Depois da maior cheia dos últimos 100 anos, Amazonas chega a uma das piores secas

Seca no Amazonas em 2005: Porto de Maués, no interior do estado do Amazonas (foto por Antonio Milena para Abril)
Seca no Amazonas em 2005: Porto de Maués, no interior do estado do Amazonas (foto por Antonio Milena para Abril)

Depois de o Rio Negro alcançar 29,69 metros no mês de junho – a maior marca desde 1902 – o nível do rio chegou ontem (30/11) aos 16 metros em Manaus. De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) no Amazonas, Marco Antônio Oliveira, o rio chegou a um nível de emergência.

“A situação de seca está crítica ao longo da calha do Rio Negro e até fevereiro isso deve continuar. Classificamos essa vazante como média a grande, já que ela se encaixa entre as 30 maiores já registradas”, disse à Agência Brasil.

O fenômeno natural de subida e descida do nível do rio afeta a navegação, compromete a ligação com as sedes municipais e o abastecimento de centenas de comunidades. De acordo com os registros históricos do CPRM, a maior seca do Rio Negro ocorreu em 1967, quando o nível chegou a 13,67 metros. O Rio Negro é o maior do estado e a severa seca deste ano prejudica não só a capital do Amazonas, mas também os outros quatro municípios (São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro, Barcelos e Novo Airão).

O superintendente do CPRM no Amazonas explicou que a falta de chuvas, desde a segunda quinzena de julho, deve-se, sobretudo, ao fenômeno El Niño (aquecimento das águas do oceano). Em julho, agosto e setembro choveu metade do esperado. Em outubro, 74% e em novembro, apenas 50% do que deveria.

“Tudo isso nos trouxe para uma severa seca este ano. Em dezembro o ideal seria que chovesse 16 milímetros, mas não deve chegar a isso”, avaliou Oliveira.

No Sul e Oeste do Amazonas, as chuvas estão dentro da normalidade, o que contribuiu para a subida do Rio Solimões, o segundo maior do estado. O reflexo dessas chuvas deve chegar a Manaus em 15 dias, pois os dois rios (Solimões e Negro) encontram-se na cidade e a cheia de um pode influenciar o outro. “Mas o Solimões só vai fazer com que o Negro suba caso as chuvas também contribuam para isso”, acrescentou Oliveira.

Um estudo detalhado das áreas afetadas pela seca está em fase de finalização pelo governo do Amazonas. O objetivo é aproveitar as informações para abertura imediata de estradas vicinais destinadas a tirar do isolamento milhares de ribeirinhos atingidos pela estiagem. Linhas especiais de financiamento para produtores rurais e distribuição de sementes e implementos agrícolas estão sendo realizados por meio Agência de Fomento do Estado (Afeam) para auxiliar a agricultura familiar.

Reportagem de Amanda Mota, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 01/12/2009

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