Saiba mais: estações de tratamento de água, artigo de Roberto Naime

Publicado em junho 24, 2010 por

Esquema de uma estação de tratamentode água. Imagem: Revista Eletrônica de Ciências - Número 28 - Setembro / Outubro / Novembro de 2004
Esquema de uma estação de tratamentode água. Imagem: Revista Eletrônica de Ciências – Número 28 – Setembro / Outubro / Novembro de 2004

[EcoDebate] As questões do meio ambiente no Brasil foram introduzidas através dos conceitos do saneamento básico. O saneamento básico engloba a idéia de tratar a água que será fornecida para consumo das populações, coleta e tratamento do esgoto produzidos, um sistema de gestão dos resíduos sólidos urbanos e por fim um sistema eficiente de drenagem pluvial.

Inicialmente devem ser concebidas e projetadas as questões de reservação e distribuição das águas para consumo humano. Posteriormente as questões de instalação das captações de água, que geralmente são em rios ou através de poços tubulares profundos de grande capacidade que podem extrair grandes quantidades de água dos lençóis subterrâneos de aqüíferos primários (em arenitos ou conglomerados).


O tratamento da água para consumo humano começa nas operações de coagulação e floculação. O processo de coagulação é realizado por meio da adição de cloreto férrico e cal e tem a função de transformar todas as impurezas da água que se encontram em suspensão fina no estado coloidal.

São adicionados no canal de entrada da ETA a solução de cal e o cloreto férrico, que é um sal de ferro. Em seguida a água é encaminhada para o tanque de homogeneização para que o coagulante e o cal se misturem uniformemente no líquido, agindo assim de uma forma homogênea e efetiva.

Na floculação, a água é submetida à agitação mecânica para possibilitar que os flocos se agreguem com os sólidos em suspensão, permitindo assim uma decantação mais rápida.

O tratamento continua nos tanques ou piscinas de decantação, onde a água permanece por um tempo mínimo que permita a decantação do material particulado sólido e dos floculados que se encontram suspensos na água.

Para quem conviveu com aqueles antigos filtros de barro, que tinham um equipamento interno chamado “vela” que se enchia de barro ou lodo e precisava lavar de vez em quando, é este o procedimento que um bom tempo de permanência nos tanques ou piscinas produz.

A seguir, ocorre o processo de filtração que é a retenção de partículas sólidas por meio de membranas ou leitos porosos. As Estações de Tratamento de Água (ETAs) utilizam filtros de carvão ativado, areia e cascalho.

Por último, antes da distribuição da água para consumo, ocorrem os processos de cloração e fluoretação. A cloração consiste na desinfecção das água através da utilização de cloro gasoso (ETAs) ou hipoclorito de sódio (no caso de poços tubulares profundos onde ocorre a captação de águas subterrâneas, armazenadas em rochas, sejam aquíferos primários ou aquíferos secundários).

A fluoretação é realizada visando proporcionar uma medida auxiliar na prevenção da cárie. Nas ETAs e nos poços artesianos é utilizado o fluor sob a forma de ácido fluorsilícico. As dosagens de cloro e fluor utilizados para o tratamento da água seguem as normas convencionais dos padrões recomendados para a potabilidade das águas.

Um grande problema que está enterrado e permanece pouco visível para os olhos da população são as perdas. Canos furados, imperfeições nos sistemas de distribuição de água potável, emendas de canos defeituosas e outros problemas fazem com que a perda estimada nas águas já tratadas se situe entre 30% e 40% na maioria das referências bibliográficas sobre o assunto.

Roberto Naime, Professor no Programa de pós-graduação em Qualidade Ambiental, Universidade FEEVALE, Novo Hamburgo – RS, é colunista do EcoDebate.

EcoDebate, 24/06/2010

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Comentários (7)

 

  1. Ricardo Faria disse:

    É preciso lembrar ao professor Roberto Naime que a cloração está proibida em vários países, já que a mistura do cloro à água gera os organos clorados comprovadamente cancerígenos.
    A captação de superfície também está condenada, graças à poluição atmosférica e dos lançamentos in natura de esgotos residenciais e industrias nos cursos d´água.
    Na verdade, os sistemas de tratamento utilizados estão superados. Basta ver o caso da Sabesp, em São Paulo, onde o tratamento não separa metais pesados, produtos químicos, fármacos, hormônios sexuais e desreguladores endócrinos.
    A empresa de água e saneamento paulista cobra caro por um serviço que realiza mal ou não realiza, a exemplo em São José dos Campos e outras cidades do Vale do Paraíba.
    Como se copia tanto coisa dos americanos, passou da hora de aprender com a cidade de Nova Yorque como se capta e se trata a água destinada à população.
    Nesse país, caro professor Roberto Naime, em relação ao tratamento da água, continuamos a assistir a uma enganação, um estelionato prejudicial à saúde da população, um crime continuado acobertado pela impunidade reinante.
    Para comprovar o que foi dito acima, basta apreciar a entrevista do médico joseense, Dr. José de Castro Coimbra: Água de São José dos Campos é cancerígena – http://www.vejosaojose.com.br/aguaecancerigena.htm