Amazônia com os anos contados

Estudo internacional publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences inclui a Floresta Amazônica entre os nove ecossistemas do mundo que poderão desaparecer em 50 anos em decorrência das mudanças climáticas provocadas pelo homem. Segundo a pesquisa, muitos dos sistemas climáticos do mundo poderão passar por uma série de mudanças repentinas neste século por causa de ações provocadas pela atividade humana. Os mais ameaçados seriam as camadas de gelo do Mar Ártico e da Groenlândia. A Amazôna ocupa a 8ª posição. Por Matheus Álvares Ribeiro, matheusalvares@dm.com.br, da Editoria de Cidades, para o Diário da Manhã, GO, 07/02/2008.

A notícia pode mudar a idéia de que o processo de aquecimento global é lento e gradual. A argumentação é que alterações mínimas de temperatura seriam suficientes para levar a mudanças dramáticas e até ao colapso repentino de um sistema ecológico. No caso da Amazônia, o aquecimento global seria responsável por redução nas chuvas, dificultando a manutenção da floresta com a maior biodiversidade do planeta.

A pesquisa afirma que boa parte da chuva que cai sobre a bacia amazônica é reciclada (reaproveitada pela própria floresta) e, portanto, uma redução nas precipitações, decorrente do aumento das temperaturas, dificultaria o restabelecimento da floresta. Simulações de desmatamento na região sugerem uma diminuição de 20% a 30% das chuvas, o aumento do período de seca e das temperaturas durante o verão.

Segundo dados da Conservação Internacional (CI) no Brasil, Organização Não-Governamental (ONG) que luta pela preservação dos principais biomas do planeta, cerca de 17% da Amazônia Brasileira (porção da floresta presente em território nacional) já foi devastada. Isso corresponde a 600 mil quilômetros quadrados de área devastada, quase duas vezes o tamanho do Estado de Goiás.

Descrédito

“O que vai provocar a destruição da Amazônia não são as mudanças climáticas, mas a ação do homem”, avalia o vice-presidente para a América do Sul da CI, José Maria Cardoso da Silva. Ele diz que estudos do tipo são, na verdade, hipóteses baseadas em dados grosseiros, cuja função é chamar a atenção para o problema atual. “Existem vários modelos climáticos propostos sobre a Amazônia. Uns afirmam que nada ocorrerá a elas, outros prevêem resultados catastróficos”, afirma.

“O grande problema da Amazônia não é daqui a 50 anos, é hoje”, alerta José Maria. O desmatamento atualmente ocorre, em grande parte, para a formação de pastagens, atividade econômica que ele classifica como inviável para a região em virtude dos altos subsídios (empréstimos a juros baixos e destruição da floresta) para manter um criador de gado. “É mais barato financiar a AGRICULTURA em áreas já desmatadas do que a pecuária em locais que destruirão a floresta.”

Conseqüências

Caso o estudo esteja certo, a destruição da maior floresta tropical do planeta provocará efeitos indesejáveis em outros ecossistemas do País, inclusive em Goiás. “Uma parte significativa das chuvas para o Centro- Oeste do Brasil vem da Amazônia”, explica José Maria.

Isso ocorre por que a própria floresta libera no ar, por meio de um proceso conhecido como evapotranspiração, a água que consome. Parte desta água é levada em direção ao centro do País, onde se encontra com massas de ar frio vindas do Sul, provocando as chuvas. A ausência disso, somada à seca prolongada resultante do aquecimento, poderá alterar o regime de chuvas em todo o País.

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