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Notícia

Poluição plástica reduz a absorção de CO₂ pelo fitoplâncton

 

a tragédia persistente do plástico

Além de poluir praias e oceanos, partículas microscópicas de plástico ameaçam a capacidade das algas de absorver o CO2 e combater o aquecimento global.

Você já parou para pensar que cada segundo respiro que você dá vem do oceano? Embora as florestas tropicais recebam toda a fama como os “pulmões do mundo”, mais de 70% do nosso planeta é coberto por águas que abrigam um exército silencioso de trabalhadores: o microplâncton. Essas minúsculas plantas unicelulares realizam quase metade de toda a fotossíntese da Terra, convertendo luz solar e dióxido de carbono (CO2) no oxigênio que respiramos.

No entanto, um novo e indesejado vizinho está ameaçando esse equilíbrio vital. Os microplásticos, minúsculas partículas de poluição que já alcançaram desde as costas populosas até os remotos mares do Ártico, estão interferindo na capacidade básica dessas algas de sobreviver e nos proteger.

O pulmão azul sob ataque

O oceano é o nosso maior aliado contra as mudanças climáticas, absorvendo entre 25% e 30% de todo o CO2 gerado pelas atividades humanas. O fitoplâncton é a peça-chave desse processo, transformando o carbono em energia para construir suas células.

O problema, como explica a pesquisadora Francesca Verones, da NTNU, é que os microplásticos não são apenas uma poluição visual. Eles afetam o crescimento das algas de formas cruéis: bloqueiam a luz solar necessária para a fotossíntese, causam danos físicos diretos e podem até liberar substâncias tóxicas, como o PVC.

Onde o impacto é maior?

Através de modelos computacionais e dados de laboratório, pesquisadores descobriram que o impacto não é igual em todo o globo. As regiões áridas e tropicais são as mais vulneráveis. Nessas zonas, estima-se que a presença de plástico reduza a absorção de carbono entre 25.000 e 48.000 toneladas por ano.

Pode parecer pouco perto das duas bilhões de toneladas que o oceano absorve anualmente, mas há um alerta importante: “Devemos ter em mente que a quantidade de microplásticos no oceano está aumentando constantemente”, adverte Verones. Todo o plástico descartado hoje, um dia, chegará ao mar.

Além do carbono: A Tripla Crise Planetária

A ameaça aos microplânctons não é um evento isolado. Ela faz parte do que a ONU classifica como a “tripla crise planetária”:

  1. As alterações climáticas;

  2. A poluição desenfreada;

  3. A perda de biodiversidade.

Esses três desafios estão interconectados. Quando o plástico prejudica as algas, ele acelera o aquecimento global (crise climática) e destrói a base da cadeia alimentar marinha (perda de biodiversidade).

Para encontrar uma saída, precisamos parar de olhar para os problemas de forma isolada. Entender como o plástico que usamos no dia a dia afeta seres microscópicos no meio do oceano é o primeiro passo para garantir um futuro viável para o nosso planeta.

Afinal, ao proteger o fitoplâncton, estamos, literalmente, protegendo o nosso próximo respiro.

Henrique Cortez, jornalista e ambientalista.

Referência:

Fei Song, Martin Dorber, Johan Berg Pettersen, Francesca Verones, Assessing the effect of microplastics on the marine ecosystem’s carbon sequestration potential in life cycle assessment, Ecosystem Services, Volume 78, 2026, 101824, ISSN 2212-0416, https://doi.org/10.1016/j.ecoser.2026.101824

 

Citação
EcoDebate, . (2026). Poluição plástica reduz a absorção de CO₂ pelo fitoplâncton. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/05/26/poluicao-plastica-reduz-a-absorcao-de-co2-pelo-fitoplancton/ (Acessado em maio 26, 2026 at 14:06)

 
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
 

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