Estudo mostra elevado valor nutritivo de peixes da Amazônia

Estudo mostra elevado valor nutritivo de peixes da Amazônia
Foto de Daniela dos Santos

Comer peixe é saudável, e pouca gente questiona esse fato. Mas quando se pergunta por que, poucos têm resposta pronta, baseada em constatações científicas. Mas elas existem, e mostram o alto valor nutritivo da carne de peixe. E esse valor está presente tanto nos peixes da água doce quanto nas espécies marinhas.

No Amazonas, estado brasileiro onde há o maior consumo de pescado por pessoa no país, estudo demonstra que a carne de diversos peixes da região possui elevados níveis de proteína, sais minerais e ácidos graxos para uma dieta saudável e balanceada.

As espécies estudadas foram pacu, jaraqui, branquinha, curimatã, pirapitinga, aracú e mapará. O amazonense consome cerca de 35 quilos de peixe por ano, enquanto a média nacional está entre 7 e 8 quilos. Os dados são do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), que em setembro promove em todo o país a Semana do Peixe, iniciativa para incentivar o consumo de pescado entre os brasileiros.

O estudo ‘Caracterização Nutricional de Peixes da Amazônia’, realizado pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Rogério de Jesus, traçou o perfil nutricional das espécies através da sua composição química básica, minerais, ácidos graxos e aminoácidos. O artigo foi publicado em 2007 na revista Infopesca Internacional, de Montevidéu, Uruguai.

Rogério e o Inpa atuam como parceiros da Embrapa e diversas outras instituições no projeto em rede ‘Bases Tecnológicas para o Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura no Brasil – Rede Aquabrasil’. A iniciativa, liderada pela pesquisadora Emiko Resende, da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pretende desenvolver tecnologias inovadoras para a promoção de um grande salto tecnológico capaz de promover a sustentabilidade da aquicultura brasileira, do ponto de vista econômico, social e ambiental.

Proteínas e minerais

De acordo com o estudo, a maioria das espécies apresentou concentrações de proteína entre 18 e 20 gramas para cada 100 gramas de carne. Segundo o pesquisador, os perfis de aminoácidos observados sugerem um alto valor biológico das proteínas nas espécies analisadas. “São proteínas nobres, de alto valor nutricional”, afirma.

A concentração de lipídios – gordura – variou entre 1,4 e 3,1 gramas por 100 gramas de carne. O mapará foi a única espécie estudada que se diferenciou das demais, com concentrações de gordura mais altas (21g/100g) e menor valor protéico (11g/100g).

Nos peixes estudados, o trabalho mostra ainda que a presença de minerais como cálcio, ferro, zinco, sódio, potássio e selênio podem suprir as principais deficiências minerais das populações vulneráveis da Amazônia. “Todas as espécies são capazes de atender às recomendações diárias, mesmo para um adulto”, diz Rogério.

Minerais prejudiciais, como mercúrio, arsênio e cromo, ocorreram em níveis bem abaixo do limite máximo recomendado para pescado.

Metabolismo

Foram observadas no estudo altas concentrações de ácido palmítico (19,8 a 31,8%), e ácido oléico ou ômega 9 (17,0 a 53,9%), fundamentais para o metabolismo humano, pois atuam na síntese de hormônios e na absorção de vitaminas.

Outra importante descoberta foi a ocorrência de ácidos linoléico e linolênico em conentrações similares às dos peixes marinhos brasileiros. O ácido linléico foi estudado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) e apresenta efeitos importantes no metabolismo das gorduras do corpo. Já o ácido linolênico, do grupo ômega 3, auxilia no sistema imune e reprodutivo e no metabolismo do colesterol, entre outras qualidades.

Mais informações:
sac@cpap.embrapa.br

* Texto de Saulo Coelho Nunes, da Embrapa Pantanal, Corumbá (MS), publicado pelo EcoDebate, 16/09/2009


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