Diferenças regionais entre fecundidade e expectativa de vida no Brasil
A queda da fecundidade e o aumento da longevidade impulsionam o desenvolvimento econômico e a melhoria do bem-estar social
Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
No Brasil, em meados do século passado, a Taxa de Fecundidade Total (TFT) era superior a 6 filhos por mulher e a expectativa de vida ao nascer (Eo) estava em torno de 50 anos. No ano 2000, a TFT estava em 2,25 filhos por mulher e a Eo em 69,5 anos. Em 2024, o Brasil registrou uma TFT de cerca de 1,6 filho por mulher e uma Eo de 76 anos.
As duas taxas seguiram trajetórias inversas, com a redução da taxa de fecundidade incentivando o aumento da expectativa de vida. Esta relação inversa ocorre tanto no Brasil, quanto no plano regional. De modo geral, as maiores expectativas de vida ao nascer ocorrem nas Unidades da Federação (UFs) com as menores taxas de fecundidade. Em 2024, o Distrito Federal (DF) possuía a segunda menor taxa de fecundidade e a maior expectativa de vida ao nascer, enquanto Roraima (RR) possuía a maior TFT e a menor Expectativa de vida (Eo).
Taxa de fecundidade total (TFT) e Expectativa de vida ao nascer (Eo)
Brasil e Unidades da Federação (UFs): 2024
|
Brasil/UFs |
Eo |
TFT |
UFs |
Eo |
TFT |
|
|
RJ |
75,6 |
1,38 |
PI |
77,0 |
1,59 |
|
|
DF |
79,7 |
1,44 |
PB |
76,8 |
1,59 |
|
|
SP |
77,0 |
1,46 |
MA |
75,6 |
1,66 |
|
|
MG |
77,5 |
1,46 |
ES |
77,2 |
1,68 |
|
|
BA |
75,8 |
1,46 |
RO |
76,0 |
1,72 |
|
|
RN |
77,8 |
1,47 |
PA |
76,3 |
1,72 |
|
|
RS |
77,2 |
1,47 |
AL |
74,4 |
1,75 |
|
|
CE |
77,3 |
1,50 |
TO |
76,7 |
1,80 |
|
|
SE |
76,4 |
1,52 |
MS |
75,4 |
1,81 |
|
|
PE |
75,5 |
1,54 |
AC |
75,9 |
1,87 |
|
|
PR |
76,8 |
1,55 |
AP |
74,3 |
1,94 |
|
|
Brasil |
76,6 |
1,55 |
MT |
75,7 |
1,95 |
|
|
GO |
76,8 |
1,56 |
AM |
75,5 |
1,96 |
|
|
SC |
78,3 |
1,57 |
RR |
74,3 |
2,26 |
Fonte: IBGE, projeções populacionais (revisão 2024)
O gráfico abaixo apresenta a correlação entre a Taxa de Fecundidade Total (TFT) e a Expectativa de Vida ao nascer (Eo), para as Unidades da Federação do Brasil, em 2024. A reta de tendência linear entre as duas variáveis indica que 40,5% do aumento da expectativa de vida ao nascer está diretamente associado aos valores mais baixos da TFT. Existe uma correlação negativa entre as duas variáveis da transição demográfica, com o aumento da expectativa de vida ocorrendo de forma sincrônica à redução das taxas de fecundidade.
Relação entre a Taxa de fecundidade total (TFT) e Expectativa de vida ao nascer (Eo)
Unidades da Federação (UFs): 2024

Fonte: IBGE, projeções populacionais (revisão 2024)
Essas duas variáveis são componentes essenciais da dinâmica populacional: a queda da fecundidade reduz o ritmo de crescimento da população e o aumento da longevidade amplia o tempo médio de vida das pessoas. As Unidades da Federação mais avançadas na transição demográfica são aquelas com maiores Índices de Envelhecimento.
Quando a mortalidade infantil cai, as famílias tendem a ter menos filhos, pois a sobrevivência das crianças se torna mais provável. Com menos filhos, as pessoas e as famílias podem investir mais em saúde, educação e bem-estar, o que eleva a expectativa de vida.
A queda da fecundidade e o aumento da longevidade impulsionam o desenvolvimento econômico e a melhoria do bem-estar social.
José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382
Referências:
ALVES, JED. O Brasil vive uma revolução demográfica, Ecodebate, 23/08/2024
https://www.ecodebate.com.br/2024/08/23/brasil-2042-enfrentando-a-nova-revolucao-demografica/
ALVES, JED. O envelhecimento populacional é uma conquista histórica, Ecodebate, 14/05/2025
https://www.ecodebate.com.br/2025/05/14/o-envelhecimento-populacional-e-uma-conquista-historica/
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
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