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Catolicismo perde fiéis em 24 países

 

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Pesquisa realizada pelo Pew Research Center, em 2024, mostra que o catolicismo registrou perdas significativas em 24 países em diferentes continentes.

Os dados referem-se a pessoas que, na vida adulta, passam a se identificar com uma religião diferente daquela em que foram criadas.

Em 12 países, a maioria da população foi criada na fé católica, com índices que variam de 96% da população adulta na Polônia a 59% na Hungria. Em alguns casos, a maioria dos adultos manteve essa identificação ao longo da vida, como na Polônia, onde 92% continuam se declarando católicos e uma perda de apenas 4%, conforme mostra o gráfico abaixo.

catolicismo perde fieis em 24 países
catolicismo perde fieis em 24 países

Na Hungria a perda foi de somente 2%, sendo que o percentual de católicos passou de 59% para 57%. Em contraposição na Espanha a perda foi de 34%, passando de 80% de pessoas criadas no catolicismo para 45% na vida adulta. No Chile a perda foi de 26%, passando de 70% para 44%. No Brasil a perda foi de 25%, passando de 69% para 44%. Mesmo na Itália, sede do Vaticano, a perda foi de 22%, passando de 89% para 67%.

Dos 12 países onde havia maioria absoluta de católicos, quatro deles (Espanha, Chile, Brasil e França) deixaram de ter maioria absoluta de católicos. A Polônia manteve 92% de católicos, enquanto a França caiu de 60% para 34%.

Em outros 12 países, os católicos representam menos de 50% da população, mesmo assim apresentaram perdas. No Canadá, 39% da população foi criada no catolicismo, mas caiu para 20% na vida adulta, reduzindo praticamente para a metade. Na Alemanha, a perda foi de 15%, passando de 36% para 21%. Na Holanda a perda foi de 17%, passando de 36% para 19%. No Quênia, a perda foi de 9%, passando de 32% para 24%. Nos EUA a perda foi de 13%, passando de 30% para 17%. Nos demais países, o catolicismo caiu para 14% na Austrália, 15% na Nigéria, 9% em Gana, 10% na Grã-Bretanha, 8% na África do Sul, 3% na Coreia do Sul e 1% na Suécia.

A tabela abaixo, mostra as perdas e ganhos do catolicismo nos 24 países. Na ordem decrescente, as maiores perdas foram na Espanha, Chile, Brasil, etc. Os maiores ganhos foram Quênia (6%), Coreia do Sul e Hungria com 5%, Peru e Argentina com 4% e Colômbia (3%). No Brasil o ganho foi de 2%, na Itália foi de 1% e na Suécia não houve ganho.

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O levantamento do Pew Research Center revela que o catolicismo enfrenta desafios distintos dependendo da região geográfica e do contexto cultural. Os dados descrevem a rotatividade religiosa: a diferença entre o número de pessoas que nasceram em uma fé e as que permanecem nela na idade adulta.

Países como Polônia (92%) e Hungria (57%) mostram uma resistência cultural forte, onde a identidade religiosa costuma estar atrelada à identidade nacional ou a contextos políticos de conservadorismo. Em países como Espanha e Brasil, o catolicismo deixou de ser uma “herança automática” para se tornar uma escolha individual, resultando em perdas que chegam a 34% e 25%, respectivamente.

As duas causas principais da queda:

1) Secularização (Europa e América do Norte) – Nos países desenvolvidos, como Espanha, França, Holanda e Canadá, a queda não significa necessariamente que as pessoas migraram para outras igrejas, mas sim que se tornaram “desfiliadas” (ateus, agnósticos ou “sem religião”). A queda drástica na França (de 60% para 34%) e na Espanha (de 80% para 45%) reflete uma sociedade onde a Igreja perdeu o papel de bússola moral e social.

2) Pluralismo e Transição Religiosa (América Latina e África) – Em países como Brasil e Chile, a perda de católicos é explicada principalmente pela migração para o Pentecostalismo/Evangelicalismo. No Brasil, a queda de 69% para 44% mostra que o país deixou de ser majoritariamente católico “no papel”, enfrentando uma concorrência direta de outras denominações cristãs que possuem forte capilaridade social.

Uma análise mais detalhada sobre o campo religioso brasileiro pode ser encontrada no artigo “Transição religiosa e pluralidade no Brasil” (Alves e Cavenaghi, 2025). O artigo analisa a transição religiosa no Brasil a partir de uma perspectiva histórica e demográfica, com destaque para os resultados preliminares do Censo Demográfico de 2022.

Desde o monopólio católico registrado em 1872 até a crescente diversidade observada no século XXI, o país passou por um processo contínuo de pluralização religiosa e a transição religiosa deve continuar nas próximas décadas.

José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

Kirsten Lesage, William Miner and Rebecca Leppert. Catholicism has lost people to religious switching in many countries, while Protestantism has gained in some, Pew Research Center, April 23, 2026

https://www.pewresearch.org/short-reads/2026/04/23/catholicism-has-lost-people-to-religious-switching-in-many-countries-while-protestantism-has-gained-in-some/

ALVES, JED, CAVENAGHI, S. Transição religiosa e pluralidade no Brasil. Revista Horizonte, Belo Horizonte, v.23, n.02, set./dez. 2025 https://periodicos.pucminas.br/horizonte/article/view/36754/24864

 

Citação
EcoDebate, . (2026). Catolicismo perde fiéis em 24 países. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/04/27/catolicismo-perde-fieis-em-24-paises/ (Acessado em abril 27, 2026 at 11:27)

 
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
 

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