Bisfenol-A (BPA) em latas de alimentos e bebidas – um temporal está se formando

Será que a recente onda de preocupação do mercado de mamadeiras em relação ao bisfenol-A (BPA) está prestes a causar um caos no setor de bebidas e alimentos enlatados? Dois recentes fatos sugerem que essa possibilidade é alta. O primeiro é a proposta da Suécia, no mês passado, que obriga as empresas de embalagens e produtos alimentares a explicar como pretendem reduzir o uso do BPA no revestimento interno de latas de bebidas e de alimentos. O segundo, na semana passada, é parte de uma campanha iniciada por grupos de acionistas da Coca-Cola que exige uma estratégia da empresa em relação ao temor de consumidores sobre a segurança do químico.

Sem dúvida, a indústria de embalagens plásticas está muito preocupada com a crescente ansiedade do consumidor quanto ao BPA. Mas qual é a razão para tudo isso?

Muitas agências governamentais, em diferentes países, declararam que o uso do bisfenol em contato com alimentos nos níveis atuais é seguro. Então, fim da discussão, certo? Errado.

Hoje em dia, existem muitas vozesna comunidade científica que não concordam com essa premissa e acreditam que o BPA apresenta riscos. E essas vozes são suficientes para alimentar as dúvidas dos consumidores.

A decisão da Comissão Europeia, no ano passado, de ignorar opiniões positivas de cientistas e proibir mamadeiras de policarbonato que contenham o bisfenol-A na União Europeia abriu escancaradamente as portas para uma extensão da proibição da substância em outros tipos de embalagens.

O temor foi expresso repetidamente pela indústria de enlatados e associações do ramo de plásticos em uma declaração realizada durante uma consulta pública, organizada pela agência britânica Food and Standards Safety. A frustração com a iniciativa de Bruxelas era compreensível, assim como a surpresa com os consumidores que seguem questionando as declarações de autoridades que sancionam o uso do BPA.

No entanto, se um braço da União Europeia parece não estar nem um pouco convencido com a opinião de seus especialistas, não é normal que o público também tenha dúvidas?

Impulso Perigoso
Então como ficam os produtores de latas e a indústria de revestimento plástico?

Eles podem pensar que propostas que exigem a redução do uso do revestimento interno de latas com bisfenol pode estar confinada à Suécia – um país periférico na Europa. Seria uma atitude perigosa, considerando que a primeira proibição europeia da substância em mamadeiras ocorreu na Dinamarca, outro país escandinavo – e vejam só o que aconteceu depois disso.

A proposta dos acionistas da Coca-Cola não foi aprovada, porém uma quantidade maior de acionistas apoiou a iniciativa neste ano. Os organizadores da Campanha já se comprometeram a repetir a proposta no ano que vem. Um estudo recente da Deloitte revelou que o temor em relação ao BPA entre consumidores vem aumentando, e não diminuindo. A preocupação com o BPA – como demonstrado pelos acionistas do gigante dos refrigerantes – está aqui para ficar.

Ondas como essa são perigosas. Se as lições com o BPA em mamadeiras de policarbonato nos ensinaram alguma coisa, é que quando a ansiedade entre consumidores se espalha e a sua confiança vai por água abaixo, a indústria tem que ouvir, e não importa o que agências regulatórias em Bruxelas, Washington ou Sidney dizem.

A Associação da indústria de embalagens de metal nos Estados Unidos (Nampa) admitiu que “a corrida já começou” entre os principais fabricantes na busca de um substituto para o BPA, mas alerta que uma substância similar e segura ainda está longe de ser comercializada para o volume necessário atualmente.
Essa declaração demontra que, aparentemente, eles aceitaram que os dias do BPA estão contados. A pergunta não é “se”, mas “quando” o revestimento interno de latas não conterá mais este elemento químico.

Parece que o único fator a considerar, a partir de agora, é se os principais fabricantes de embalagens de plástico e metal estão preparados para essa onda de mudança que parece estar se aproximando e quando ela irá tomar conta do mercado como um todo. Será que eles surfarão a onda ou serão engolidos por ela?

Texto originalmente publicado no site Food Production Daily no dia 03 de maio de 2011

Fabiana Dupont e Fernanda Medeiros, em O Tao do Consumo.

Colaboração enviada por Fabiana Dumont, para o EcoDebate, 09/05/2011

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