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Estudo aponta risco de febre amarela urbana transmitida por novo vetor

Presença do ‘Aedes albopictus’ onde circula vírus da doença tem ‘conseqüências imprevisíveis’, diz pesquisa – Estudo financiado pelo Ministério da Saúde alerta para uma “ameaça potencial à expansão territorial do vírus da febre amarela silvestre” no País, “com conseqüências imprevisíveis para a saúde pública”. Por Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo, 22/02/2008.

Segundo o trabalho, publicado na edição de janeiro de revista do Sistema Único de Saúde (SUS), a presença do mosquito Aedes albopictus em áreas de circulação do vírus da febre amarela traz risco de ressurgimento da forma urbana da doença, uma vez que o inseto consegue viver nas matas e nas cidades. Isto é, poderia ser a ponte para que o vírus, que hoje circula apenas em matas, passe a transitar também em áreas urbanas.

Em entrevista ao Estado, um dos autores do estudo destacou que ainda não foi comprovado o envolvimento do Aedes albopictus em casos da doença entre humanos. No entanto, afirma, o trabalho alerta para que a vigilância de focos do A. albopictus seja adotada como ação preventiva contra a expansão da doença, nos moldes da vigilância feita hoje sobre seu “parente”, o Aedes aegypti, transmissor da dengue.

“Corremos um sério risco. Todos os testes mostram que este mosquito é suscetível ao vírus da febre amarela. Se ele é suscetível, e transita em área onde há circulação do vírus, pode fazer a ponte deste e de outros vírus silvestres para as áreas urbanas”, afirma Almério de Castro Gomes, um dos pesquisadores , ligado ao Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

No trabalho, foram achados os mosquitos em três municípios do Rio Grande do Sul e Minas, onde há circulação do vírus. Segundo os autores, “a infestação da espécie cresce na direção de focos silvestres do vírus”, evolução que parece estar ocorrendo em Minas e Goiás.

A febre amarela urbana não é registrada no País desde 1942. Os 31 casos da doença que ocorreram de dezembro até agora no País, a maior parte deles em Goiás, são todos de febre amarela silvestre, transmitida pelos mosquitos Haemagogus, nativos das matas.

Água parada

Assim como o mosquito da dengue, o Aedes albopictus gosta de água parada e limpa, mas prefere locais arborizados para reprodução. De origem asiática, o albopictus tem o corpo com manchas brancas e pica durante o dia. Foi detectado pela primeira vez no Brasil em 1986, mas, segundo Gomes, não houve preocupação em vigiar sua expansão, apesar de haver estudos analisando a relação também com transmissão de dengue. Hoje apenas cinco Estados não têm infestação da espécie.

O mosquito da dengue também pode transmitir a febre amarela urbana, mas ele não transita por matas. É necessário que um homem seja infectado em ambiente silvestre e depois picado pelo Aedes aegypti na cidade para a transmissão a outras pessoas de área urbana.

Já o Aedes albopictus pode transitar, contaminado, da mata para cidades, infectar alguém e, com a ajuda de seu “parente”, levar ao rápido crescimento da doença. Além disso, o albopictus também transmite o vírus a seus “descendentes”, ajudando na manutenção da circulação do agente causador da febre amarela. Nos EUA, há vigilância sobre focos do albopictus pelo risco de transmitir o vírus La Crosse, da encefalite eqüina venezuelana do leste. “Os governos no Brasil não deram importância”, diz Gomes. (Fabiana Leite)

Fiocruz diminuirá ritmo de produção da vacina no País

O presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Paulo Buss, afirmou ontem (21/2) que o ritmo de produção de vacina contra febre amarela deverá ser reduzido. “Os índices de vacinação em áreas de risco são muito bons. Praticamente todos os habitantes já estão protegidos”, disse.

No Paraguai, o governo estuda decretar um dia de feriado para realizar a vacinação em massa contra a febre amarela. Neste fim de semana, o país deve receber cerca de 2 milhões de doses de vacina da Organização Mundial da Saúde (OMS). O lote se somará às 800 mil doses enviadas pelo Brasil, às 144 mil do Peru e às 100 mil que chegaram na quarta-feira da Venezuela. O Paraguai notificou à OMS sete casos da doença e 27 ainda estão à espera de confirmação.

A Bolívia, país que não registrou nenhum caso da doença, decretou ontem “alerta vermelho”, devido aos casos detectados no Brasil e no Paraguai. O alerta reforça o controle nas regiões vizinhas ao Brasil e ao Paraguai e recomenda a vacinação à população de municípios fronteiriços.