Pesquisa aponta ligação entre “produtos químicos eternos” e envelhecimento acelerado
Amostras de sangue revelaram a presença de PFAS em mais de 95% dos participantes, mostrando que níveis elevados de PFAS estão associados a uma idade biológica de dois a quatro anos superior à idade cronológica
Artigo de Vivaldo José Breternitz (*)
A expressão “forever chemicals”, que pode ser traduzida como “produtos químicos eternos”, designa os compostos conhecidos como PFAS (substâncias per e polifluoroalquilas), um grupo de mais de 10 mil compostos sintéticos criados para resistir à água, gordura e manchas.
São chamados de “eternos” porque não se decompõem facilmente no meio ambiente, acumulando-se no solo, na água e no corpo humano; são encontrados em panelas antiaderentes, embalagens de alimentos, roupas impermeáveis, cosméticos e produtos de limpeza.
É sabido que os PFAS trazem riscos à saúde: a exposição prolongada aos mesmos está associada a cânceres, disfunções hormonais, problemas de tireoide e redução da fertilidade; também prejudicam o desenvolvimento infantil.
Uma pesquisa recente trouxe à tona uma possível associação entre a exposição aos PFAS e a aceleração do envelhecimento em homens de meia-idade. Os resultados da pesquisa, publicados pela Frontiers in Aging, sugere que níveis elevados de determinados compostos PFAS podem estar relacionados a alguns anos de envelhecimento celular antecipado, sobretudo em homens entre 50 e 64 anos.
A pesquisa envolveu 326 adultos acima de 50 anos. Amostras de sangue revelaram a presença de PFAS em mais de 95% dos participantes, mostrando que níveis elevados de PFAS estão associados a uma idade biológica de dois a quatro anos superior à idade cronológica, com efeitos mais marcantes entre os homens.
A pesquisa levanta preocupações sobre os impactos de longo prazo da exposição a essas substâncias. Os pesquisadores destacam que mudanças biológicas típicas da meia-idade podem tornar os homens mais vulneráveis a esses agentes ambientais.
Especialistas reconhecem que evitar completamente os PFAS é impossível, mas recomendam medidas práticas para reduzir a exposição, entre outras, descartar panelas antiaderentes riscadas, evitar fast food e alimentos embalados para viagem e não usar produtos de maquiagem apresentados como de “longa duração” ou “resistentes à água”.
Divulgar esses riscos e trabalhar para reduzir a exposição aos PFAS é possível com a divulgação dos riscos trazidos pelos mesmos e com algumas mudanças no consumo e hábitos domésticos.

(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – vjnitz@gmail.com.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
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