Revista ‘Radis’ aborda Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade atinge em média 5% de crianças e adolescentes e persiste na vida adulta em cerca de 60% dos casos
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade atinge em média 5% de crianças e adolescentes e persiste na vida adulta em cerca de 60% dos casos

Descrito em 1900, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) chama a atenção de pais, professores e profissionais de saúde no mundo atual. Cada vez mais crianças avoadas, estabanadas e inquietas ou adolescentes agitados e desorganizados — não raro, chamados de preguiçosos, bagunceiros, desajustados, egoístas, pois esquecem o que os outros pedem, e, em muitos casos, alunos-problema — têm recebido diagnóstico de TDAH. Mas, do que estamos falando? Esse é um problema real ou foi dado nome de doença a um tipo de comportamento?

Há pesquisadores que apontam para a segunda opção, mas o psiquiatra infantil Fábio Barbirato, médico do Programa TDAH Infanto-Juvenil da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, também professor do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, afirma que esse é um problema de saúde importante, cujas implicações variam desde dificuldades no desempenho escolar até problemas psicológicos e sociais: atinge em média 5% de crianças e adolescentes e persiste na vida adulta em cerca de 60% dos casos. Na explicação de outro psiquiatra, Russel Barkley, professor de Psiquiatria e Neurologia da Massachussetts Medical School (EUA), é um transtorno neurobiológico com forte influência genética e, conforme classificação da OMS, transtorno psiquiátrico ou neuropsiquiátrico.

A pessoa com TDAH tem dificuldade em assistir a uma palestra ou ler um livro sem que sua cabeça “voe para bem longe”, diz Fábio. Comete erros por falta de atenção a detalhes, faz várias coisas simultaneamente, tem projetos e tarefas por terminar, a impulsividade domina seu comportamento e costuma ser impaciente, irritadiço, “pavio curto”, com alterações de humor.

São três os sintomas básicos: o primeiro enfatiza a forma predominantemente desatenta, ou seja, a pessoa pode ser mais distraída do que hiperativa; no segundo, a predominância é da hiperatividade; no terceiro, a forma do transtorno é mista. Segundo o site da Associação Brasileira do Défict de Atenção (ABDA), o indivíduo é inteligente, criativo e intuitivo, mas não consegue dar conta de seu potencial em função da desatenção, da impulsividade ou da hiperatividade (ou “energia nervosa”). Essas alterações, explica a literatura médica, são atribuídas a um desajuste na ação de duas substâncias que fazem a comunicação entre os neurônios, a noradrenalina e a dopamina, no córtex pré-frontal, área do cérebro que controla razão e emoção.

Trata-se, porém, de uma pretensa doença neurológica que compromete exclusivamente o comportamento e a aprendizagem, “duas áreas de extrema complexidade em suas manifestações e cuja avaliação é extremamente difícil”, critica a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ela questiona a existência nosológica do TDAH, a exemplo de alguns profissionais da área da saúde, inclusive dos campos da neurologia e da pediatria, e não a existência de problemas da desatenção, hiperatividade ou impulsividade.

Este texto foi publicado, originalmente, na revista Radis (edição 88, dezembro/2009). Para ler a íntegra da reportagem, no formato PDF, clique aqui.

Reportagem de Katia Machado, da Agência Fiocruz de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 05/01/2010

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