de consciência da população como um todo. Hoje, não temos como fugir da delegação de poderes, então temos de cuidar muito bem para quem delegamos esses poderes – e fiscalizar depois. Como naquela máxima, “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.

Estamos num ano político, mas para a maioria do povo a grande decisão é saber quem vai eliminar do “BBB 10” – pelo menos se forem de verdade os milhões de votos de que o Bial fala. Ainda tem a Copa do Mundo e o ano recém começou, depois da grande vitória da Unidos da Tijuca no Carnaval. Então a gente vai se divertindo com as fofocas das celebridades, é bom saber que elas também tem brigas de casais como nós, comuns mortais.

Política é chato, eu só queria que alguém tratasse melhor os professores pra eles se dedicarem com tranqüilidade aos nossos filhos. Podia surgir alguém decente que se importasse com as filas do SUS. Que se preocupasse com os problemas da segurança e do que precisa quem trabalha nela.

Eu não gosto de política mas acho um absurdo ninguém fazer nada contra a poluição. As crianças hoje se preocupam com o aquecimento global e a culpa é das gerações que deixaram a situação chegar a esse ponto – incluindo a minha. Não quero me estressar com política, o Hommer Simpson me entende, se é que você me entende.

“Um belo dia decidi mudar”, diz um verso se não me engano na voz da Rita Lee. Eu tinha uns 7 anos e decidi que não adiantava eu fugir da política, vi que meu pai se preocupava com as ameaças de guerra, com as crises econômicas, com o ambiente. Foi aí que acabou a minha infância.

Montserrat Martins, Psiquiatra, é colaborador e articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 17/03/2010

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