Cadeia Produtiva do Pré-Sal e Carteira de Projetos, artigo de Carol Salsa

Mapa da Petrobras mostra região onde estão as reservas de petróleo da camada pré-sal Foto: Divulgação Petrobras
Mapa da Petrobras mostra região onde estão as reservas de petróleo da camada pré-sal Foto: Divulgação Petrobras

[EcoDebate] A exploração do pré-sal é vista como uma ponte para um novo ciclo virtuoso da economia nacional. O Projeto Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás visa atender a alta exigência das grandes empresas petrolíferas quanto às tecnologias, qualidade, meio ambiente e segurança no trabalho de seus fornecedores. Pretende-se através desse projeto, contemplar micro e pequenas empresas de forma a aumentar a sua competitividade, o que deixa em condições de se beneficiarem das oportunidades de negócios geradas nesse setor de bens e serviços offshore do País. As descobertas do pré-sal foram as maiores novidades do mercado offshore nos últimos anos que marcam uma perspectiva de nova fronteira petrolífera.

As cadeias produtivas resultam da crescente divisão de trabalho e maior interdependência entre os agentes econômicos. Por um lado, as cadeias são criadas pelo processo de desintegração vertical e especialização técnica e social. Por outro lado, as pressões competitivas por maior integração e coordenação entre as atividades, ao longo das cadeias, amplia a avaliação entre os agentes. O conceito de cadeia produtiva pode ser mais um ferramenta nos estudos econômicos.

A experiência acumulada ao longo de décadas explorando em águas profundas e ultra- profundas dá à Petrobrás condições de desenvolver tecnologias que permitam superar os desafios de extrair hidrocarbonetos das novas condições. Em 2007, foi criado o Programa Tecnológico para o Desenvolvimento da Produção dos Reservatórios do Pré-sal ( Prosal), a exemplo dos programas desenvolvidos no Centro de Pesquisas ( Cenpes), como o Programa de Capacitação Tecnológica em Águas Profundas ( Procap), criado em 1986.

De acordo com a diretoria da Petrobrás, a carteira de projetos programada pela companhia garantirá, nos próximos anos, uma demanda em larga escala de sondas de perfuração, unidades de produção, arranjos, submarinos, bombas, dutos, linhas flexíveis, além de milhares de outros equipamentos. Serão mais de US$ 92 milhões destinados pelo Plano de Negócios somente às atividades de exploração e produção de petróleo no Brasil até 2013, US$ 111,4 bilhões até 2020, no desenvolvimento da produção no pré-sal.

O volume recorde de investimento e encomendas programado pela Petrobrás para o período 2009-2013 abre nova e promissora frente de negócios para a indústria de bens e serviços offshore. Constitui, também, pela magnitude da demanda gerada, principalmente nos projetos de desenvolvimento de reservatórios de pré-sal, oportunidade única para que a indústria brasileira se consolide de forma competitiva e me bases sustentáveis como fornecedora mundial do segmento de petróleo e gás, palavras da direção da Petrobrás durante entrevista coletiva à imprensa.

Mais de 8 mil empresas de pequeno porte foram identificadas como fornecedoras potenciais ou efetivas do setor petrolífero. Cerca de 6,3 mil delas foram convidadas a participar de ações de capacitação, seminários, consultorias e rodada de negócios. Em 11 estados, 2,3 médias e pequenas empresas foram qualificadas como fornecedoras da Petrobrás e do setor P&G e 2,9 mil foram de pequeno porte pelo mesmo convênio Sebrae/Petrobrás, entre 2004 e 2008. Um total de 352 empresas-âncora, compradoras de grande porte do setor P&G e 2,9 mil fornecedoras de pequeno porte participaram de 33 rodadas de negócios realizadas pelo mesmo convênio nos anos 2005 a 2007, que totalizaram R$ 1,5 bilhão.

Fornecedores da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás – CPPG são os setores de metal-mecânico, eletroeletrônico, hidráulico manutenção industrial, projetos de engenharia, construção e montagem, refrigeração, químico equipamentos de segurança, pintura e outros.

A padronização dos projetos de produção é uma importante estratégia da Petrobrás para o desenvolvimento do pré-sal. “ Das primeiras plataformas fixas construídas em módulos para operar na Região Nordeste aos mais modernos FPSOs ( unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de óleo e gás ) instalados na Bacia de Campos (RJ) como a P-54, que opera no Campo Roncador a estratégia de padronizar projetos tem se revelado bem sucedida. Avaliações preliminares da Petrobrás e de seus parceiros indicam que as condições das reservas do pré-sal são extremamente favoráveis para a aplicação do conceito de padronização do FPSOs o que inclui todo o sistema marítimo de utilidades e acomodações”, adiantou Gabrielli.

Para assegurar a produção em série e dar agilidade à conversão de plataformas, a Petrobrás aposta numa solução considerada estratégica dentro do pacote de demandas para o pré-sal: trata-se da construção de um amplo canteiro para fabricação de cascos em série. Esse canteiro resultará na ampliação do Estaleiro do Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Nele está sendo construído um dique seco capaz de comportar, simultaneamente, até 2 cascos de FPSOs de grande porte ou de unidades submerssíveis.
O plano de desenvolvimento das reservas de pré-sal já prevê a construção nesse novo estaleiro, de oito FPSOs padronizados . Além de reduzir a dependência externa do Brasil na construção e conversão de plataformas, o uso do estaleiro estimulará a competitividade interna, assim como contribuirá para reduzir o preço e o tempo de construção dos futuros projetos. Só a acumulação de Tupi, na bacia de santos, tem volumes recuperáveis estimados entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente ( óleo mais gás). Já a reserva de Iara, também na bacia de Santos, abriga aproximadamente entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente ( boe).

Interessante será acompanhar as medidas de preservação e proteção ao meio ambiente, plano de contingência, danos e planos de mitigação, análise de sustentabilidade do empreendimento e efetiva distribuição de renda oriundas do pré-sal contemplando a população brasileira.

FONTE: Fator http://www.superpostos.com.br/

Carol Salsa, colaboradora e articulista do EcoDebate é engenheira civil, pós-graduada em Mecânica dos Solos pela COPPE/UFRJ, Gestão Ambiental e Ecologia pela UFMG, Educação Ambiental pela FUBRA, Analista Ambiental concursada da FEAM.

EcoDebate, 07/10/2009

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