COP 15, Copenhague: Um novo acordo internacional é improvável

Aquecimento global: Variação da temperatura na superfície terrestre desde 1860
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Autoridade da ONU acredita na construção de marcos legais

Acordo vinculante é improvável, diz De Boer – A conferência sobre mudanças climáticas em Copenhague não vai produzir um novo acordo internacional, e sim um marco político que servirá de base para o corte de emissões de gases-estufa. Essa é a perspectiva de Yvo de Boer, principal autoridade das Nações Unidas sobre o assunto.

“Um novo e completo tratado internacional [na conferência a ser realizada na Dinamarca em dezembro]? Não acho que isso vá ocorrer”, disse De Boer, em entrevista ao “Financial Times”. “Se você olhar para o pouco tempo que ainda temos até o encontro em Copenhague, isso fica claro.”

De Boer prevê que os governos venham apenas a concordar na estrutura de um acordo, sendo que os detalhes técnicos seriam deixados para depois.

Para os idealistas, incluindo aqueles de agências governamentais e ambientais em alguns dos principais países desenvolvidos, que esperavam que a conferência fosse produzir um acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, isso pode parecer uma decepção. Entretanto, De Boer diz: “Se você olhar para o tempo limitado que temos até Copenhague, verá que temos de nos concentrar em coisas que realisticamente podem ser alcançadas.”

A necessidade seria “que nos concentrássemos nos pontos políticos, que tornem mais claro como como os países se comprometerão [com o combate às mudanças climáticas] e se engajarão em cortar as emissões, além de definir quais os mecanismos de cooperação eles precisam estabelecer”, disse ele. “Isso significa chegar a uma decisão abrangente em Copenhague.”

Os ministros que se encontrarão na capital dinamarquesa têm também que decidir “um limite de tempo para que essa arquitetura seja negociada para que se transforme em algo palpável”, como um tratado internacional, disse De Boer.

Para ele, os EUA precisam estabelecer uma meta de corte de emissões até 2020 para que um acordo seja alcançado, continuou o negociador da ONU. “Um acordo em Copenhague sem os EUA não faria sentido nenhum.”

Mesmo assim, a Casa Branca terá dificuldades em se comprometer com cortes específicos antes que seja votada a lei ambiental que tramita no Senado.

Todd Stern, o enviado especial dos EUA para assuntos de mudança climática, parece confiante de que o presidente Barack Obama não repetirá os erros cometidos em relação ao Protocolo de Kyoto, quando o governo do democrata Bill Clinton assinou o acordo que acabou não tendo a aprovação do Congresso.

No fim de semana, Stern afirmou que “não há grande mistério” sobre a provável meta que deve ser estabelecida pelos americanos, já que a Câmara já aprovou uma lei determinando o corte de emissões de 17% em relação aos níveis de 2005. A lei do Senado prevê um corte um pouco maior, de 20%.

Políticos da Europa e dos países em desenvolvimento criticaram esses comprometimentos dos americanos como sendo muito aquém do necessário, mas De Boer disse que eles podem ser aceitáveis. “Os EUA têm muito caminho a recuperar na questão das mudanças climáticas”, afirmou. Isso significa que eles ainda assim poderiam adotar uma meta mais baixa e “fazer esforços comparáveis aos de outros países industrializados”.

De Boer disse não acreditar que os países ricos desejem ver os países pobres lutando contra os efeitos das mudanças climáticas sozinhos. Entretanto ele advertiu que adiar o acordo de Copenhague para o ano que vem seria desastroso.

“Um fracasso em Copenhague significaria na verdade terminar com menos do que nada, já que haveria menos confiança nesse processo multilateral e novas prioridades políticas surgiriam no horizonte”, disse o negociador das Nações Unidas.

“Aí sim as coisas ficariam cada vez mais difíceis, e não mais fáceis”, completou.

Reportagem Financial Times [UN climate change chief undaunted], no Valor Econômico.

EcoDebate, 21/10/2009

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