Conselho de (A)Ética garante o arquivamento das 11 acusações contra Sarney

Congresso Nacional, foto de Antonio Cruz/ABr
Foto de Antonio Cruz/ABr

[EcoDebate] Como esperado o Conselho de (A)Ética do Senado manteve a blindagem em torno do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). A dúvida seria como a bancada do PT se comportaria, depois do líder da bancada, senador Aloisio Mercadante (SP), ter se manifestado públicamente pela abertura de processo, ameaçando, inclusive de colocar o cargo à disposição.

No final das contas, com apoio da bancada do PT, o Conselho rejeitou todos os 11 recursos que pediam o desarquivamento de sete denúncias e quatro representações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). A manobra “enterra” as possibilidades da abertura de processo de cassação de mandato.

Os três senadores petistas no colegiado – João Pedro (AM), Ideli Salvatti (SC) e Delcício Amaral – votaram a favor do arquivamento das ações, seguindo orientação do presidente da sigla, Ricardo Berzoini, e do Palácio Planalto.

Além dos petistas, votaram pelo arquivamento das acusações contra Sarney os senadores peemedebistas Wellington Salgado, Almeida Lima e Gilvan Borges, Inácio Arruda (PcdoB-CE), Romeu Tuma (PTB) e Gim Argello (PTB-DF).

Os senadores do DEM Demóstenes Torres (GO), Rosalba Ciarlini (RN) e Eliseu Rezende (MG) e os tucanos Marisa Serrano (MT) e Sérgio Guerra (PE), além de Jefferson Praia, do PDT, votaram a favor do desarquivamento.

Em razão da decisão da bancada o senador Flávio Arns anunciou a sua saída do PT

O senador Flávio Arns (PT-PR) disse que vai deixar o partido por entender que a legenda abandonou suas bandeiras da ética e da transparência ao se posicionar favorável ao arquivamento das denúncias, no Conselho de Ética, contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Com a saída de Arns e o anúncio do desligamento de Marina Silva, a bancada do PT no Senado sofre a sua segunda baixa.

Flávio Arns afirmou que vai procurar a Justiça para a comprovação de que o partido traiu seus ideais. “Vou à Justiça para que ela diga claramente que temos que ser fiel ao partido e o partido tem que ser fiel à sua filosofia, ao seu ideário e aos princípios que fizeram ele existir. E isto não está acontecendo”, disse.

O senador acrescentou que estar envergonhado de pertencer ao Partido dos Trabalhadores após o posicionamento que a Executiva Nacional adotou hoje, durante a votação dos recursos pelo arquivamento das denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney.

“Hoje demos as costas às bandeiras, e me sinto envergonhado e pedindo desculpas às pessoas, porque não era o que elas queriam que acontecesse”, afirmou.

A percepção do senador Flávio Arns é correta, no que se refere ao rompimento dos compromissos do Senado para com a sociedade. Em meio a incontáveis escândalos o Senado, na prática, já tinha cometido um suicídio institucional e o PT resolveu se suicidar solidariamente.

Pode até ser que a tal ‘governabilidade’ esteja garantida, tal como pretendida pelo Planalto, mas, na planície, o PT, certamente, terá contas a ajustar com a sociedade e, em especial, com o eleitorado.

* Henrique Cortez, do EcoDebate, 20/08/2009, com informações de Ivan Richard, da Agência Brasil.

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