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Nova Iguaçu, RJ, não faz monitoramento adequado de gases e poluentes do ar

Rodovia Presidente Dutra. (Foto: Everton Barsan/Prefeitura de Nova Iguaçu)
A estação do município fica distante de focos de poluição, como a Rodovia Presidente Dutra. (Foto: Everton Barsan/Prefeitura de Nova Iguaçu)

O município de Nova Iguaçu (RJ) não monitora adequadamente a emissão de gases e poluentes na atmosfera. Este dado foi encontrado em uma pesquisa que buscava investigar a qualidade do ar e o estudo de internações por doenças respiratórias no município, desenvolvida na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) pela aluna de mestrado em saúde pública e meio ambiente Maristela Groba Andres. De acordo com Maristela, a ideia do estudo foi correlacionar doenças respiratórias com a poluição do ar em Nova Iguaçu devido à presença de fatores que aumentam, significativamente, a produção de poluição e a emissão de gases no município. “Mas isso não foi possível, pois existem apenas duas estações de monitoramento da qualidade do ar no Estado do Rio de Janeiro instaladas no município, sendo que uma delas está quebrada há vários anos”, alertou a pesquisadora, que é funcionária das prefeituras do Rio de Janeiro e de Mesquita. Ela lembrou que a região é muito populosa e que, além de uma rodovia de grande circulação cortar a cidade, também existe um número significativo de indústrias e três pedreiras em pleno funcionamento.

“Nova Iguaçu tem um verdadeiro somatório de produtores de poluição, e mesmo assim a única estação de monitoramento do ar em funcionamento é a da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), localizada em uma escola municipal, no centro comercial do município”, comentou. De acordo com Maristela, a estação fica afastada dos focos de poluição. Distante das pedreiras, da Rodovia Presidente Dutra e também das indústrias da região, a estação normalmente registra uma condição regular, com efeitos toleráveis para a poluição do ar.

“Em Nova Iguaçu nunca foi realizado um estudo do monitoramento da qualidade do ar. Existem pesquisas que abrangem todo o Estado do Rio, mas não encontramos nada especificamente relacionado ao município. Por isso, tentamos fazer esse trabalho estatístico correlacionando as internações das crianças por problemas respiratórios com o nível de poluentes que Nova Iguaçu registrava. Mas, ao longo do estudo, vimos que não conseguiríamos fazer essa comparação, pois os dados que o município dispõe são incompletos”. Maristela teve acesso a dados antigos de registros da prefeitura, porém muitos deles estavam incompletos, faltando meses de monitoramento.

“Para não invalidarmos o trabalho, fizemos a pesquisa correlacionando apenas com os dados da Feema e, desta maneira, não encontramos resultados indicativos”, apontou Maristela. A conclusão do trabalho é que, com a falta de dados e a baixa qualidade dos dados existentes, não foi possível encontrar nenhuma anormalidade na correlação de informações. Além disso, só foram utilizadas informações provenientes de uma estação de monitoramento. Ela disse ainda que, “com certeza, esses fatores atrapalharam a correlação. Dados de apenas uma estação não são suficientes para mostrar a realidade do município”.

O município do Rio de Janeiro tem várias estações de monitoramento, tanto da Feema quanto do próprio município, e com isso vários lugares já foram apontados como impróprios. “Em Nova Iguaçu, não conseguimos nem saber o que está ou não acima do limite. Essa falta de controle de monitoramento de emissões de poluentes é muito perigosa. É uma questão de saúde pública. O controle problemático e a falta de registro dos poluentes que são liberados por essas indústrias também são severos empecilhos para o desenvolvimento de políticas públicas. Se não temos indicadores, como reverteremos essa situação? O município de Nova Iguaçu precisa urgentemente adequar e qualificar o monitoramento da qualidade do ar”, constata Maristela.

Informe Ensp, na Agência Fiocruz de Notícias, publicado pelo EcoDebate, 14/07/2009

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