COP 15: ‘Uma ocasião desperdiçada. Esse pacto nasce velho’. Entrevista com Jeremy Rifkin

emissões de gases estufa

“Aceitaram esse acordo para evitar o colapso das negociações? Mas o colapso é o que temos na nossa frente: nenhum alvo, nenhum compromisso verdadeiro…”. Jeremy Rifkin, o teórico da Terceira Revolução Industrial, do seu escritório em Washington, manteve-se constantemente informado sobre os desenvolvimentos da conferência de Copenhague. Agora, a poucos minutos das conclusões da cúpula, ouve com estupor as motivações que levaram Bruxelas a aceitar um entendimento distante do desejado pelos líderes dos maiores países europeus.

A reportagem é do jornal La Repubblica, 20-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

A possibilidade de uma interrupção do processo de negociação era, no entanto, muito concreta.

A Europa é a maior economia mundial. É chamada a assumir a responsabilidade da liderança: deve liderar o processo, não se somar a escolhas externas. E tem a possibilidade de fazer isso porque dispõe de líderes capazes de visão e de setores econômicos avançados: desperdiçar essa ocasião seria um erro gravíssimo.

O que significa na prática assumir a liderança econômica?

Liderar a Terceira Revolução Industrial, baseada na eficiência energética e nas energias renováveis, no hidrogênio e nos edifícios que produzem mais energia do que a que consumimos. Sobre esse projeto, pode-se forjar uma frente que compreenda países de tecnologia avançada e países em desenvolvimento, oferecendo os instrumentos mais avançados para quem ainda não desenvolveu a Segunda Revolução Industrial. Desse modo, é possível pular uma fase de desenvolvimento, levando por exemplo as energias renováveis a quem nem conectou a rede elétrica e mantendo juntos o crescimento econômico e os cortes às emissões.

O efeito Obama, carregado de expectativas, não produziu o resultado esperado.

Para Obama, não foi um fracasso completo. Ele deu um passo calibrado sobre as exigências políticas dos EUA. A transferência de fundos da qual se falou em Copenhague, que são significativos, também é uma escolha que causa muitas controvérsias nos EUA: para evitar as suspeitas de que o dinheiro seja mal gasto é preciso ter garantias sobre os controles.

Que perspectivas existem depois de Copenhague?

Não existe um plano B. Não há uma alternativa à contenção dos gases do efeito estufa porque não temos um planeta de reserva: temos que defender a vivibilidade daquele em que habitamos. E por isso é preciso evitar que percamos mais tempo. Não podemos nos permitir falhar no próximo encontro: a cúpula do clima de 2010 na Cidade do México. É preciso chegar a acordos fortes, vinculantes e que possam ser medidos.

Tudo vai ficar parado por 12 meses?

Absolutamente não. A Terceira Revolução Industrial progride seja do alto como de baixo. Há os acordos quadro que fornecem o marco para as grandes estratégias, mas existem também as escolhas dos indivíduos e das administrações locais: nós temos de fato projetos muito interessantes na Grécia e na Espanha, assim como em Roma e na Sicília. Imaginar a mudança da qual precisamos como um processo que caia de cima quer dizer não ter entendido a sua essência. O ponto central é a passagem de um modelo centralizado, vertical, baseado no poder de oligopólios, para um modelo descentralizado em que a energia é produzida pelas instalações renováveis. A energia irá viajar na rede como as informações na Internet.

O que falta à política para interceptar essas possibilidades e esses humores? O que freia as conclusões das cúpulas mundiais?

Estão presas à geopolítica, olham para trás. O que conta, pelo contrário, é a passagem à política da biosfera, às escolhas industriais que utilizam os recursos renováveis dos ecossistemas deixando intactas as bases da produção, em vez de consumi-las com a poluição.

(Ecodebate, 22/12/2009) publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

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