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O paracetamol é seguro na gestação? A ciência diz que sim

em pauta: saúde

Paracetamol na gravidez não aumenta risco de autismo ou TDAH, aponta estudo da The Lancet

Pesquisadores analisaram dados de milhões de crianças e concluíram que o paracetamol continua sendo a opção mais segura para tratar dor e febre durante a gestação, desde que utilizado conforme orientação médica.

Por Henrique Cortez*

Uma preocupação recorrente entre gestantes e profissionais de saúde acaba de ser esclarecida por uma rigorosa revisão sistemática e meta-análise publicada na prestigiada revista científica The Lancet.

O estudo concluiu que não existem evidências de que o uso de paracetamol durante a gravidez aumente o risco de transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual nas crianças.

A análise sintetizou dados de diversos estudos de coorte, focando especialmente naqueles que utilizaram métodos mais precisos para eliminar interferências externas, como a comparação entre irmãos.

A importância da comparação entre irmãos

Um dos grandes diferenciais desta pesquisa foi o foco em estudos de comparação entre irmãos. Esse método é considerado mais robusto porque ajuda a isolar fatores genéticos e ambientais compartilhados pela família, que podem influenciar tanto a necessidade de analgésicos pela mãe quanto o desenvolvimento neurológico do filho.

Quando os pesquisadores aplicaram essa lente de análise, qualquer associação anterior entre o paracetamol e riscos de neurodesenvolvimento desapareceu. Em um grande estudo sueco com 2,48 milhões de nascimentos, por exemplo, a comparação entre irmãos não identificou aumento na probabilidade de autismo, TDAH ou deficiência intelectual.

Por que estudos anteriores sugeriam riscos?

De acordo com as fontes, estudos anteriores que sugeriam um aumento de risco (em torno de 19% para autismo e 34% para TDAH) eram frequentemente limitados por alta heterogeneidade e falhas metodológicas. Essas pesquisas muitas vezes não conseguiam distinguir se o efeito era causado pelo remédio ou por fatores subjacentes, como a dor, febre ou a genética da própria mãe.

As evidências atuais sugerem que as associações relatadas no passado podem ser “artefatos de confusão não medida”, como o estado de saúde da gestante, e não efeitos diretos da droga. Além disso, embora existam teorias biológicas sobre como o paracetamol poderia afetar o feto, a maioria dessas evidências vem de testes em animais ou in vitro, sem confirmação em humanos até o momento.

Os perigos de não tratar a febre e a dor

O paracetamol é um dos medicamentos mais utilizados no mundo e consta na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS. Os especialistas alertam que desestimular o seu uso apropriado pode causar mais danos do que o próprio fármaco.

A febre materna não tratada, por exemplo, está comprovadamente associada a riscos graves, incluindo:

  • Aborto espontâneo.

  • Anomalias congênitas.

  • Parto prematuro.

  • Problemas no desenvolvimento neurológico.

Portanto, em muitos cenários, o paracetamol é a única opção segura e acessível para garantir o bem-estar da mãe e do bebê.

Consenso médico e recomendações atuais

Os resultados do estudo publicado na The Lancet estão em total conformidade com as diretrizes das principais organizações médicas do mundo, como o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) e a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO).

Essas entidades continuam recomendando o paracetamol como a primeira linha de tratamento para dor e febre na gravidez, desde que utilizado conforme as orientações de dosagem e duração prescritas pelo médico.

Segurança baseada em evidências

Para as gestantes, a mensagem é de tranquilidade. A ciência mais atual e metodologicamente rigorosa reafirma que o uso de paracetamol não compromete o desenvolvimento neurológico infantil.

O foco das futuras pesquisas deve agora se voltar para entender melhor as condições de saúde que levam ao uso prolongado da medicação, garantindo sempre a prioridade à saúde materna e neonatal.

Nota: As informações contidas neste artigo baseiam-se na meta-análise “Prenatal paracetamol exposure and child neurodevelopment: A review”. Sempre consulte seu médico antes de iniciar ou interromper qualquer medicamento durante a gestação.

Referência:

Bauer AZ, Kriebel D, Herbert MR, Bornehag CG, Swan SH. Prenatal paracetamol exposure and child neurodevelopment: A review. Horm Behav. 2018 May;101:125-147. doi: 10.1016/j.yhbeh.2018.01.003. Epub 2018 Feb 3. PMID: 29341895.

https://www.thelancet.com/journals/lanogw/article/PIIS3050-5038(25)00211-0/fulltext

 

Henrique Cortez, jornalista e ambientalista. Editor do EcoDebate.

Citação
EcoDebate, . (2026). O paracetamol é seguro na gestação? A ciência diz que sim. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/01/17/o-paracetamol-e-seguro-na-gestacao-a-ciencia-diz-que-sim/ (Acessado em janeiro 17, 2026 at 15:05)

in EcoDebate, ISSN 2446-9394

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