Um mês após o terremoto no Haiti, artigo de Priscila Salvino

[EcoDebate] Um mês após o terremoto, um milagre: um sobrevivente é resgatado! Milagre que nos faz pensar como o Homem é capaz de resistir a situações adversas. Porém, milagres a parte, o terremoto no Haiti matou mais de 200.000 pessoas e deixou mais de um milhão desabrigadas. As campanhas mundiais (twitter e facebook contribuiram muito) arrecadaram milhões de dolares. A ONU sozinha está procurando recolher US$ 550 milhões. Médicos Sem Fronteiras, nos últimos três dias, já recebeu dinheiro suficiente para manter a sua missão Haiti para a maior parte da próxima decada.

É da natureza humana querer acreditar que, na seqüência de uma catástrofe de grandes proporções, todos nós podemos fazer a nossa parte para ajudar apenas doando generosamente valores. Mas a questão que gostaria de fazer é: será que a nossa ajuda deve ser somente monetária? Será que não podemos fazer algo a mais?

Os cientistas nos dizem que o aumento da temperatura provávelmente faz aumentar a freqüência e a intensidade dos terremotos. De fato, ocorrem diáriamente dezenas de terremotos com uma magnitude abaixo de 2.5 na escala Richer. No momento em que escrevo essas linhas, 261 terremotos estão acontecendo no planeta Terra. Contudo, esses terremotos não são sentidos por nós (o terremoto do Haiti atingiu a de magnitude 7.0). Os cientistas afirmam também que o aumento de temperatura ocasiona o degelo dos pólos e conseqüentemente, o aumento do nível do mar. E provável que o aumento do nível do mar possa interferir nas correntes marítimas e precipitações, tornando eventos naturais mais freqüentes e intensos.

Nas últimas décadas tem ocorrido um aumento considerável na freqüência anual de desastres naturais em todo o globo. A média de desastres ocorridos na década de 70 foi de 90 eventos por ano, saltando para mais de 260 eventos na década de 90. Se pensarmos numa escala temporal de 5 anos, rápidamente recordamos dois desastres naturais de conseqüências dramáticas, em 2004 o Tsunami e em 2005 o furação 2005 Katrina. Se tomarmos como exemplo o fenômeno natural “El Nino”, podemos dizer que entre os anos de 1990 e 1995 foram registradas três ocorrências. Desde 1976, sete “El Ninos” aconteceram. Baseado em registros dos últimos 120 anos, seriam esperados a ocorrência de cinco. Outros eventos naturais como chuvas, enchentes e longos períodos de seca tambem tem aumentado consideravelmente em muitas partes do globo. A cada ano, 250 milhões de pessoas são afetadas por catástrofes naturais. Desde 1992, a comunidade internacional gastou cerca de US $ 2,7 bilhões para ajudar a mitigar o impacto dos furacões, inundações e secas.

E o que esses dados tem haver com a gente? Se de fato, os aumentos dos eventos naturais está relacionado com as mudanças climáticas, então tem tudo haver com a gente. Cada um de nós tem sua participação no aumento da temperatura. Uns mais outros menos, mas todos nós emitimos CO2. Senão mudarmos nossas ações, o que podemos esperar para nossos filhos e netos?

Aqui enumero uma breve lista de 5 itens relacionados à redução dos impactos ambientais de nossos atos:
– reduzir o consumo de energia: exemplo: desligar o computador enquanto não estamos usando;
– uso racional do transporte; exemplo: planejamento de caronas, ônibus, caminhadas;
-uso racional da água; exemplo: usar a água da chuva para lavar o quintal e o carro, banhos curtos, agora é verão nada melhor que uma ducha fria!
-redução do lixo e aquilo que não for possível, reutilizar ou reciclar.
– consumir somente aquilo que necessitamos.

Tenho plena convicção que se realizarmos algumas dessas idéias, estaremos reduzindo nossos impactos e combatendo as mudanças climáticas e de quebra diminuindo nossas contas no fim do mês. Dessa maneira sobrará mais para ajudar aqueles que precisam, inclusive no Haiti.

*Priscila Salvino, advogada, gestora ambiental e ativista do Friends of the Earth, Londres, é colaboradora internacional do Ecodebate. Email: priscilasa{at}hotmail.co.uk

EcoDebate, 12/02/2010

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