Mais uma hidrelétrica no Pará, para quê e para quem? artigo de Pe. Edilberto Sena

[EcoDebate] O Estado do Pará perde mais uma de suas riquezas naturais para servir ao PAC do governo Federal – o Plano de Aceleração do Crescimento. Ou melhor, a nova hidrelétrica, Santo Antonio do Rio Jari é para servir ao grupo econômico privado – ORSA, que explora caulim e celulose em Monte Dourado.

A bela cachoeira Santo Antonio será privatizada. Falam que é uma das mais belas quedas d’água no Pará, de mais de 50 metros de altura. Ali, a Eletronorte decidiu construir uma usina de 300 mewates de potência, dez vezes maior do que a usina de Curuá-Una. Até aí, até que poderia ser tudo bem, seria aproveitar a queda natural das águas e gerar eletricidade limpa e barata para o povo ribeirinho da região do rio Jari e até da cidade de Almerim.

Mas não será o que vai acontecer. Será construído um lago de 31 quilômetros e 700 metros quadrados e o objetivo principal da nova usina não é o povo, mas as fábricas de celulose e exploração de caulim do grupo ORSA. Isto é, o sonho do gringo Ludwig na década de 80, que não foi permitido realizar pelos ditadores Médici e Golbery, agora se realiza pelo governo democrata de Lula da Silva.

Mas a fome do Ministério das Minas e Energia é muito mais ambiciosa e devastadora. A Eletromorte pensa construir uma gigante usina em Belo Monte, mais cinco mega hidrelétricas na bacia do Tapajós, e depois outras usinas nos rios Maicuru, Trombetas, Aruã e onde mais houver cachoeiras e corredeiras. Tudo em nome do programa de aceleração do crescimento.

Como o plano perverso enfrenta dificuldades no rio Xingu, porque ali tem sociedade organizada e índios valentes, a Eletromorte corre ao rio Jari, onde é fraca a resistência popular. Ali mandava antes o coronel de barranco Zé Julio que explorava os caboclos extrativistas e mandava matar os rebeldes; depois veio coronel gringo Mr. Ludwig, e destruiu o que pode para plantar gmelina, planta exótica e depois eucalipto para gera celulose. Como não deu certo para ele, foi embora. Hoje domina na Jarilandia, o “ coronel” Orsa, empresa privada.

A todos três coronéis de barranco e de capital serviam humildemente os governos da República brasileira. Hoje a Eletronorte privatiza a cachoeira Santo Antonio do Jarí, para servir a uma empresa que desta para extrair minério. Será que logo mais a sociedade do Baixo Amazonas permitirá a destruição do Rio Tapajós? No rio Xingu os povos Kaiapós já mandaram aviso ao presidente que se tentar Belo Monte vai correr sangue no rio Xingu. Os índios Mundurucus também já enviaram carta ao presidente alertando que não permitirão destruírem o rio Tapajós. Irão os não índios fazer aliança com quem?

Padre Edilberto Sena, Rádio Rural de Santarém

Colaboração de Rogério Almeida, para o EcoDebate, 12/12/2009

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